BB-BI analisa a MRS Logística sob a ótica do crédito privado
Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB

Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB
8 minutos
Atualizado em
15/07/2024 às 16:05
A MRS Logística é uma operadora ferroviária de carga que administra uma malha de 1.643 km nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, conectando regiões produtoras de commodities minerais e agrícolas, além de parques industriais, aos principais portos da região Sudeste. A MRS foi constituída como uma S.A. em 1996 e seus atuais acionistas são: MBR (32,9%) – controlada pela Vale, CSN (18,6%), CSN Mineração (18,6%), Usiminas (11,1%), Vale (10,9%), Gerdau (1,3%) e um grupo pulverizado de pequenos investidores (6,5%).
A companhia transporta, principalmente, insumos e produtos relacionados à indústria siderúrgica, tais como minério de ferro e carvão. Seus principais acionistas são também seus maiores clientes, sendo que Vale e CSN representaram quase 60% do total das receitas da companhia em 2023. O fluxo de receitas anuais da empresa possui mecanismos de proteção contratual, conforme acordado com seus clientes cativos, que são também os controladores da companhia.
O setor ferroviário nacional é regulado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que estabelece uma série de metas com relação a produtividade e segurança. O contrato de concessão da MRS expira em 2056, após a prorrogação antecipada do atual contrato, em jun/2022, por mais 30 anos a partir de dez/2026. A renovação exigirá investimentos de cerca de R$ 11,0 bilhões, com a maior parte a ser desembolsada nos próximos 10 anos.


A MRS apresentou crescimento de receita, EBITDA e lucro líquido no 1T24, resultado beneficiado pelo aumento do volume transportado, com destaque para o minério de ferro destinado à exportação. A mineração representou 62% do total transportado no 1T24, participação estável em relação aos últimos trimestres, embora a companhia reforce o compromisso com a diversificação de cargas no mix.
A dívida líquida da companhia não apresentou variação expressiva nos últimos períodos analisados devido ao aumento do saldo de caixa, de forma a garantir a liquidez e o cumprimento do plano de investimentos obrigatórios, mesmo com crescimento do saldo da dívida bruta após a captação de R$ 2,0 bilhões por meio da 11ª emissão de debêntures em outubro de 2023. A maior parte da dívida está atrelada ao CDI e as emissões no mercado de capitais constituem a maior parte (76%) do total dos passivos financeiros.
As quatro emissões de debêntures ativas da empresa possuem covenants financeiros (dívida líquida/EBITDA <= 3,0x, para a 7ª emissão e <= 3,5x para as demais), além de outras restrições, como a proibição de alienação de ativos não-circulantes que representem valor igual ou superior a 15% de tais ativos, por exemplo, ou a restrição de pagamento de dividendos caso a companhia esteja em mora com relação ao pagamento de qualquer obrigação relativa às debêntures.
Os investimentos vinculados à renovação antecipada da concessão da MRS são estimados em R$ 11,0 bilhões, considerando a data base do contrato, em maio/2022, principalmente relacionados à execução de obras de expansão do negócio e à mobilidade urbana, conforme compromisso assumido. Além dos novos investimentos, o novo contrato exigirá o pagamento de 138 parcelas trimestrais de R$ 14,0 milhões, valor que se soma ao valor pago trimestralmente pelo direito de concessão e totaliza aproximadamente R$ 4,3 bilhões como outorga.
A companhia também investe recorrentemente em projetos de melhorias tecnológicas ou que geram ganhos de produtividade e expansão de capacidade. Em 2023, os investimentos (capex) totalizaram R$ 1,8 bilhão enquanto a geração de caixa operacional da companhia foi de R$ 3,6 bilhões, mais do que suficiente para subsidiar tais investimentos.
As métricas de crédito da companhia (tabela abaixo) demonstram posição de liquidez e indicadores de capacidade de pagamento satisfatórios e em evolução, como o aumento do prazo médio de endividamento e do índice de liquidez. Ainda, vemos que o EBITDA da companhia é suficiente para cobrir as despesas de juros inclusive após o dispêndio de capex.

Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.
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