

Os fatos que impactam o mercado financeiro atualizados em tempo real
Por Broadcast Notícias
Atualizado em
08/08/2025 às 09:58
Por Ana Paula Machado
São Paulo, 08/08/2025 - Sete anos depois de se tornar a "queridinha" da Bolsa brasileira, com alta de 180% em 2018, a Taurus volta a atrair as atenções do mercado. Agora, porém, o interesse decorre das apostas de que a ação deve cair, com o início da cobrança de tarifas de 50% pelos Estados Unidos. Prova disso é que o aluguel do papel, até 5 de agosto, já somava 3,056 milhões de posições. Essa virada de percepção aconteceu logo após o anúncio do presidente americano, Donald Trump, sobre as novas taxas a produtos brasileiros.
O mercado vê evidências de vendas a descoberto, ou seja, operações baseadas em apostas na queda do ativo. De 9 de julho, data do anúncio da sobretarifa de Trump, até esta terça-feira, 5 de agosto, a ação preferencial (PN) acumulou baixa de 20%. No ano, a queda supera os 30%.
"Possivelmente, são especuladores atuando, entrando no papel na expectativa vendedora e se hedgeando para uma possível queda do papel", argumenta o operador de renda variável da Manchester Investimentos, Victor Borges.
Segundo ele, a taxa de aluguel do papel está em cerca de 0,43% e, na ponta vendedora, estão os investidores estrangeiros. "Os gringos estão saindo da posição à vista e indo para a posição de derivativo, o volume vendedor no papel aumentou. E não é movimento de tesouraria, porque não tem programa de recompra de ações ativo. Talvez sejam os gringos apostando no pior com a cobrança das novas tarifas dos Estados Unidos."
O sócio da Levante Investimentos, Enrico Cozzolino, também ressalta o forte movimento de aluguel da ação, o que pode indicar venda a descoberto. "O investidor está se precavendo para uma queda considerável da ação com a tarifa. A Taurus pode se dar mal, por isso dobrou as posições shorts e vai recomprar o papel com o preço muito abaixo do que vendeu. Isso não é um movimento normal de tesouraria", afirma. "O risco para mim é a questão macroeconômica."
A Taurus é altamente dependente dos EUA, de onde vêm 90,3% de suas receitas. Atualmente, a companhia mantém uma unidade no país, mas a maior parte dos equipamentos é produzida na fábrica de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os EUA foram o destino de 61% das exportações brasileiras de armas e munições em 2024, com 53% das vendas partindo do Rio Grande do Sul e 47% de São Paulo.
Para tentar driblar as tarifas, o presidente-executivo da empresa, Salesio Nuhs, cogita transferir as operações brasileiras para os EUA. A mudança poderia causar a perda de até 15 mil empregos no Rio Grande do Sul, dos quais 3 mil diretos.
Para participantes do mercado, o tarifaço interrompe um momento bastante positivo das operações da Taurus.
No primeiro trimestre, a companhia registrou receita operacional líquida de R$ 349,1 milhões, dos quais R$ 283,1 milhões provenientes do mercado externo. O lucro bruto somou R$ 112,9 milhões, com margem bruta de 32,3% - superior à das concorrentes americanas Ruger (22,0%) e Smith & Wesson (24,1%). O balanço do segundo trimestre será divulgado na próxima terça-feira, 12 de agosto.
"O fundamento da empresa está sólido. A Taurus está bem posicionada em relação aos seus concorrentes no segmento em que atua", diz Borges, da Manchester. "A companhia gera caixa e seu endividamento é baixo. Além disso, há expectativa de alta nas vendas no segundo trimestre. No nível micro, ela está muito bem."
Cozzolino, da Levante, também acredita que a queda da ação está relacionada ao temor do tarifaço. "Quando se olha o fundamento, a empresa vem cumprindo e vem entregando como se estivesse na Dinamarca. É uma empresa sólida. É um ativo atrativo, mas com um cenário futuro ainda muito incerto."
Segundo Cozzolino, a ação ainda é negociada a múltiplos baixos, em torno de 0,53 vez. "Vejo a empresa barata, mas, na incerteza, o mercado desfaz posição e aloca em papéis mais defensivos."
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