Como operar no mercado futuro de juros e contratos de DI
O mercado de contratos futuros de juros é operado em bolsa, via B3, com diversos produtos.
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
03/10/2024 às 17:06
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
Os produtos ligados a taxas de juros bateram recordes nas médias diárias de negociação na B3 ao longo do primeiro semestre de 2023, com o desempenho renovando marcas históricas. O mercado de contratos futuros de juros é operado em bolsa, via B3, com diversos produtos.
A movimentação dos títulos, que têm diferentes datas de vencimento, é também conhecida como curva de juros, ou curva DI - sigla para Depósito Interfinanceiro, que são as taxas com as quais os bancos negociam recursos entre si, nos chamados Certificados de Depósitos Interbancários (CDI). Essas taxas funcionam como uma "proxy", isto é, uma aproximação de como a taxa básica de juros da economia, a Selic, estará ao longo do tempo.
Os operadores desse mercado são investidores institucionais, como bancos e gestores de fundos de investimentos no Brasil e no exterior, que compram e vendem taxas de juros no mercado futuro para proteger suas dívidas.
Esse mecanismo é conhecido como "hedge", do termo em inglês "proteção". Assim, o profissional "trava" uma taxa no momento, para evitar a oscilação futura. Há também investidores mais experientes e de perfil agressivo que aplicam no mercado de juros, em diferentes produtos, como:
Futuros de DI
Os contratos de DI futuro são a maneira mais usual de investir no mercado de juros. Segundo a B3, o volume médio de negociação desses contratos por dia no primeiro semestre deste ano foi de 3,38 milhões, alta de 27% em relação aos anos de 2021 e 2022, quando a média havia sido de 2,65 milhões de contratos. Em 2020, o número girava em torno dos 2 milhões de contratos.
Por ser um título futuro, comprador e vendedor negociam no presente a expectativa de uma taxa em algum prazo adiante. O rendimento que o investidor ou fundo obtém com a negociação de títulos de juros é conhecido pela sigla em inglês "yield", daí o termo "yield curve".
Os contratos de DI são negociados na B3 com o código DI1, seguido de uma letra, que corresponderá ao mês de vencimento, e pelos números do ano de vencimento. Por exemplo, o título DI1F24 é o DI com vencimento em janeiro de 2024, enquanto o DI1G24 vence em fevereiro de 2024 e o DI1F33 vence em janeiro de 2033. O mercado de juros futuros abre as negociações às 9h e fecha às 18h.
Os DIs futuros costumam ficar restritos a investidores institucionais e tesourarias de bancos, já que não existem mini contratos como no dólar ou no Ibovespa futuro. O lote padrão de negociação do DI futuro equivale a R$ 100 mil.
Opções sobre o Índice DI
Esse tipo de operação costuma ser utilizada pelos investidores institucionais como proteção para eventuais quedas ou altas dos contratos de DI. Segundo a B3, em junho, o produto atingiu seu recorde de negociação diária, atingindo o patamar de 1,98 milhão de contratos negociados por dia, em média.
As opções sobre o índice DI são corrigidas diariamente pela taxa DI divulgada pela B3 e se assemelham a instrumentos utilizados no exterior para proteção contra flutuações de taxa de juro, como "caps" e "floors".
Os "caps" (ou "caplets") são contratos que garantem ao investidor um limite máximo de variação da taxa de juros, protegendo contra eventuais altas. Já os "floors" (ou "floorlets") são contratos que asseguram um limite mínimo para os juros, isto é, um piso, o que protegeria de quedas excessivas nas taxas.
Opção de Copom
Este produto, lançado em 2020, permite a negociação da variação da taxa básica de juros (Selic) decidida em cada reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Em junho, ele obteve recorde, com média de 7,5 mil contratos por dia.
A opção de Copom também é uma forma de investidores se protegerem dos juros, mas neste caso da própria decisão da taxa básica pelo Banco Central. Além disso, eles podem servir como ferramenta de avaliação por parte de analistas e economistas em geral para mapear as expectativas dos investidores em relação aos próximos passos da autoridade monetária.
Futuro de Cupom de IPCA (DAP)
O futuro de cupom de IPCA, conhecido pela sigla DAP, funciona como uma ferramenta de proteção contra flutuações da taxa de juro real brasileira. O cupom do IPCA, que dá nome ao produto, nada mais é do que a diferença entre a taxa média dos contratos de DI e a leitura do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), inflação oficial do Brasil.
Quem investe neste produto busca garantir a diferença entre a taxa de juro real que ele negociou e a taxa de juro real realizada de fato entre a data de negociação e o vencimento do contrato. Com isso, o investidor se protege de variações na taxa real de juros (descontada a inflação).
Segundo a B3, de 17,5 mil contratos negociados em média por dia em 2020, o volume de futuros de Cupom de IPCA saltou para 23,5 mil em 2021, 36,4 mil em 2022 e bateu recorde de 55,8 mil contratos médios por dia em 2023. O DAP é negociado com o ticker DAPV14.

