Exclusivo: Tesouro Reserva não terá marcação a mercado e será negociado 24 h/dia
Em entrevista ao Broadcast/InvesTalk, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, detalhou o lançamento do TD Reserva, título público voltado para reserva de emergência
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
30/01/2026 às 09:15
Por Gustavo Boldrini e Patrícia Queiroz, da Broadcast
O Tesouro Nacional anuncia hoje o lançamento do Tesouro Reserva, novo título público que será o primeiro a ser negociado de forma ininterrupta, 24 horas por dia e 7 dias por semana, em uma nova plataforma.
Em entrevista exclusiva ao Broadcast/InvesTalk, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que a nova modalidade tem como objetivo facilitar a construção de reserva de emergência para investidores iniciantes. Para isso, ele não terá marcação a mercado e terá um valor nominal de R$ 10.
"Esse título não vai ter marcação a mercado, vai ser ao par, o que significa que ele não vai oscilar. Isso é muito importante, justamente pensando que é um título para reserva de emergência", explicou Ceron.
O TD Reserva será o nome fantasia da Letra Financeira do Tesouro série TD1, ou LFT-TD1. A criação do título foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) do último dia 12.
Democratizar o mercado
A ideia, segundo o secretário, é popularizar o Tesouro Direto para investidores que não têm familiaridade com os títulos públicos e preocupação com riscos. Na prática, os milhões de brasileiros que mantêm seu dinheiro na caderneta de poupança ou em títulos de capitalização.
"A nossa grande aspiração com o 24x7 e o TD Reserva é chegar na camada mais popular. A gente tem mais de 3 milhões de investidores no TD, mas se comparar com a poupança, tem um espaço enorme. Daria para [o TD] ter 10, 20 milhões de investidores", avaliou Ceron.
O TD Reserva será o primeiro título a ser lançado na ferramenta 24x7 do Tesouro Direto. De acordo com Ceron, o Tesouro trabalha para incluir, futuramente, todos os títulos públicos nessa nova funcionalidade ininterrupta. E isso deve "provocar" os demais agentes de mercado a também começarem a oferecer essa opção.
"Todo mundo tem clareza de que isso é uma tendência. Isso deve, inclusive, provocar que outros agentes de mercado comecem a buscar soluções para também oferecer produtos 24x7, porque senão vão ficar com uma defasagem", apontou o secretário do Tesouro.
O TD Reserva será disponibilizado a partir desta sexta-feira em parceria com o Banco do Brasil para um grupo de 200 pessoas. O lançamento para o público em geral deve ocorrer na primeira semana de março, projetou Ceron.
Veja, a seguir, a entrevista completa do secretário do Tesouro ao Broadcast/InvesTalk:
- Broadcast/InvesTalk: Na prática, como vai funcionar o TD 24 horas?
Ceron: A ideia do 24x7 é de fato dar acesso, principalmente para aquelas pessoas que não têm, durante o horário comercial, tempo para fazer isso, seja pelo computador ou celular com internet para pensar sobre investimento, sobre onde alocar a sua poupança e o dinheiro que foi guardado.
Acho que essa é uma tendência mundial e sobre a qual o Brasil ainda está dando pequenos passos. E eu acho que isso vale para tudo. Hoje em dia, as pessoas querem resolver as coisas naquele momento, não querem esperar para depois. Então isso é uma tendência que serve para tudo. E aqui a gente está tentando ir para essa linha, provocar e dar esse tipo de acesso.
- Broadcast/InvesTalk: Do ponto de vista tecnológico, como é que o Tesouro se preparou para isso?
Ceron: A ideia é que ele funcione 24x7 mesmo, para as pessoas poderem de qualquer lugar ter acesso e fazer o seu investimento. Vai ser pelo aplicativo que a gente vai lançar, em uma nova plataforma.
Então, num primeiro momento, nessa plataforma, o investidor terá esse novo título, voltado para fazer uma reserva de emergência. E aí, com o tempo, a gente vai inserindo os demais para que todos os títulos estejam disponíveis 24x7.
