É hora de comprar dólar? Entenda por que a moeda se aproxima dos R$ 5,00
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
10/04/2026 às 14:34
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
Se você vai viajar para o exterior ou gosta de investir em dólares, nos últimos dias pode estar se perguntando se vale a pena comprar a moeda. Afinal, o dólar à vista tem acumulado perdas nas últimas semanas e se aproxima do nível 'psicológico' de R$ 5,00 - que não é visto há ao menos dois anos.
Nesta sexta-feira, perto das 14h10 (em Brasília), a moeda americana marcava R$ 5,0260, em queda de 0,74%. Na semana, a baixa acumulada é de 2,60%. No mês, de 2,95%.
O movimento vai em linha com o visto pelo índice DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de moedas de países desenvolvidos - euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço. Na semana, o DXY acumula queda de 1,45%, enquanto a perda em abril é de 1,13%.
O sentido negativo do dólar ocorre em meio à crescente incerteza sobre a situação da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã no Oriente Médio e à volatilidade nos preços do petróleo, diante do noticiário difuso.
Entenda, a seguir, o que tem feito o dólar perder valor nos últimos dias e quais são as perspectivas para a moeda americana:
Por que o dólar está caindo?
A eclosão da guerra no Oriente Médio, com ataques de Israel e EUA contra o Irã, em 28 de fevereiro, trouxe efeitos imediatos sobre o mercado global. Além da disparada do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, o dólar também acelerou ganhos - refletindo o clima de aversão a risco e à busca dos investidores por proteção.
Nas últimas semanas, porém, o movimento se reverteu, especialmente depois que notícias sobre possíveis negociações entre EUA e Irã pelo fim da guerra e pela reabertura do Estreito de Ormuz passaram a tomar as primeiras páginas dos jornais.
Em entrevista à Broadcast , o operador sênior da corretora AGK, Fernando Cesar, afirmou que, agora, a perspectiva de negociações entre EUA e Irã no Paquistão e uma possível paralisação dos ataques de Israel contra o Líbano têm ajudado a manter o petróleo "relativamente estabilizado", o que favorece um enxugamento do prêmio da moeda americana.
A relação petróleo-dólar-Treasuries
O petróleo Brent chegou a tocar US$ 118 no fim de março, e hoje está negociando na casa dos US$ 96. A esperança de que o imbróglio envolvendo o bloqueio do Estreito de Ormuz seja resolvido ajudou a reduzir, ainda que não de forma definitiva, os temores de desabastecimento do mercado global.
E a queda da commodity, por sua vez, diminuiu temores de descontrole inflacionário pelo mundo, o que levou a uma redução dos rendimentos dos Treasuries nos EUA. Ou seja, a dívida do governo americana ficou "menos cara", o que tende a desvalorizar a moeda do país.
Desdolarização?
Outro fator que tem dominado algumas discussões entre agentes de mercado é a chamada desdolarização. Isso vem ocorrendo especialmente após relatos de que Teerã estaria cobrando uma espécie de pedágio para navios que querem passar por Ormuz com pagamento em Bitcoin ou yuan chinês - ou seja, sem dólares.
Alguns especialistas também têm citado o caos geopolítico e a falta de previsibilidade das decisões do governo de Donald Trump nos EUA como um fator que tende a levar os países a reduzir sua dependência do dólar.
No fim de março, em entrevista à Reuters , o executivo do Conselho Mundial do Ouro (WGC), Shaokai Fan, destacou que o ouro tem servido como proteção contra a desdolarização, e que diversos bancos centrais têm buscado o metal precioso para diversificar suas reservas.
"Um fenômeno que temos observado nos últimos meses é a entrada de novos bancos centrais, ou bancos centrais que estiveram inativos ou ausentes do mercado de ouro por um longo período", afirmou.
(Colaborou Silvana Rocha)

