BB-BI analisa a Vibra sob a ótica do crédito privado
Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
30/05/2025 às 10:36
A Vibra é uma companhia com mais de 50 anos atuando no setor de distribuição de combustíveis. Antes sob o nome de BR Distribuidora, após a abertura de capital e subsequente oferta que a tornou uma corporation, a companhia passou por uma transformação organizacional e se reposicionou como uma companhia de energia, voltada para a transição energética e uma atuação mais diversificada. Apesar da mudança de nome, a Vibra mantém a bandeira Petrobras em sua ampla rede de postos, além das lojas BR Mania, centros automotivos e a linha de lubrificantes Lubrax. No mercado corporativo, atende cerca de 18 mil clientes em setores estratégicos, como aviação, indústria e agricultura, com destaque para a marca BR Aviation.
A Vibra possui uma estrutura logística com presença em todo o território nacional, operando 92 unidades e atuando em 88 aeroportos, o que garante eficiência no atendimento a clientes em qualquer município do país. Líder em volume de vendas no setor de combustíveis e lubrificantes, a Vibra atua no setor de energia por meio da Comerc, oferecendo soluções no mercado livre de energia e geração distribuída para consumidores de baixa tensão, reforçando seu papel na transição energética brasileira.
A companhia opera dentro dos segmentos: Rede de Postos, com comercialização de combustíveis derivados de petróleo, lubrificantes, gás natural veicular, biocombustível e conveniência; B2B: Comercialização de combustíveis líquidos, óleos lubrificantes, Arla 32, prestação de serviços, produtos químicos, além de comercialização de energia (coque verde de petróleo) e projetos para comercialização e distribuição de energia elétrica; Aviação: comercialização de produtos e serviços de aviação em aeroportos do país para as companhias aéreas nacionais e estrangeiras; Lubrificantes: Comercialização de produtos e serviços no mercado brasileiro, dentre eles postos de bandeira Petrobras e a rede Lubrax +, maior franquia de serviços automotivos do segmento no Brasil. Renováveis: plataforma multienergia que objetiva suprir os clientes com soluções energéticas para seus negócios.

Contexto operacional recente e análise financeira
A estratégia de comercialização da companhia tem resultado em melhoria nas margens, assim como ganho de relevância em segmentos como lubrificantes (+13% a/a em volumes) e renováveis (+15,1% a/a no EBITDA) no último resultado. Ainda assim, vemos volumes e market share em declínio, como consequência de um cenário que envolve aumento das fraudes em combustíveis, notadamente na não adição de biodiesel por alguns competidores de menor porte (geralmente não vinculados às grandes companhias), o que vem resultando em ganho de market share pelos postos da categoria outros (ou "bandeira branca"). A companhia também vem apresentando maior consumo de caixa para capital de giro, principal motivo para a redução de 31% t/t no fluxo de caixa operacional no 1T25. A dívida líquida ficou em R$ 20,5 bilhões, afetada pela aquisição da Comerc, o que representa uma alavancagem de 1,8x/EBITDA últimos 12 meses (+0,9x t/t). Esse avanço deve gerar maior pressão com despesas financeiras no curto prazo, mas a aquisição da Comerc foi feita em condições vantajosas e já está trazendo forte contribuição no resultado da Vibra, enquanto o efeito da alavancagem é temporário, já que a própria geração de caixa da companhia deve trazer a alavancagem para níveis mais adequados para sua estrutura de capital.
O contexto de perdas de market share ocorre com as três companhias listadas do setor (Vibra, Ipiranga e Raízen), com impacto nos volumes e rentabilidade, com expectativa de melhorias regulatórias/tributárias e de fiscalização pela ANP para atenuar o quadro. De modo geral, a Vibra demonstra resiliência em um setor desafiado por altas taxas de juros e perda de competitividade devido a fraudes por competidores de menor porte, e tem conseguido entregar bons retornos e um caminho de mitigação de riscos com diversificação do portfólio. A captura de sinergias pós-Comerc deve trazer bons frutos, especialmente a partir de 2026, quando esperamos que os impactos negativos da maior alavancagem tenham sido absorvidos pela geração operacional de caixa, e os benefícios como redução no custo do endividamento (maior na Comerc e menor na Vibra) e sinergias com portfólio B2B deverão se materializar de modo mais consistente.
A Vibra apresentou uma piora recente em sua alavancagem e capacidade de cobertura de despesas financeiras, mas mantém valores de dívida líquida/EBITDA abaixo de 3x e EBITDA/despesas financeiras em 1,5x, indicando que a empresa gerou EBITDA suficiente para cobrir suas dívidas e despesas financeiras (a companhia não possui covenants financeiros atrelados à sua dívida). O aumento da dívida, tanto longa como de curto prazo, está associado à aquisição integral da Comerc, empresa que já tem gerado contribuições significativas para o EBITDA do grupo. Assim, apesar de uma dívida momentaneamente mais alta devido à aquisição estratégica, vemos a atual capacidade de geração de caixa como robusta, com boas perspectivas em termos de risco de crédito, dada a elevada capacidade de honrar com seus compromissos no atual modelo de negócios. Para saber mais sobre a Vibra, seu setor de atuação e resultados recentes, consulte o relatório setorial e o relatório do resultado do 1T25.
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