- Broadcast/InvesTalk: Como será a contingência para eventuais falhas no sistema?
Ceron: Eu gostaria de ter lançado o TD Reserva em 2025, mas desafios tecnológicos, operacionais e plano de contingência exigiram um trabalho do Banco do Brasil, do Tesouro e da B3 relevantes ao longo do ano. Até coisas como disponibilidade de equipe para poder acompanhar a plataforma funcionando.
Tem esse desafio inicial para garantir o resgate e pagamento fora do horário comercial bancário. Como você faz liquidação no final de semana? Tem toda uma rotina de disponibilidade de recurso, de caixa que tem que ficar provisionado no Banco do Brasil e B3 para poder fazer esse processo funcionar. Então, trouxe dificuldades e desafios, e levou mais tempo.
E esse cuidado é justamente para garantir isso: segurança e simplicidade. Não é só um produto novo, é uma rotina muito diferente, de madrugada. A gente vai ter que ficar fazendo testes. Sábado e domingo é mais fácil, mas de madrugada é um desafio maior.
- Broadcast/InvesTalk: Como vai ser esse título de emergência? Poderia dar mais detalhes?
Ceron: Será o Tesouro Reserva. Um título voltado para a reserva de emergência, para aquele recurso que você pode ter que resgatar num período curto, quando você tem menos segurança de quanto tempo pode deixar investido.
Então, esse título não vai ter marcação a mercado, vai ser ao par. Significa que ele não vai oscilar. Isso é muito importante, justamente pensando que é um título para reserva de emergência. A gente está buscando popularizar para aquelas pessoas que ficariam preocupadas com riscos, está procurando segurança e rentabilidade, mas não quer tomar risco. E esse é o título ideal.
Ele vai ser popular. O valor nominal dele é de R$ 10, podendo fazer investimento de R$ 1 também, para permitir que seja pequena alocação sem problema nenhum. E a gente também está limitando, nesse primeiro momento, a R$ 500 mil no máximo por mês de investimento. Isso porque é um título específico com algumas características e cujo intuito é ser de fato uma reserva de emergência e não uma alocação de longo prazo.
- Broadcast/InvesTalk: Qual é a diferença deste título para o Tesouro Selic?
Ceron: Ele não é marcado a mercado e não tem ágio sobre o valor nominal. Então, ele diminui a volatilidade. Se fosse uma LFT tradicional, poderia dificultar a compreensão para o investidor menos versado. A gente tentou fazer o mais seguro e simples de verdade. Se você pôs R$ 10, é R$ 10. Não tem nenhum tipo de risco de você perder esse dinheiro ou ter uma variação negativa no preço desse investimento.
É justamente para tentar aplicar a lógica de quem põe lá seus R$ 50, R$ 100, R$ 500, R$ 1.000 numa poupança tradicional: que ele possa investir em algo que seja um pouco mais rentável, mas que tenha o mesmo dinamismo e a mesma ausência de complexidade.
- Broadcast/InvesTalk: Que tipo de impacto é esperado com esse lançamento?
Ceron: Eu estou muito animado com isso, por ser uma inovação bacana e porque vai dar uma sacudida no mercado. O papel do Tesouro Direto não é ganhar espaço de outros produtos, mas sim o da educação financeira e de provocação.
Então, o mercado vai ter que fazer a mesma coisa. No final do dia, você faz o que aconteceu no e-commerce para o investimento pessoa física. 'Eu quero comprar agora e quero receber agora'. Ninguém aceita mais esperar 15 dias úteis. A pessoa física vai movimentar o mercado. Tenho certeza que em 2027 vai ter muitas outras plataformas e produtos rodando 24x7.
Lançando essa novidade e ela funcionando bem, minha expectativa é que num horizonte de 12 meses a gente consiga já sentir uma mudança no mercado, com alguns agentes se movimentando mais rápido. A inspiração é uma tendência mundial e inequívoca em todos os setores. A sociedade não conta mais em dias, nem em horas, são segundos.
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