Tarifaço: como as empresas afetadas estão lidando com a sobretaxa dos EUA?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos

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Atualizado em
12/08/2025 às 11:28
Por Gustavo Boldrini e Gabriel Baldocchi, da Broadcast
São Paulo, 11/08/2025 - Uma semana após o início do tarifaço de 50% aplicado pelo governo dos Estados Unidos sobre parte dos produtos do Brasil, as empresas brasileiras afetadas pela medida e que possuem ações listadas na B3 têm mergulhado mais a fundo nas implicações da sobretaxa e mapeado respostas à nova política.
A percepção para a maioria das companhias é de que há espaço para redirecionar as exportações a outros mercados. Outras acreditam que haverá disposição dos clientes em absorver os produtos nos EUA a um preço maior, enquanto um grupo mais restrito se organiza para readequar as suas linhas de produção.
A seguir, veja como cada companhia ou setor está se adequando à nova realidade:
A fabricante de armas se tornou um caso emblemático do tarifaço. Na semana passada, a empresa confirmou a intenção de transferir uma linha de montagem do Brasil para os EUA, como forma de fazer frente às novas tarifas. Hoje, o mercado americano representa pouco mais de 80% de sua receita.
A Embraer foi uma das "vencedoras" no processo do tarifaço, uma vez que as aeronaves produzidas pela companhia foram excluídas da tarifa extra de 40%, restando apenas a cobrança adicional de 10% anunciada inicialmente pelo governo do presidente norte-americano, Donald Trump.
Ainda assim, a fabricante de aeronaves calcula um impacto de US$ 65 milhões pelo adicional em 2025 e também sinalizou novos investimentos na produção nos EUA.
A produtora de carnes está no grupo das companhias que avaliam um novo arranjo na produção. Em teleconferência com investidores na última semana, sua direção disse ver em países mais alinhados ao atual governo dos EUA, como a Argentina, uma alternativa de fornecimento ao mercado americano.
Segundo a Minerva, sua diversificação permite redirecionar os volumes antes enviados aos Estados Unidos para Europa, China, Chile e Oriente Médio, enquanto as plantas da Argentina e do Paraguai poderiam atender mais os EUA, devido à proximidade ideológica dos governos de ambos os países com a administração Trump.
Como precaução adicional, a companhia afirmou ainda ter reforçado os estoques nos EUA em R$ 900 milhões antes da entrada em vigor da tarifa, o que pode ajudá-la a atravessar os próximos meses.
A fabricante de material de construção, dona das marcas Deca e Duratex, pretende redirecionar as vendas do mercado americano para outros países. A empresa diz que cerca de 3% dos painéis de madeira MDP e MDF do grupo vão para os EUA, e que o país representa menos de 1% do total das receitas.
A petroquímica também enxerga espaço para mudar o destino das suas exportações. Calcula que o mercado americano representou 0,7% da receita no primeiro semestre e disse que os produtos mais relevantes exportados para lá ficaram de fora da tarifa de 50%. O restante, segundo a Braskem, será redirecionado a outros destinos.
As gigantes de celulose brasileira também sinalizaram intenção de buscar maior diversificação diante das tarifas americanas e já tomaram medidas para mitigar os impactos.
O CEO da Klabin, Cristiano Teixeira, afirmou em teleconferência com investidores na semana passada que a companhia privilegiava os EUA pelos preços, mas que o tarifaço levará a empresa a redirecionar as vendas. Pelos cálculos da companhia, as medidas anunciadas englobaram 2% de suas exportações totais.
Já a Suzano (SUZB3) adotou o mesmo caminho da Minerva: com estoques reforçados, espera atravessar o segundo semestre sem nenhuma nova surpresa. Aos investidores, o CEO da empresa, Beto Abreu, afirmou que a companhia não tem intenção de mudar sua política comercial de longo prazo por instabilidades políticas.
"Temos clientes como a Kimberly-Clark e a Procter & Gamble que compram com exclusividade da Suzano há anos", disse, reforçando que a empresa quer manter sua diversificação entre mercados como a China, Europa e EUA.
No setor de calçados, um dos principais itens afetados pelo tarifaço, as empresas com exposição aos EUA admitem que vão sofrer impactos, embora lembrem que o peso do país é menor no total dos negócios.
As fabricantes Grendene (GRND3) e Azzas (AZZA3) já se preparam para aumentar preços nos produtos direcionados ao mercado americano. Na Azzas, grupo que reúne Arezzo e marcas como Farm e Reserva, os reajustes já chegam a 30% nos preços.
(Com colaboração de Elisa Calmon, Leandro Silveira, Danielle Fonseca, Talita Nascimento, Circe Bonatelli e Vinicius Novaes)
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