TACO? Entenda novo recuo de Trump no Irã e possíveis impactos no mercado
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos
Atualizado em
08/04/2026 às 11:21
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
A sigla TACO, de "Trump always chickens out" (que pode ser traduzido para "Trump sempre arrega") voltou a dominar as discussões sobre geopolítica nas redes sociais e na imprensa nesta quarta-feira. De uma forma mais polida, trata-se da tendência que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem de recuar após proferir algum tipo de ameaça.
Isso aconteceu em algumas ocasiões no ano passado, especialmente quando o republicano anunciava tarifas sobre alguns países com porcentuais elevados e ia estendendo prazos até que desistia da medida ou tomava algum tipo de ação bem menos enérgica. Foi exatamente o que ocorreu entre ontem e hoje na guerra contra o Irã.
Após quase três semanas ameaçando atacar a infraestrutura básica do país persa, chegando até mesmo a ameaçar a morte de "toda uma civilização", Trump decidiu suspender por mais duas semanas os planos de destruição de Teerã, que aceitou reabrir o Estreito de Ormuz com a cobrança de uma espécie de pedágio cobrado em parceria com Omã, país que está na outra margem da passagem marítima.
Os mercados reagiram com euforia à notícia de trégua no conflito do Oriente Médio, com as bolsas da Ásia e da Europa disparando, os índices futuros de Nova York avançando e o petróleo Brent, referência global, despencando para a casa dos US$ 91 - após ter atingido US$ 118 nos primeiros dias de conflito.
Mas, afinal, o cessar-fogo fechado ontem, sob mediação do Paquistão, foi mesmo um TACO? A guerra no Irã acabou, ou só deu uma pausa? E como ficam os mercados diante desse novo cenário? Entenda a seguir:
A guerra no Irã acabou?
Apesar da euforia inicial, falas de autoridades americanas ainda inspiram cautela e mostram que o conflito pode prosseguir por mais tempo. Mais cedo, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse que o cessar-fogo é "frágil". Já o secretário de Defesa, Pete Hegseth, destacou que os americanos concluíram sua tarefa "por enquanto" e orientou as tropas a "permanecerem prontas", em linha com a avaliação de que o cessar-fogo não encerra a guerra de forma definitiva.
Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que as Forças Armadas do país "cessarão suas operações defensivas se os ataques contra o Irã forem interrompidos".
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do país, por sua vez, afirmou que, diante da "vantagem do Irã no campo de batalha" e da "incapacidade do inimigo de cumprir suas ameaças", que as negociações com os EUA para o fim da guerra serão realizadas em Islamabad, capital do Paquistão.
Ainda há divergências nos discursos dos dois países. Enquanto autoridades dos EUA insistem em afirmar que o Irã ficará proibido de manter suas operações de enriquecimento de urânio, um plano de dez pontos proposto pela liderança iraniana para encerrar a guerra exige a aceitação de seu programa nuclear.
Como ficam os mercados após o cessar-fogo?
Embora o fim da guerra ainda não possa ser dado como certo, a reabertura da navegação pelo Estreito de Ormuz por duas semanas ajuda a aliviar a pressão sobre os preços do petróleo, que tem causado uma onda de aversão a risco pelos investidores ao redor do mundo diante do aumento da inflação e impactos sobre a atividade.
Em nota obtida pela Dow Jones Newswires, o analista Eli Rubin, da EBW Analytics, afirmou que "o cessar-fogo remove o risco macroeconômico que pairava", mas pontuou que "pode levar meses para que o transporte de petróleo e gás natural retorne totalmente a um novo normal", e que os danos à infraestrutura de combustíveis no Oriente Médio perdurarão por mais tempo.
Em entrevista à Broadcast , o gestor de portfólio Hugo Queiroz, da Soho Capital, apontou que os preços do petróleo devem permanecer elevados, uma vez que o mercado também passa a considerar os impactos já causados pela guerra, como os danos à infraestrutura energética.
O analista Neil Shearing, da Capital Economics, avalia que o Brent deve negociar na média de US$ 95 ao longo do segundo trimestre, o que ainda representaria um prêmio considerável em relação ao preço da commodity antes do início do conflito.
(Colaboração de Amélia Alves)

