Mercado futuro de juros bate recorde de negociações no primeiro semestre, com alta de 24% ante 1Sem23
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
16/08/2024 às 17:20
Por Eduardo Puccioni e Gustavo Boldrini, do Broadcast
São Paulo, 16/08/2024 - Os produtos ligados a juros no mercado de derivativos na B3 bateram um recorde nos primeiros seis meses do ano. Foram negociados, em média, 6,126 milhões de contratos por dia (ADV) nessa modalidade, 24% a mais do que no mesmo período do ano passado e montante jamais atingido nos demais semestres. Os dados foram obtidos com exclusividade pelo Broadcast Investimentos .
A movimentação dos títulos, que têm diferentes datas de vencimento, é também conhecida como curva de juros, ou curva DI - sigla para Depósito Interfinanceiro, que são as taxas com as quais os bancos negociam recursos entre si, nos chamados Certificados de Depósitos Interbancários (CDI). Essas taxas funcionam como uma "proxy" da taxa básica de juros, a Selic.
Os operadores desse mercado são investidores institucionais, como bancos e gestores de fundos de investimentos no Brasil e no exterior, que compram e vendem taxas de juros no mercado futuro para proteger suas dívidas. É a famosa operação de "hedge" (proteção, em inglês), para que o investidor consiga travar uma taxa no momento e assim evitar a oscilação futura.
O maior crescimento porcentual dentre os derivativos de juros na primeira metade deste ano foi do EDS (Exchange Defined Strategies, na sigla em inglês), que registrou um aumento de 183% no ADV, passando de 79 mil para mais de 225 mil contratos negociados diariamente.
O EDS foi lançado em maio de 2022 e combina dois vencimentos diferentes de um contrato para quem quer montar estratégias na curva de juros. Segundo a B3, o produto é mais eficiente em termos operacionais e também tarifários. A redução de custos pode chegar, de acordo com a Bolsa, a 90% em comparação à operação via contratos individuais.
"O EDS trouxe uma maneira mais eficiente de negociar estratégias conhecidas nos contratos futuros de DI, com melhorias tarifárias para os investidores", afirma Felipe Gonçalves, superintendente de produtos de juros e moedas da B3.
Algumas das estratégias que podem ser negociadas por meio do EDS são a inclinação da curva de juros, ou seja, o diferencial de preço entre contratos com dois vencimentos diferentes, e o FRA (Forward Rate Agreement), que é a taxa a termo entre dois vencimentos. Segundo Gonçalves, o crescimento do EDS foi alcançado sem reduzir a demanda pelos contratos Futuros de DI, que respondem pela maior quantidade de contratos negociados.
A negociação de futuro de DI cresceu 15% na média diária de contratos negociados, de 3,3 milhões de contratos no primeiro semestre de 2023 para 3,8 milhões neste ano.
Os contratos de DI futuro são a maneira mais usual de investir no mercado de juros. Por ser um título futuro, comprador e vendedor negociam no presente a expectativa de uma taxa em algum prazo adiante. O rendimento que o investidor ou fundo obtém com a negociação de títulos de juros é chamado de "yield" - daí o termo "yield curve".
Por sua vez, a média do número de contratos negociados por dia de Opção de Copom aumentou 66%, passando de 2,5 mil entre janeiro de junho de 2023 para 4,2 mil contratos no mesmo período de 2024. Esse título se baseia na variação da taxa Selic decidida em cada reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
O ADV de Opções de IDI chegou a 1,9 milhão de contratos ante 1,4 milhão no mesmo período de 2023. Esse produto permite que os clientes busquem proteção contra cenários de alta ou baixa das taxas de juros.
E, por fim, o DAP (Futuro de Cupom IPCA), ferramenta de proteção contra flutuações da taxa de juro real brasileira, chegou a um ADV de 68 mil no primeiro semestre, um crescimento de 27% em comparação aos 53 mil do mesmo período de 2023. O cupom do IPCA é a diferença entre a taxa média dos contratos de DI e a leitura do IPCA.
Saiba mais sobre curva de juros: Como operar no mercado futuro de juros e contratos de DI

