Brasileiro prefere previsibilidade da renda fixa mas está disposto a diversificar, diz pesquisa
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
30/08/2024 às 16:46
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
São Paulo, 30/08/2024 - Você com certeza já deve ter ouvido falar na expressão "não colocar todos os ovos na mesma cesta". Esse velho conselho de analistas de investimentos é a base para entender a diversificação de carteira. Em outras palavras: para obter melhores retornos e moderar o risco é preciso colocar seu dinheiro em diferentes produtos, no intuito de protegê-lo de situações inesperadas.
O investidor brasileiro está cada vez mais disposto a diversificar seu portfólio de investimentos, apesar de ser, em maior parte, adepto da previsibilidade de ganhos trazida pela renda fixa. É o que mostra a pesquisa "O Brasil que Investe", realizada pela B3 em parceria com o instituto Bridge Research.
Seis dos nove perfis de investidor traçados pela pesquisa têm a intenção de ter novos ativos em suas carteiras de investimento.
A maioria dos entrevistados faz parte de um grupo que foi batizado de "Foco em Previsibilidade", com grande parte da sua carteira de investimentos na renda fixa.
O levantamento, realizado com 2.614 brasileiros de todas as regiões do País, identificou nove perfis de investidor. São eles:
- Foco em Previsibilidade (43% dos pesquisados): investidores que têm a maior parte do seu portfólio e das suas operações concentrados na renda fixa;
- Minha Conta É Meu Investimento (21%): investidores que mantêm seu capital em conta corrente com aplicações automáticas conhecidas como "raspa-conta";
- De Portfólio Montado (16%): investidores com grau considerável de diversificação de ativos;
- Fundos Imobiliários (9%): investidores que colocam mais da metade do seu patrimônio em produtos vinculados ao mercado imobiliário, como os FIIs;
- Sofisticado nos Investimentos (4%): investidores que diversificam bastante sua carteira e operam com regularidade;
- Em Busca do Tesouro (3%): investidores que aplicam essencialmente no Tesouro Direto;
- Experimentando a Bolsa (2%): investidores que estão começando a investir na Bolsa;
- Swing Trader (1%): investidores que buscam oportunidades e ganhos rápidos na Bolsa, mas sem fazer operações no mesmo dia (day trade);
- Day Trader (1%): investidores que buscam ganhos rápidos no mesmo dia da operação.
Brasileiro está aberto a diversificar
O levantamento "O Brasil que Investe" mostrou que seis dos nove perfis de investidores brasileiros estão dispostos a entrar em novas oportunidades de investimento, diversificando suas carteiras.
Leia também: Diversificação de investimentos: a regra de não colocar todos os ovos na mesma cesta
Apesar do desejo de diversificar, a B3 afirma que existem alguns empecilhos. Um deles é a falta de clareza sobre os diferentes produtos de investimento disponíveis no mercado e sobre o perfil de cada investidor.
"A vontade de diversificação, no entanto, esbarra na dificuldade de encontrar produtos que sejam adequados a pessoas com graus de experiência diferentes e que tenham níveis de tolerância ao risco diferentes também", cita a pesquisa.
O levantamento também mostra que, na maioria dos casos, a motivação do investidor se concentra no desejo por mais segurança financeiro, na construção de uma reserva e na preparação para o futuro. "Razões para investir não derivam apenas de objetivos que se quer alcançar. Elas também surgem da necessidade de prevenção", diz a B3.
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Brasileiro está investindo mais
Os investimentos das pessoas físicas no Brasil cresceram 7,6% no primeiro semestre de 2024 em relação a dezembro de 2023, totalizando R$ 7 trilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
A renda fixa cresceu 10,1% no primeiro semestre de 2024 em comparação a dezembro de 2023, chegando a R$ 4 trilhões, o equivalente a 57,8% do montante aplicado.
Por tipo de instrumento, títulos e valores mobiliários atingiram R$ 3,1 trilhões no primeiro semestre, crescimento de 7,8% na comparação com dezembro de 2023. O investimento em fundos subiu 7,7%, para R$ 1,7 trilhão, e também a poupança avançou, 2,8%, somando R$ 951,7 bilhões.
Já o investimento em títulos isentos de imposto de renda cresceu 7,3%, para R$ 1,1 trilhão, com destaque para aplicações em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e Imobiliários (CRIs), que cresceram 22,9%, para R$ 114,3 bilhões, e 25,5%, para R$ 78,7 bilhões, respectivamente.

