Raízen: Atualização de crédito (Plano de Recuperação Extrajudicial - Outubro/2026)
Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
15/10/2026 às 16:56
Confira o relatório completo clicando aqui!
Após a homologação do plano de recuperação extrajudicial (RE), a Raízen avançou para a fase de implementação com a aprovação das medidas necessárias à sua execução. Nesse contexto, foi convocada assembleia geral extraordinária (AGE), a ser realizada em 30 de outubro, que deliberará sobre as mudanças necessárias à capitalização, à conversão de dívida e à reorganização dos negócios. Entre as propostas a serem submetidas à AGE estão: (i) o aumento do limite do capital autorizado para até 200 bilhões de ações, cujo uso, até a data de fechamento, ficará restrito à chamada Capitalização RSA (que, em resumo, corresponde ao fechamento financeiro e societário da recuperação extrajudicial, combinando novos recursos e conversão de dívida em ações); (ii) a criação de uma nova classe de ações preferenciais, as PN Classe B, condicionada à aprovação de mais da metade das ações preferenciais em assembleia especial; e (iii) a instituição de Units compostas por uma ação ordinária e uma preferencial Classe A. Em conjunto, essas medidas criam a infraestrutura societária necessária para a emissão dos papéis destinados aos credores e para os aportes previstos no plano.
A proposta também contempla uma reformulação da governança, com a destituição do atual conselho de administração e a eleição, por chapa única, de um novo colegiado composto por sete membros titulares e sete suplentes, com mandato de três anos. A composição poderá variar conforme a participação ou não da Aguassanta (holding patrimonial de Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan S.A.) no aumento de capital, enquanto os representantes indicados pela Shell serão considerados eleitos pelos titulares das novas PN Classe B. Em nosso entendimento, para os detentores de crédito,** a mudança representa maior alinhamento da governança à execução do plano** e à proteção dos novos acionistas oriundos da conversão de créditos. Para os atuais acionistas, confirma-se o cenário mencionado anteriormente de elevada diluição.
Outro ponto central é a proposta de redução do capital social em até R$ 35 bilhões, sem alteração do número de ações da companhia. A redução ocorrerá por meio da entrega aos acionistas de valores mobiliários da Raízen Energia (RESA), na mesma espécie, classe e proporção das respectivas participações na Raízen. Essa operação deve permitir efetivar a segregação dos negócios prevista na reestruturação, ainda que dependa de diversas condições, como a homologação da Capitalização RSA, o pedido e a efetiva listagem da RESA no Nível 2 da B3, a reforma do estatuto, a eleição de seu novo conselho e o encerramento do prazo de oposição de credores.
De forma resumida, podemos dizer que as deliberações propostas materializam caminhos para a conclusão do processo de RE, incluindo alterações societárias relevantes, o que reduz parte da incerteza de execução, ainda que o processo permaneça sujeito a diversas etapas e condições. Para os bondholders (detentores de títulos de dívida), o avanço é construtivo, já que viabiliza a conversão de créditos, a nova governança e a separação dos negócios. No entanto, o valor final de recuperação segue dependente da capitalização, da alocação de dívida entre os grupos e do desempenho dos ativos após a segregação. Para os investidores em ações, as propostas confirmam a forte diluição e a perda de influência dos atuais acionistas, além de definirem um caminho para o reequilíbrio financeiro e para a avaliação separada dos negócios de distribuição e de energia. Assim, para ambos, trata-se da materialização de um cenário adverso, mas cujos avanços parecem ser menos negativos do que os de uma recuperação judicial.
Por fim, ressaltamos que este relatório possui caráter exclusivamente informativo e tem por finalidade auxiliar a tomada de decisão de investimento, não constituindo recomendação ou orientação de voto em relação às matérias a serem deliberadas nas assembleias convocadas pela companhia.
Outras análises
Disclaimer
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.





