Análise Setorial | Petróleo e Distribuição de combustíveis | Março 2025
BB apresenta dados setoriais de petróleo e distribuição de combustíveis.
Publicado por: Análise BB

BB apresenta dados setoriais de petróleo e distribuição de combustíveis.
Publicado por: Análise BB
Publicado em
31/03/2025 às 14:59
Atualizado em
31/03/2025 às 14:59
Você irá ler ao longo deste relatório sobre o recorde atingido pela Petrobras na reinjeção de CO2, além do anúncio de descobertas de hidrocarbonetos nos blocos Norte de Brava e Aram, na Bacia de Campos e na Bacia de Santos, respectivamente, sinalizando um aumento nas atividades exploratórias. Neste mês, também falamos do anúncio da PetroRio, que iniciou a perfuração de dois dos quatro poços produtores no campo de Wahoo, na Bacia de Campos, com investimentos previstos em US$ 850 milhões e diversos ganhos de sinergias. Já em relação ao mercado de gás natural, comentamos da metodologia criada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) que pode reduzir em até 80% os custos de acesso às infraestruturas de gás natural. Em distribuição de combustíveis, destacamos a primeira comercialização de Combustível de Aviação Sustentável (SAF) no Brasil, feita pela Vibra, com o biocombustível disponível no aeroporto Tom Jobim (GIG), no Rio de Janeiro. Por fim, discutimos dados mais recentes do mercado de distribuição de combustíveis. Boa leitura!
A Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da ONU aprovou a ampliação do território marítimo brasileiro em 360 mil km² na Margem Equatorial, permitindo ao Brasil explorar recursos minerais e petrolíferos no solo e subsolo marinho dessa área, que equivale ao tamanho da Alemanha. Esta nova área, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, excede as 200 milhas náuticas da Zona Econômica Exclusiva (faixa de mar sobre a qual o país já possui direitos reconhecidos internacionalmente). O reconhecimento permite ao Brasil explorar recursos naturais do leito marinho e do subsolo, ou seja, trata-se uma importante conquista geopolítica e estratégica. A nova área não é a mesma que a Petrobras tenta obter licença para perfuração de petróleo, mas também faz parte da Margem Equatorial e é apontada como potencialmente promissora pelas características geológicas. A proposta foi resultado de sete anos de diálogo entre especialistas brasileiros e peritos da CLPC, e contou com apoio da Petrobras.
Nas últimas semanas, produtores de biodiesel e distribuidoras de combustíveis uniram forças para reforçar a fiscalização contra empresas que não cumprem a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, uma prática que prejudica as empresas que seguem as regras. Representantes do agronegócio e entidades empresariais planejam ações conjuntas, incluindo a doação de equipamentos para medir a mistura em tempo real, além de apoio a projetos de lei que aumentam as penalidades para infratores. As ações são necessárias dado o diagnóstico de que a ANP possui orçamento limitado e dispõe de apenas um equipamento para identificar, já durante a fiscalização em campo, se a mistura obrigatória de biodiesel está sendo cumprida. Apesar do aumento das fraudes devido ao preço do biodiesel, a ANP negou na semana passada o pedido do Sindicom para suspender a mistura por 90 dias, citando problemas de abastecimento e impacto na balança comercial. As vantagens obtidas pelas práticas ilícitas vêm resultando em ganho de participação de mercado pela categoria outros (bandeira branca).

A Petrobras anunciou um novo recorde de reinjeção de CO2 em suas operações, com 14,2 milhões de toneladas reinjetadas nos reservatórios do pré-sal da Bacia de Santos. Este volume representa mais de um quarto da capacidade de injeção anual dos projetos de CCUS em operação no mundo, que totalizaram 51 milhões de toneladas de CO2 em 2024. O programa de reinjeção de CO2 da Petrobras é pioneiro em águas ultraprofundas e o maior em operação globalmente, contribuindo para a produção de petróleo com menor emissão por barril. A expectativa da companhia é de atingir um volume acumulado de 80 milhões de toneladas de CO2 reinjetadas até o final de 2025. Em nosso entendimento, esse rumo colabora não apenas para que a companhia mantenha a competitividade de sua área de E&P, como pode futuramente se transformar em uma linha de negócios que traga soluções para que outras companhias e outros setores descarbonizem suas operações.
A Petrobras anunciou duas descobertas ao longo deste mês de março, sinalizando uma recente maior dedicação às atividades exploratórias. A companhia identificou hidrocarbonetos no poço exploratório no bloco Norte de Brava, no pré-sal da Bacia de Campos, e também em poço localizado na Bacia de Santos, no bloco Aram. Em ambos casos ainda será necessário caracterizar as condições dos reservatórios e dos fluidos encontrados.
Já a PetroRio iniciou a perfuração de dois dos quatro poços produtores previstos para o campo de Wahoo, na Bacia de Campos. A campanha começou 12 dias após a obtenção da licença de operação do Ibama e deve durar de 75 a 90 dias por poço. A companhia planeja conectar os poços ao FPSO Valente, localizado a 32 km de distância, para viabilizar economicamente o projeto, cujos investimentos deve girar ao redor de US$ 850 milhões. A licença permite a perfuração de até 11 poços, e era bastante esperada como um reforço da estratégia de desenvolvimento de campos maduros.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentou uma metodologia ao governo federal que pode reduzir em até 80% os custos de acesso às infraestruturas de gás natural, especialmente no sistema pré-sal. A proposta sugere que as tarifas cobradas pela Petrobras poderiam cair para cerca de US$ 2 por milhão de BTU no primeiro ano, ante valores atuais na casa dos US$ 6 por milhão de BTU, de acordo com estimativas. A metodologia usa benchmarks internacionais para estabelecer o que entende como uma remuneração justa para os gasodutos de escoamento e unidades de processamento no Rio de Janeiro e São Paulo, utilizando parâmetros como valor do investimento e custos operacionais. A iniciativa deve reduzir assimetrias de informação e, em conjunto com a decisão da semana passada da ANP de publicar os cálculos das tarifas dos contratos legados da NTS e da TAG, deve colaborar para trazer maior competitividade no mercado de gás natural.
A Vibra anunciou a primeira comercialização de Combustível de Aviação Sustentável (SAF) no Brasil, com o biocombustível importado disponível no aeroporto Tom Jobim (GIG), no Rio de Janeiro. A operação, certificada pela ISCC, envolve a mistura de 10% de SAF com 90% de combustível fóssil, reduzindo as emissões de carbono. O SAF é produzido a partir de fontes renováveis e reduz cerca de 80% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao combustível de aviação convencional. O produto disponibilizado foi produzido a partir de óleo de cozinha usado (UCO - Used Cooking Oil) e é oriundo da Bélgica, em volume de 550 mil litros. Ainda incipiente, a iniciativa deve colaborar para a descarbonização no setor de aviação, no qual a Vibra é líder no Brasil, com cerca de 60% de market share.
A Petrobras concluiu a modernização do Trem 1 da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, aumentando a capacidade de processamento de 115 mil para 130 mil barris de petróleo por dia. Após a conclusão do Trem 2, previsto para 2028, a capacidade total da refinaria deve char a 260 mil barris por dia. A RNEST, que possui a maior taxa de conversão de petróleo cru em diesel no Brasil (70%), também iniciou a operação da unidade SNOX, que reduz emissões de poluentes e produz ácido sulfúrico.
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