BB-BI analisa os Fundos Imobiliários TVRI11 e GTWR11
BB-BI analisa o momento do fundo TVRI11 e GTWR11
Publicado por: Análise BB

BB-BI analisa o momento do fundo TVRI11 e GTWR11
Publicado por: Análise BB
Atualizado em
11/07/2025 às 15:16
O TVRI11 (antigo BBPO11) foi criado em 2012 com o objetivo de adquirir agências e centros administrativos do Banco do Brasil, para alugá-los ao próprio banco por meio de contratos atípicos com prazo inicial de 10 anos. Com o fim da atipicidade, o fundo passou a adotar uma gestão mais ativa, focada na renegociação de contratos e na reciclagem de ativos.
Desde o início dessa nova abordagem, em agosto de 2023, o fundo realizou seis vendas, sendo todas acima do valor patrimonial e com cap rates atrativos, gerando lucros que compuseram a base de rendimentos distribuídos até então. Por outro lado, o capital foi reinvestido em melhorias nos imóveis remanescentes, com o objetivo de aumentar sua atratividade e facilitar a renovação dos contratos com o Banco do Brasil. Um exemplo bem-sucedido dessa estratégia foi a renovação da agência em Florianópolis.
Atualmente, o fundo possui 59 imóveis distribuídos por diversas regiões do Brasil, com maior concentração em São Paulo (38%), Minas Gerais (14%) e Distrito Federal (13%), o que é considerado positivo. Destaca-se também a tipologia dos ativos: cerca de um terço são imóveis de renda urbana locados para agências bancárias, 32% são lajes corporativas e 34% são ativos híbridos, que geralmente são compostos por uma loja no térreo e uma sobreloja com uso corporativo.
Por outro lado, há pontos de atenção. Todos os imóveis estão locados para o Banco do Brasil, que pertence a um setor que vem passando por grandes transformações nos últimos anos. Os contratos atuais vencem em 2027, e há uma concentração relevante de receita (30%) em uma laje corporativa em Brasília e duas grandes lajes no centro de São Paulo, regiões com menor atratividade em comparação com áreas como eixo Faria Lima. Nesse contexto, recentemente, o fundo recebeu uma notificação de devolução do Edifício CACEX (SP), que representa 2,4% da receita, adicionando um novo desafio à gestão.
Em nossa visão, a gestão tem conduzido bem o processo de reciclagem de ativos, aumentando o yield do fundo e sua atratividade no mercado secundário. A expectativa é que os novos recursos sejam direcionados para aquisições com perfis de ativos e locatários mais diversificados, priorizando cap rates mais elevados. No entanto, apesar de o Banco do Brasil ter um perfil mais social e presença em municípios onde outros bancos não atuam, ele ainda pertence a um setor que vem se digitalizando rapidamente, o que representa um risco para futuras renovações contratuais.
Diante disso, mantemos uma avaliação neutra para o fundo.
Pontos fortes:
Pontos fracos:
O objetivo do Fundo é proporcionar renda mensal por meio de locação do empreendimento Green Towers, localizado em Brasília (DF) onde, atualmente, funciona a sede administrativa do Banco do Brasil. O GTWR investiu seu patrimônio na aquisição de 85% da totalidade do empreendimento.
Em jul/25, a cota do fundo apresenta um recuo de cerca de 1,9%, mas acumula uma valorização de 4,90% em 12 meses. A relação P/VP do GTWR11 é de 0,76, ou seja, a cota vem sendo negociada no mercado secundário com deságio de 24% em relação ao seu valor patrimonial.
O GTWR realizou seu IPO em 2019 e, atualmente, conta com quase R$ 1,2 bilhão de patrimônio líquido, tendo uma boa representatividade no IFIX e se consolidando como um dos fundos mais relevantes da indústria de lajes.
No final de 2021, a BV Asset anunciou um aditamento ao contrato de locação vigente, que, entre outros pontos, estendeu o prazo de locação de out/25 para out/28, adiou a revisão contratual para Nov/24 e elevou a multa em caso de rescisão antecipada.
Nesse contexto, em novembro do ano passado, conforme cronograma de ajustes e revisionais definido, o contrato de locação com o BB foi ajustado pelo IGP-M, refletindo em um incremento nos dividendos de R$ 0,78 para R$ 0,83. Já em maio de 2025, o fundo elevou seus dividendos para R$ 0,87/cota, patamar que deve permanecer até o próximo reajuste, previsto para novembro de 2025.
Apesar desse cenário positivo: a nova revisional pode ser discutida a qualquer momento a partir de nov/24, o que pode impactar o valor do aluguel. Esse ponto traz certa apreensão entre os investidores, considerando que o preço de quase R$ 170/m² é avaliado por alguns como acima do praticado na região.
Apesar disso, vale destacar que Brasília apresenta uma vacância média baixa e uma oferta bastante restrita de edifícios AAA, como é o caso do Green Towers, o que dificulta a busca por espaços similares para o locatário e descontos nas revisões.
Por fim, embora o fundo ofereça um nível de rendimento acima da média dos FIIs de escritórios, é importante considerar o risco de concentração, pois trata-se de um fundo monoativo (com apenas um edifício no portfólio) e monoinquilino (com o BB como único locatário).
Em nossa visão, essas características devem continuar pressionando as cotas do GTWR11 no curto prazo. No entanto, um eventual ciclo de cortes de juros pode aumentar a atratividade ao fundo.
Pontos fortes:
Pontos fracos:
Outras análises
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes, em princípio, fidedignas e de boa-fé. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não sejam incertas ou equivocadas, no momento de sua publicação, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio, em função de mudanças que possam afetar as projeções da empresa, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Quaisquer divergências de dados neste relatório podem ser resultado de diferentes formas de cálculo e/ou ajustes. O Disclaimer completo encontra-se no relatório.
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