Tesouro Direto: aprenda a criar uma carteira diversificada de títulos públicos
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
12/03/2025 às 14:30
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
Todo investidor precisa diversificar, inclusive aqueles que estão começando a dar os primeiros passos no mundo dos investimentos e só se sentem confortáveis com o Tesouro Direto. Sim, você leu certo: se o investidor quiser, ele pode criar uma carteira de investimentos apenas com títulos do Tesouro Direto.
É claro que será uma diversificação menos intensa, já que não envolverá outras classes de ativos como títulos de crédito privado e ações, mas pode ser um bom começo para entender o conceito de diversificação.
Em um ambiente de juros altos como o que vive o Brasil, é natural que muita gente busque títulos atrelados ao CDI, que são basicamente um proxy da taxa básica de juros (Selic). Mas, lembre-se daquela regra: para ter mais segurança, é recomendado que não coloque todos os ovos na mesma cesta.
"Como os juros estão altos, muitos investidores acabam deixando tudo atrelado ao CDI ou Selic, mas é um momento de taxas altas também nos títulos prefixados e atrelados a inflação, o que traz oportunidades", comenta Laís Reis, estrategista de investimentos do Banco do Brasil.
Como diversificar a carteira com títulos públicos?
Ao começar a pensar em diversificar a carteira com Tesouro Direto, os principais fatores a considerar são as perspectivas de prazo para o investimento e o perfil do investidor, como explica Laís Reis, do BB.
"Cada título pode ser utilizado no portfólio de qualquer investidor, o que vai mudar são os porcentuais recomendados para cada perfil, para que cada investidor fique confortável com os níveis de volatilidade", aponta.
Quais são os títulos do Tesouro Direto?
Antes de tudo é preciso compreender que o Tesouro Direto possui vários tipos. Cada qual com um prazo de vencimento definido e um benchmark, isto é, uma referência de remuneração, como Selic ou IPCA.
Na classe dos pós-fixados, está o Tesouro Selic (LFT), que acompanha a taxa básica de juros da economia (Selic) e tem sua rentabilidade ajustada diariamente, com base nas oscilações da curva de juros, ou curva DI.
"Os títulos pós-fixados são de baixa volatilidade e usados para liquidez, para compor sua reserva de emergência, parte importante e passo inicial na jornada de investimentos", explica Laís Reis.
Entre os prefixados, temos o Tesouro Prefixado comum (LTN), que oferece uma taxa de rendimento fixada no momento da compra e será paga integralmente caso o investidor carregue o título até o vencimento. Se precisar vender antes, o investidor estará sujeito à chamada marcação a mercado, que precifica o título com base no momento do mercado.
E também existe o prefixado com juros semestrais (NTN-F), cujo rendimento é recebido pelo investidor de forma diluída ao longo do período de investimento, a cada seis meses, até o vencimento. Os títulos prefixados têm o valor da rentabilidade acordada na compra, mas apenas se você levar o título até o vencimento. "Esse é um dos títulos mais voláteis disponíveis no Tesouro Direto, já que apresenta mais variações ao longo do tempo", comenta a especialista do BB.
Também há os títulos híbridos, que oferecem como benchmark a inflação medida pelo IPCA mais uma taxa fixa. São as NTN-B, também chamadas de Tesouro IPCA+. Dentro desta classe, existem ainda o Tesouro IPCA+ com juros semestrais e títulos destinados a objetivos específicos, como o RendA+, para aposentadoria, e o Educa+, para a poupança visando a educação dos filhos.
Por terem característica de longo prazo, esses títulos têm como objetivo proteger o investidor da inflação e manter o poder de compra , oferecendo como rendimento o próprio IPCA mais um prêmio extra prefixado.
"O título híbrido garante ganho real acima da inflação, muito importante para manter o poder de compra no médio e longo prazo. Afinal, os R$ 100 de 10 anos atrás não compram as mesmas coisas que os R$ 100 de hoje", esclarece Laís Reis, do BB.
Por que diversificar?
A diversificação é uma regra importante nos investimentos, uma vez que é comprovado que ela tem o poder de potencializar os retornos de uma carteira.
A especialista do BB conta que historicamente, o retorno acumulado em 10 ou 15 anos, e em janelas móveis de 12 e 60 meses, diversos outros investimentos superam o CDI, dentro os principais estão o IMA-B (formado por títulos inflação), IRF-M (formado por títulos prefixados), IDIV (Índice de Dividendos B3) e o S&P 500 (bolsa americana). "Esse estudo mostra a importância da diversificação na formação de patrimônio", afirma Laís Reis.
No cenário atual, com Selic a 13,25% e perspectiva de ao menos uma nova alta de 100 pontos-base em maio, a renda fixa tem se mostrado atrativa para o investidor, mas o cenário exige discernimento e frieza na hora de escolher seus títulos públicos.
Um estudo do BB Investimentos constatou que, em ambientes como o de hoje, no qual há títulos prefixados oferecendo rentabilidade acima de 14% e títulos IPCA+ pagando taxa de mais de 7% além da inflação, o investidor nunca perdeu dinheiro com esses ativos.
"São patamares atrativos para o carrego do título e até para venda antes do vencimento, se for necessário, mas é importante sempre lembrar que rentabilidade passada não é sinônimo de rentabilidade futura", aponta Reis.
Quanto a projeções futuras, agora, as atenções estão mais voltadas para as perspectivas de juros nos Estados Unidos, com o Federal Reserve (Fed) adotando uma postura mais cautelosa diante das incertezas causadas pelo início do governo de Donald Trump.
- O BB atualmente projeta mais um corte de juros pelo Fed neste ano. Para a Selic, a expectativa é de 15,25% ao final do ano, o que significaria mais 200 pontos-base em relação ao nível atual, e para o IPCA a projeção é de 5,60%, acima do teto da meta de 4,50%.

