No dia 21/07/2025, a gestora RBR Asset convocou os cotistas dos fundos RBRF11 e RBRX11 para deliberarem, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), sobre uma possível integralização entre os fundos, que consiste na transferência dos ativos do RBRF11 para o RBRX11.
O mercado de FIIs vem passando por um amadurecimento nos últimos anos, com o número de investidores crescendo exponencialmente, algumas gestoras se unificando e novos segmentos se popularizando, como é o caso do RBRX11, que conta com uma estratégia conhecida como Hedge Fund (híbrida e mais flexível em relação às demais estratégias).
O RBR Plus Multiestratégia (RBRX11) realizou seu IPO em setembro de 2022 e, atualmente, conta com cerca de 12 mil cotistas e um patrimônio líquido (PL) de R$ 300 milhões, com mandato flexível para investir em diversas classes de ativos. Já o RBR Alpha (RBRF11), lançado em 2017, possui aproximadamente 120 mil cotistas e um PL de R$ 1,2 bilhão, mas com um mandato mais restrito, limitado a investimentos em CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e cotas de FIIs.
A proposta da gestora é unificar a relevância do RBRF11 com a flexibilidade do RBRX11. Para viabilizar essa operação, o RBRX11 realizará uma Emissão no valor de R$ 1,3 bilhão, a Valor Patrimonial de ~R$ 9,7/cota, que será integralmente subscrita pelo RBRF11. Com isso, o RBRF11 receberá cotas do RBRX11 a Valor Patrimonial, enquanto o RBRX11 incorporará os ativos do RBRF11 também a Valor Patrimonial. Na sequência, o RBRF11 será amortizado, distribuindo as cotas do RBRX11 aos seus cotistas (conforme figura 1).
Caso a operação seja aprovada, o novo RBRX11 se tornará um dos maiores FIIs de Hedge Fund do mercado e, em razão disso, ficará em melhores condições de negociações de ativos que anteriormente, tanto na estruturação/aquisição de CRIs, quanto em novos projetos de desenvolvimento ou aquisição de ativos reais.
Segundo a gestora, há intenção de ampliar a exposição do fundo a CRIs e ativos reais ou em desenvolvimento, o que pode gerar eficiência de custos relevante, já que reduz o custo com taxas de terceiros (administração, gestão ou performance), que normalmente incidem quando os investimentos são realizados por meio de cotas de outros FIIs. Por outro lado, entendemos que essa mudança também eleva o risco global do portfólio.
Ainda em relação aos custos, em virtude do crescimento do fundo, a taxa de gestão diminui de 1,10% a.a. para 1,06% a.a., favorecendo imediatamente os cotistas do RBRX11. No entanto, a gestão propõe uma taxa de gestão de 0,8% a.a. pelos primeiros 6 meses, igualando a taxa praticada atualmente no RBRF11. O incremento a partir do 7° mês é justificado pela maior complexidade e sofisticação da estratégia, mas também pelo potencial de geração de valor. De acordo com a gestora, o dividendo esperado do portfólio alvo do RBRX11 é entre R$ 0,10 e R$ 0,11, o que retornaria um DY anual entre 16% e 18% com base no preço de mercado, patamar bastante atrativo, em nossa opinião.
Outro ponto positivo, em nossa visão, é a possibilidade de ocorrer uma reciclagem mais acelerada de ativos oriundos do RBRF11. Em linhas gerais, os ativos que estão dentro do RBRF11 possuem um preço médio de aquisição que limita as reciclagens com ganhos, mas, ao serem transferidos ao RBRX11, esses mesmos ativos integrarão o portfólio a Valor Patrimonial, ou seja, abre-se espaço para destravamento de valor no curto prazo.
Nesse contexto, em nossa opinião, existem mais pontos positivos que negativos para os cotistas de ambos os fundos, e vemos com bons olhos a aprovação da proposta nas respectivas AGEs.
Os investidores poderão votar até o dia 20/08/2025, por meio da plataforma da B3 ou via e-mail. Neste último caso, será enviada uma mensagem ao e-mail cadastrado na B3 com o título “Consulta Formal: (RBR ALPHA ou RBR PLUS)”, contendo as instruções para participação na votação. Mais informações na AGE do RBRF e do RBRX.
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