CDI ou IPCA: qual indexador usar para montar a carteira de renda fixa?
Entenda as diferenças entre títulos que usam CDI e IPCA como benchmark
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
03/10/2024 às 17:07
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
A diversificação também é uma estratégia importante para quem investe ou quer investir em renda fixa. Por isso, engana-se quem pensa que a taxa básica de juros da economia, a Selic no caso do Brasil, é o único fator que o investidor deve levar em conta na hora de escolher os títulos da sua carteira.
A renda fixa é uma modalidade que oferece ao investidor um retorno previsível ou que pode ser determinável já no momento da aplicação. E, para definir a previsibilidade deste retorno, é necessário que haja uma base de referência, ou um "benchmark", em inglês.
No caso da renda fixa, o benchmark é a base que o investidor terá em conta para escolher em qual título investir e qual é o provável rendimento que ele terá. No Brasil, os mais comuns são o Certificado de Depósito Bancário, - ou CDI, que costuma seguir a taxa Selic - e o IPCA, indicador oficial de inflação do País.
CDI ou IPCA: qual é melhor?
Essa é uma pergunta que muita gente se faz na hora de selecionar seus ativos de renda fixa. E a resposta é: depende. Afinal, o rendimento desses títulos vai depender de diversos fatores, como o panorama da economia do país, as expectativas inflacionárias, o nível da taxa de juros, etc.
Segundo Solange Cruz Zeglin, especialista em investimentos do Banco do Brasil, outro fator que diferencia esses dois benchmarks é o prazo.
"A modalidade atrelada ao CDI costuma apresentar melhor desempenho em período de até dois anos, tendo em vista que refletem imediatamente a taxa livre de risco da economia do Brasil que é representada pela Selic. Já os investimentos IPCA+ levam a melhor no médio e longo prazo, a partir de três anos, pois o montante aplicado é corrigido mensalmente pelo IPCA, e há pagamento de juros sobre esse valor já corrigido", explica.
Como são os títulos atrelados ao CDI?
O CDI segue o comportamento da taxa DI, ou Depósito Interbancário. Como o nome já diz, é a taxa de juros de empréstimos entre os bancos, que por sua vez tem seu valor atrelado à taxa básica de juros da economia, a Selic, que é uma base para toda a economia. Geralmente, a taxa DI é levemente inferior à Selic.
Quando um título de renda fixa (Tesouro Selic, CDB, debêntures, fundos DI, LCI, LCA, etc) afirma que remunera seu investidor em 100% do CDI, significa que pagará o porcentual cheio da taxa de juros da taxa DI daquele dia. Se o CDI estiver a 10% ao ano, por exemplo, o título de renda fixa que remunera a 100% do CDI pagará a taxa DI total daquele dia (a taxa de 10% equivalente para um dia útil) ao investidor.
Os títulos que usam o CDI como benchmark são pós-fixados, já que sua remuneração vai variar de acordo com a taxa DI e ser conhecida somente no dia do resgate do valor investido.
Como são os títulos atrelados ao IPCA?
Enquanto o CDI segue a taxa de juros, os títulos ligados ao IPCA usam a taxa oficial de inflação do País como benchmark. Geralmente, a remuneração desses investimentos é "IPCA+", isto é, remunera o IPCA mais um porcentual a ser definido pelo emissor do título. Sendo assim, títulos IPCA+, como o Tesouro IPCA+ ou NTN-B, são uma mistura de pré com pós-fixado.
A ideia aqui é proteger o investimento da inflação, preservando o poder de compra daquele investimento. Afinal, ele será corrigido por um porcentual acima da inflação.
Quais são as projeções para CDI e IPCA?
No cenário atual, Zeglin observa que, num cenário de queda de juros como o vivido pelo Brasil de 2023 para cá, com a Selic saindo de 13,75% para 10,50% atualmente, o investidor pode fazer um rebalanceamento da carteira, reduzindo a exposição em títulos pós fixados atrelados ao CDI e Selic e incluir a modalidade IPCA+.
No geral, segundo a especialista, a renda fixa segue como "boa oportunidade de alocação" em um momento no qual a taxa de juros real, que mede a taxa Selic menos o IPCA, está em torno de 6%, o que é considerado um nível elevado. Zeglin acrescenta que a lógica vale tanto para o Tesouro Direto quanto para CRA, CRI e debêntures incentivadas, que são isentas de Imposto de Renda (IR).
A tabela a seguir ajuda a mostrar essa tendência: no prazo mais curto, o CDI levou a melhor. Em prazos maiores, um título de remuneração IPCA+6% ganha em termos de rentabilidade.


