Onde investir em março
Publicado por: Análise BB
6 minutos

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Atualizado em
06/03/2025 às 16:12
Confira o video em: https://www.youtube.com/watch?v=_aotg6cPxnk
Os mercados estavam convencidos de que as tarifas de Donald Trump são mais uma tática de negociação do que uma ação que o presidente dos EUA de fato quer colocar em prática para aumentar a arrecadação. Mas será mesmo?
O fato dos mercados terem precificado um Trump mais agressivo, abriu espaço para que os ativos de risco globais performassem bem nesse início de ano, algo que pode mudar nesse mês de março.
No cenário interno, não tivemos muitos dados ou notícias movimentando o mercado, que acompanhou as movimentações externas no mês de fevereiro. Tivemos revisão do valor de inflação para 2025 e 2026, estando vigentes as projeções abaixo:

A taxa Selic segue em 13,25% e a próxima reunião em 19 de março já está com a alta contratada de +1%. O mercado ficará atento ao comunicado, visto que o Bacen não se comprometeu além desse prazo.
As expectativas do BB são de 3 altas em 2025, +1% em março, +0,5% em maio e junho, fechando o ano em 15,25%. Para março, os investidores estarão de olho o andamento da reforma ministerial e as aprovações de medidas junto ao congresso, que podem influenciar os prêmios de mercado.
As curvas de juros iniciaram o mês fechando, o que é benéfico ao rendimento dos títulos prefixados e atrelados a inflação, mas após os dados de criação de empregos formais, o Caged, que veio bem acima das expectativas, junto ao cenário externo incerto, na ultima semana as taxas subiram novamente e devolveram os ganhos, ficando abaixo do CDI. O IRF-M rendeu 0,61%, IMA-B 0,50% e IMA-B 5 0,65%
Na renda variável, a bolsa brasileira começou o mês mantendo a alta vista em janeiro, mas não conseguiu se sustentar com a piora da percepção de risco global e o resultado de Petrobras, que reportou prejuízo e decepcionou o mercado. O Ibovespa caiu 2,64%, fechando aos 122.799 pontos.
O nosso modelo estrutural desse ano reflete uma visão negativa pra bolsa brasileira, porém nos níveis de preços atuais, com as tarifas americanas voltadas para Canadá e México, o fluxo do estrangeiro pode começar a voltar para Brasil. Dessa forma, optamos por ficar neutros na classe.
O dólar fechou o mês a R$5,88, um aumento de 0,69%. Sem grandes ruídos internos e seguindo o movimento da moeda globalmente, o dólar chegou abaixo dos R$5,70 na metade do mês, mas virou e fechou em alta com o crescimento da percepção de risco no cenário externo.
A projeção da nossa área macroeconômica é de um dólar a R$6,00 no final de 2025. Nas criptomoedas, apesar de evoluções positivas específicas ao mercado, o bitcoin seguiu a aversão a risco global e caiu 17,53% em fevereiro, cotado a US$84.212,07.
Nos Estados Unidos, os dados de inflação vieram acima das expectativas e acumulando alta em 12 meses de 3%, valor acima de dezembro. Os dados movimentaram os mercados, principalmente agregando prêmio de risco e subindo as taxas dos títulos do Tesouro Americano de 10 anos até a metade do mês.
Apesar disso, os prêmios se normalizaram nos dias seguintes e vem caindo com os dados de pesquisas que indicaram uma queda na confiança do consumidor e aumento nas expectativas de inflação, causando um movimento de aversão a risco devido a visão negativa das tarifas de Trump.
O mercado começou o mês positivo e com Vix, conhecido como “índice do medo”, em níveis pró risco, porém veio crescendo e fechou fevereiro em 19,63, próximo ao campo neutro. Normalmente, quando o VIX esta abaixo de 20, indica um mercado mais estável e com alta confiança dos investidores, já quando o índice esta acima de 30 indica uma alta incerteza e volatilidade no mercado, com possível queda nas ações.
O S&P 500 caiu 1,42%, fechando a US$5.954, e o Nasdaq caiu 2,76%, cotado a US$ 20.884.
Apesar de estarmos em um momento de Selic alta, é muito importante seguir diversificando seus ativos na visão de longo prazo. Historicamente, outras classes de ativos superam o CDI quando olhamos uma janela de tempo maior, como o exemplo abaixo do retorno acumulado em 10 anos.
Para março, seguimos preferindo os vértices curtos e médios para os ativos de inflação, devido a relação risco x retorno. Na renda variável global, trocamos o fundo BB Ações Bolsa Americana pelo BB Ações Bolsas Globais, que tem como benchmark o MSCI ACWI (All Country), que em sua maior parte investe em Estados Unidos, mas traz também outras bolsas mais descontadas, em um momento que os investidores podem aproveitar o arrefecimento do dólar para buscar uma maior diversificação global.
Na classe multimercados mudamos a divisão entre os fundos dentro do percentual sugerido, aumentando a recomendação no fundo BB Espelho JGP Strategy e diminuindo no fundo BB Espelho Adam Macro, principalmente devido ao seu posicionamento alto em Nasdaq, que pode ser muito afetado pelas tarifas, no caso da pauta avançar em março.
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