Lucro dos bancões supera projeções no 4º tri/2025: veja possíveis impactos nas ações
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
12/02/2026 às 11:24
Por André Marinho e Gustavo Boldrini, da Broadcast
O lucro acumulado dos quatro maiores bancos do Brasil - Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander - atingiu R$ 28,7 bilhões no quarto trimestre de 2025. A cifra representa uma baixa de 3,6% na base anual, mas veio 6,7% acima da estimativa de analistas consultados pelo Prévias Broadcast , de R$ 26,9 bilhões.
No geral, os resultados dos bancões brasileiros no quarto trimestre foram bem recebidos pelo mercado, e as ações do setor foram as que mais se favoreceram do rali vivido pela Bolsa neste início de ano. O Índice Financeiro (IFNC) acumula ganho de mais de 19% desde janeiro.
Como foram os balanços dos bancões no 4º tri?
Itaú (ITUB4)
O maior banco privado do País foi, mais uma vez, considerado o destaque positivo da temporada de balanços do quarto trimestre. No acumulado do ano, o Itaú teve lucro recorde de R$ 46,8 bilhões, alta de 13,1% na base anual, enquanto a inadimplência acima de 90 dias seguiu estabilizada abaixo de 2%.
No guidance para este ano, o banco sinalizou apetite mais comedido para a concessão de crédito, diante da volatilidade das eleições e da taxa Selic ainda acima de dois dígitos. O banco prevê elevar a carteira de crédito no Brasil entre 6,5% e 10,5%.
O BB Investimentos apontou, em relatório, que o ano de 2025 do Itaú foi de "crescimento saudável, rentabilidade crescente e ausência de ruídos relevantes", segundo o analista Rafael Reis, e que a consistência será o desafio para o banco neste ano.
- O BB-BI tem recomendação de compra para a ação preferencial do Itaú (ITUB4), com preço-alvo de R$ 48,50.
Bradesco (BBDC4)
O Bradesco, que passa por um plano de transformação, lucrou R$ 6,516 bilhões no quarto trimestre, subindo 21% no ano. A inadimplência acima de 90 dias ficou estabilizada em 4,1%, e o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 15,2% - ainda com um caminho a percorrer em busca do almejado nível de 20%.
Analistas avaliaram o resultado do Bradesco como uma validação do processo de recuperação gradual da rentabilidade, mas houve decepção em relação ao guidance. Para a carteira de crédito, por exemplo, a expectativa é de uma alta entre 8,5% e 10,5%, uma desaceleração após o avanço de 10,5% em 2025.
O BB Investimentos destacou que o Bradesco demonstrou solidez no último resultado de 2025, com "avanços graduais" na recuperação do banco. "O Bradesco entra em 2026 com viés construtivo e fundamentos que reforçam a expectativa de continuidade da melhoria de rentabilidade", afirmou o analista Rafael Reis.
- O BB-BI recomenda compra para a ação do Bradesco, com preço-alvo de R$ 22,00 para o final deste ano.
Santander (SANB11)
O Santander reportou lucro líquido de R$ 4,086 bilhões no quarto trimestre, alta de 6% na base anual e em linha com o Prévias Broadcast . A subsidiária brasileira do grupo espanhol registrou um aumento na inadimplência de meio ponto porcentual em 12 meses, para 3,7% em dezembro.
O Santander é o único dos grandes bancos que não divulga guidance, mas indicou estar atento aos efeitos da taxa Selic a 15% sobre o bolso das famílias e as finanças das empresas.
Após o resultado, o BB-BI rebaixou a recomendação para as units do Santander (SANB11) de compra para neutra, considerando a estagnação da rentabilidade do banco no curto prazo, a pressão contínua na margem com mercado, a normalização lenta da inadimplência e uma precificação atual que já indica boa parte da recuperação esperada. O preço-alvo para o ativo é de R$ 34,50.
Banco do Brasil (BBAS3)
O BB, que reportou seu resultado ontem, encerrou o quarto trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 5,742 bilhões, alta de 51% ante o terceiro trimestre e 36% acima da previsão dos analistas consultados pelo Prévias Broadcast . Em relação ao quarto trimestre de 2024, houve baixa de 40%, diante da pressão da inadimplência do agronegócio - questão que tem sido enfrentado pela instituição de acordo com a CEO, Tarciana Medeiros.
O banco também divulgou suas projeções (guidance) para este ano, estimando lucro líquido ajustado de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões, acima dos R$ 20,6 bilhões reportados em 2025. Já a carteira de crédito deve crescer entre 0,5% e 4,5%.
Em relatório, a XP avaliou que o resultado do BB no quarto trimestre, "sugere uma recuperação gradual sustentada por melhores spreads e provisões ligeiramente menores". No entanto, o ritmo de melhora na qualidade de crédito continua sendo "uma variável chave" para o banco, e ainda pode ser visto com "alguma cautela" pelos investidores.
A XP tem recomendação neutra para os papéis do BB (BBAS3), com preço-alvo de R$ 25,00 - praticamente estável em relação ao fechamento de ontem, a R$ 24,91.

