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Economia

E lá vem a super quarta: saiba o que esperar das decisões de juros no Brasil e nos EUA

Publicado por: Broadcast Exclusivo

conteúdo de tipo Leitura5 minutos

Atualizado em

31/10/2023 às 12:06

Por Luana Pavani, do Broadcast

São Paulo, 31/10/2023 - Novembro começa com a super quarta, aquele dia em que coincidem as reuniões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Investidores e analistas querem saber como ficará a taxa básica de juros desses países e qual o impacto nas decisões de alocação de recursos, tanto em renda fixa quanto variável.

Nesta quarta-feira (01/11), será anunciada no final da tarde a decisão final da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reúne o presidente e os diretores do Banco Central brasileiro. A expectativa predominante do mercado é de mais um corte da taxa básica de juros (Selic) em 0,50%, para ficar em 12,25%.

Já nos Estados Unidos, a grande maioria dos analistas aposta que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai manter a taxa de juros nesta quarta. Na quinta-feira será a vez do Banco da Inglaterra (BoE) anunciar sua decisão sobre juro, e a maioria dos analistas prevê manutenção. Por lá, o BOE parece não estar disposto a subir juros, a menos que seja muito necessário, já que o crescimento do Reino Unido tende a ser pequeno nos próximos anos.

Enquanto aguardam os resultados dessas reuniões, os analistas vão revisando suas projeções a cada divulgação de indicador macroeconômico.

De olho na inflação

Mas o que embasa essas decisões? O dado principal que as autoridades monetárias observam para a decisão de juros é a inflação. No caso desses três bancos centrais, como há um regime de metas de inflação, a taxa de juros é usada como instrumento para calibrar o indicador. Assim, o Banco Central pode cortar a taxa Selic, no caso do Brasil, para estimular o crescimento econômico e a tomada de crédito, já que a inflação tem desacelerado.

Por outro lado, nos EUA, o Fed ainda vê sinais de inflação persistentes ao mesmo tempo em que alguns indicadores de atividade seguem fortes, como no mercado de trabalho, deixando dúvidas no ar, o que supõe cautela - daí a aposta quase unânime dentre analistas de que os Fed Funds sejam mantidos na faixa de 5,25% a 5,50%.

Selic em resumo

Um novo corte de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic é expectativa unânime de 57 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast . Das casas consultadas, 96% esperam cortes sequenciais de 0,50 ponto nos juros até o fim de 2023, enquanto duas apenas preveem aceleração do ritmo de baixa a 0,75 ponto em dezembro. Para o Copom de janeiro, a maioria espera um terceiro corte de 0,50 ponto. A mediana indica Selic em 11,75% no fim de 2023.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) reforçou para o mercado a expectativa de redução da taxa Selic, já que mostrou alívio nos núcleos, mas o ambiente externo, com o conflito Israel-Hamas, figura como o principal elemento que limita as chances de cortes mais profundos.

O índice desacelerou de 0,35% em setembro para 0,21% nesta leitura, exatamente em linha com a mediana da pesquisa Projeções Broadcast . As surpresas positivas vieram justamente da média dos núcleos (0,27% para 0,23%) e dos serviços subjacentes (0,34% para 0,14%) - ambos abaixo dos consensos, que apontavam variações de 0,30% e 0,32%, respectivamente.

Membros do Copom têm expressado cautela com a dinâmica dos serviços subjacentes, mais correlacionados à atividade econômica e ao mercado de trabalho, que continua robusto. A taxa de desocupação caiu de 8,0% no trimestre terminado em junho para 7,7% no trimestre encerrado em setembro, menor resultado desde fevereiro de 2015, quando foi de 7,5%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego foi a menor para trimestres até setembro desde 2014, quando ficou em 6,9%.

Enquanto o Copom deixou explícito no comunicado da reunião de setembro o "reforço à importância da firme persecução das metas fiscais já estabelecidas", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na última sexta-feira, 27, que o governo "dificilmente chegará à meta zero", e que "não quer fazer cortes em investimentos e obras". A declaração gerou um desconforto em parte de agentes do mercado, já que coloca em dúvida o cumprimento da meta de déficit zero em 2024, mas tal ruído recente não deve alterar a trajetória de flexibilização da taxa Selic neste momento, pois, segundo analistas, o próprio Copom já vinha considerando o risco fiscal em seu cenário, na última decisão.

Fed Funds em resumo

Os números melhores do que esperado dos índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) dos Estados Unidos divulgados na semana passada (24) reforçaram a precificação de pausa nos juros pelo Federal Reserve até maio de 2024. Segundo ferramenta de monitoramento do CME Group, a probabilidade de manutenção é de 99,7%, de modo que os Fed Funds sigam na faixa de 5,25% a 5,50%. Para a reunião de 13 de dezembro, as apostas de manutenção seguem majoritárias (75%), com parte do mercado considerando 25% de chance de uma alta de 25 pontos-base.

Em teoria, sinais de resiliência da economia, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, costumam aumentar expectativas de elevação de juros. O PIB dos EUA cresceu 4,9% no terceiro trimestre, em números anualizados, acima do previsto. Porém, a escalada recente nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries, que chegaram a bater máximas históricas, equivaleria a uma alta forte de juros. De acordo com cálculos do Morgan Stanley, o rali recente dos Treasuries corresponderia a um aumento de 75 pontos-base nos juros desde a última reunião do Fed, em setembro último.

Os rendimentos dos títulos de 10 anos quebraram a marca dos 5% em meados de outubro, no nível mais alto desde 2007. Dirigentes do Fed têm reconhecido que a disparada nos rendimentos dos Treasuries apertaram as condições financeiras dos EUA e pode dispensar uma nova elevação nos juros americanos. "As condições financeiras têm estado significativamente mais restritivas nos últimos meses e os rendimentos dos títulos de longo prazo têm sido um importante fator impulsionador desse maior aperto", disse o presidente do Fed, Jerome Powell, em discurso no último dia 19.

  • Na quarta-feira, logo após a decisão do Copom, os especialistas do BB divulgam a análise dos rumos da taxa Selic. Confira aqui no InvesTalk.

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