Gringos querem Brasil: fluxo estrangeiro na B3 é maior em cinco anos e deve continuar crescendo
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
12/06/2025 às 13:39
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
São Paulo, 11/06/2025 - A Bolsa brasileira registrou a entrada de mais de R$ 10,5 bilhões em recursos de investidores estrangeiros apenas no mês de maio, o maior valor registrado para um mês desde dezembro de 2019. No acumulado do ano (até 09 de junho), esse fluxo já soma R$ 22,777 bilhões.
"A alta do Ibovespa em maio (que foi de 1,45%) ocorreu pelo fluxo de capitais estrangeiros, mesmo com vários acontecimentos relevantes, como o acordo comercial entre EUA e China, o rebaixamento do rating soberano dos EUA pela Moody's e a elevação dos yields (juros pagos pelos Treasuries americanos) de 30 anos", apontam os analistas Victor Penna e Wesley Bernabé, do BB Investimentos.
Mas, afinal, o que explica essa sede do investidor gringo pelas ações brasileiras e quais são as perspectivas para o resto do ano? Entenda a seguir:
Trégua comercial não abala Ibovespa
Analistas apontavam como uma das principais causas desse movimento estrangeiro o acirramento das tensões comerciais entre Estados Unidos e o restante do mundo, com o tarifaço do governo Donald Trump trazendo incertezas para os mercados desenvolvidos, em especial o americano, e levando investidores a buscarem países emergentes, como o Brasil.
Em maio, com a trégua de 90 dias na guerra de tarifas entre EUA e China, a tendência esperada era de que os mercados de Nova York voltassem a atrair mais recursos, e os emergentes fossem deixados um pouco de lado. Mas não foi o que aconteceu.
Segundo especialistas consultados pelo Broadcast , a diversificação no portfólio de gestores globais que buscam reduzir a exposição aos EUA deve continuar, o que é positivo para mercados como o brasileiro.
"O fluxo estrangeiro continuará vindo para o Brasil. Não seria loucura sonhar com uma entrada na faixa entre R$ 40 bilhões a R$ 50 bilhões em 2025, pois já vimos uma entrada de até R$ 100 bilhões em 2022 e nos últimos três anos tivemos fluxo baixo", afirmou Jerson Zanlorenzi, o responsável pela mesa de ações do BTG Pactual.
Cautela em Wall Street
A redução da exposição de investidores globais ao mercado americano não tem só a guerra tarifária e as tensões comerciais com a China como motivos, conforme explicam Victor Penna e Wesley Bernabé, do BB Investimentos.
"A situação fiscal dos EUA e as disputas judiciais internas sobre tarifas comerciais são pontos de atenção", dizem os analistas, citando também o recente rebaixamento da nota de crédito (rating) dos EUA pela agência Moody's.
O fluxo gringo deve continuar?
Por aqui, o fluxo estrangeiro pode ser impactado pelas incertezas em torno da busca pela meta fiscal de déficit zero, segundo especialistas. No momento, o mercado espera o desdobramento das discussões sobre as alternativas ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que incluem o fim da isenção de Imposto de Renda (IR) para títulos como Letras de Crédito Agrícola (LCAs) e Imobiliário (LCIs).
A perda de fluxo de investimento estrangeiro, porém, pode ser limitada pelo contexto macroeconômico global, que ainda favorece o Brasil na visão dos analistas.
"Estamos inclinados em assumir que o fluxo de capitais, que tem sido preponderante para a precificação das ações nos últimos meses, deva continuar beneficiando o Ibovespa, o que nos mantém com um viés entre neutro e positivo para a Bolsa", afirmam Penna e Bernabé, do BB Investimentos.
Brasil está barato
O estrategista-chefe do Itaú BBA, Daniel Gewher, avalia que ações do Brasil e da América Latina estão negociando com "desconto relevante" nos múltiplos em relação às médias históricas, enquanto os mercados acionários do S&P 500 e do resto do mundo negociam com prêmio - ou seja, acima dos múltiplos - de cerca de 10%.
Esse valuation "barato" das empresas brasileiras deve estimular novas altas do Ibovespa, segundo o sócio da One Investimentos, Pedro Moreira.
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E os juros?
Além disso, mais um fator entra para o caldo positivo de expectativas para a Bolsa: a possibilidade de que o Banco Central terá espaço para reduzir a taxa básica de juros (Selic) ainda neste ano, em meio a sinais de arrefecimento da inflação e da atividade econômica. Isso deve trazer ainda mais investimentos externos ao mercado brasileiro.
"O fluxo mais positivo deve ser engatilhado com a maior clareza de corte de juros. Acho que há consenso de que deve ser em um momento próximo do fim deste ano. Quando o mercado tiver mais clareza sobre isso, o investidor deve olhar ainda mais para a Bolsa", afirma Zanlorenzi, do BTG.
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