'Super quarta' é dia de saber como ficarão os juros no Brasil e nos EUA
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos

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Atualizado em
03/10/2024 às 17:09
Por Luana Pavani, do Broadcast
Esta semana tem a "super quarta", aquele dia em que coincidem as reuniões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Investidores estão de olhos pregados nas plataformas de notícias para saber se e em quanto a taxa básica de juros desses países mudará, e como isso vai impactar nas decisões de alocação de recursos, tanto em renda fixa quanto variável.
Mas o que embasa essas decisões? O dado principal que as autoridades monetárias observam para a decisão de juros é a inflação. No caso desses BCs, como há um regime de metas de inflação, a taxa de juros é usada como instrumento para calibrar o indicador.
Como muitos países têm relação comercial com os EUA, inclusive o Brasil, qualquer decisão de juros por lá afetará o comércio internacional, em maior ou menor grau.
No mercado de câmbio e de bolsa, os ativos oscilam conforme há maior ou menor apetite por risco. Caso a decisão do Fed seja de manter a taxa de juros ou elevar, ficarão mais atraentes os negócios com renda fixa atrelada aos juros americanos (os Treasuries), diminuindo a procura por renda variável.
Em teoria, o aumento de juros eleva o custo do consumo ou do crédito. Afinal, quando uma empresa ou um consumidor vai buscar um financiamento e se depara com prestações muito elevadas por causa dos juros altos, tende a adiar a compra ou o investimento. Se o consumidor não compra, a indústria também perde receita ao mesmo tempo que seu custo de produção fica elevado devido ao alto preço da matéria-prima. Nesse ambiente de juros elevados, a empresa paralisa os investimentos e começa a demitir funcionários. A queda no emprego piora ainda mais a situação da restrição de consumo.
De forma geral, a atividade econômica se enfraquece, atingindo o objetivo de segurar a inflação. Isso porque, pela lei da oferta e da procura, a inflação desacelera quando há maior oferta e/ou menor procura. Dali em diante, o Banco Central pode rever a situação e reduzir a taxa de juros para promover a recuperação da atividade, com redução do custo do dinheiro, aumento da demanda por crédito, elevação dos níveis de investimentos e de emprego, e consequente retomada do consumo.
O impacto da decisão de alteração na taxa de juros ocorre mais fortemente sobre os setores que têm maior correlação com crédito e consumo, como imobiliário e varejo, além dos bancos. São as ações chamadas cíclicas, pois estão ligadas ao ciclo econômico. A decisão de juros também afeta fortemente as empresas de menor porte que dependem de financiamento em sua fase inicial, como é o caso de startups. Juros mais altos para esse conjunto de empresas é negativo, pois resulta em menor contratação de empréstimos e vendas. E o inverso, com queda de juros, incentiva crédito e consumo.
A sinalização de redução na taxa Selic gera também redução das curvas de juros futuras e, por consequência, menor atratividade da renda fixa. Os investidores então, na busca por melhores rendimentos, se voltam para a renda variável, com mais aplicações em bolsa e fundos de investimento multimercado.
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