MRS Logística: Atualização de crédito - Setembro 2026
Análise de emissores: atualização sob a ótica de crédito privado
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
11/09/2026 às 15:47
Confira o relatório completo:
Momento operacional: após o forte desempenho no fechamento de 2025, a MRS manteve um desempenho operacional resiliente no 2T26, com volume transportado de 55,1 Mt, alta de 1,1% a/a, apoiado pela recuperação da mineração e pelo avanço no transporte de produtos agrícolas. A receita líquida alcançou R$ 1,94 bilhão, praticamente estável em relação ao 2T25. Por sua vez, a redução dos gastos com diesel e outros insumos mais do que compensou a pressão das despesas com mão de obra, favorecendo o crescimento do EBITDA para R$ 1,08 bilhão (+4,2% a/a) e a expansão da margem EBITDA para 55,8% (+1,9 p.p. a/a). Em contrapartida, o lucro líquido caiu 11,5%, para R$ 427 milhões, pressionado pelo aumento da base de ativos e pelo resultado financeiro, afetado pelo maior endividamento e pelo CDI elevado. Os investimentos totalizaram R$ 643 milhões no trimestre, direcionados à segurança, à modernização e à expansão da capacidade da malha, bem como ao cumprimento dos compromissos da concessão.
Alavancagem e dívida: ao fim do 2T26, a dívida bruta da MRS somava R$ 10,9 bilhões (+46,5% a/a; -1,2% t/t). O caixa atingiu R$ 4,7 bilhões (+107,8% a/a), enquanto a dívida líquida atingiu R$ 6,2 bilhões (+19,6% a/a). A relação Dívida Líquida/EBITDA¹ caiu de 1,6x para 1,5x, na comparação trimestral, ante o limite contratual de ≤ 4,5x, com cumprimento integral dos covenants no período. O prazo médio da dívida foi de 10,3 anos no fechamento do 2T26. A 14ª emissão, realizada em fevereiro no valor de R$ 1,2 bilhão, rating AAA(bra) pela Fitch e vencimento em 2041, alongou o passivo e reembolsou investimentos vinculados à renovação da concessão da Malha Regional Sudeste.
Nossa visão: a MRS mantém um modelo de negócios defensivo, apoiado pela concessão da Malha Regional Sudeste até 2056, pela relevância no transporte de clientes estratégicos, alguns ligados ao bloco de controle, como Vale, CSN e Usiminas. A demanda relativamente previsível, os contratos take-or-pay² e as cláusulas tarifárias que repassam parte da variação dos custos aos clientes favorecem a estabilidade das receitas e das margens. A baixa alavancagem, de 1,5x ante o limite de 4,5x, e o caixa de R$ 4,7 bilhões reforçam a flexibilidade financeira. Em contrapartida, o capex elevado, os pagamentos de outorga associados à renovação da concessão e as demais obrigações contratuais podem pressionar o fluxo de caixa livre e elevar a dívida. O perfil alongado da dívida, aliado à liquidez e aos elevados ratings nacionais, com perspectiva estável, mitiga o risco de refinanciamento.

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