Bolsas de NY têm perda de US$ 4 tri desde posse de Trump e ficam atrás da B3 em ranking global
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos
Atualizado em
17/03/2025 às 16:17
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
São Paulo, 17/03/2025 - As empresas dos Estados Unidos perderam US$ 4 trilhões em valor de mercado nas bolsas de Nova York desde o início do governo de Donald Trump, em 20 de janeiro. O índice Vix, conhecido como "índice do medo", disparou, refletindo a volatilidade das bolsas americanas, enquanto a guerra comercial deflagrada pelo republicano com a aplicação de tarifas sobre outros países tem elevado o receio de aumento da inflação na maior economia do mundo.
De acordo com levantamento da consultoria Elos Ayta, os índices acionários de Nova York estão entre os piores desempenhos dentre as principais bolsas do mundo neste ano. Até o pregão de 13 de março, o Dow Jones acumulou baixa de 4,07%, o S&P 500 caiu 6,12% e o Nasdaq derreteu 10,40%. O único índice que superou os americanos no ranking foi o S&P Merval, da Argentina, com baixa de 14,74% em dólares.
O que explica a queda das bolsas dos EUA?
A posse de Trump nos EUA tem elevado o nível de incertezas não só da política econômica internacional, já que o "tarifaço" promovido por seu governo pode trazer impactos no comércio global. Mas há também fatores internos, que podem afetar a economia americana.
"O pessimismo reflete incertezas sobre a condução da política fiscal e monetária, além de pressões inflacionárias persistentes", avalia Einar Rivero, CEO da Elos Ayta. Na bolsa, "o impacto se estende além das grandes empresas de tecnologia, afetando o apetite por risco e a alocação de capital no mundo todo", acrescenta.
Na economia dos EUA, as perspectivas estão piorando. A última pesquisa sobre confiança do consumidor da Universidade de Michigan, divulgada na sexta-feira passada (14), mostrou uma forte baixa no sentimento dos americanos, com queda de 64,7 pontos em fevereiro para 57,9 pontos em março. O resultado veio bem abaixo do esperado por analistas consultados pela FactSet , que projetavam recuo a 64,0.
A pesquisa mostrou ainda que as expectativas de inflação em 12 meses subiram de 4,3% em fevereiro para 4,9% em março. Já para o horizonte de cinco anos, a expectativa de inflação também avançou entre um mês e outro, de 3,5% para 3,9%.
Relação bolsa-juros-atividade
O desempenho de uma bolsa de valores de um país está intimamente ligado ao seu nível de juros, uma vez que, quanto mais altas as taxas, mais atrativo fica investir em renda fixa, e consequentemente o investidor passa a ter mais cautela com o mercado de ações.
Isso vale para qualquer país do mundo, mas em especial para os EUA, cujos títulos públicos (Treasuries) são considerados o mais seguro do planeta.
Portanto, se há incertezas sobre os juros e para onde eles vão, uma vez que as perspectivas de inflação são incertas, a cautela nas bolsas tende a ser maior.
Todo esse tempero de incerteza também pode afetar a própria atividade econômica do país, elevando risco de recessão (retração econômica por dois trimestres seguidos) e ameaçando os lucros das empresas - outro fator de risco para o investimento em ações.
Qual bolsa mais subiu no ano até aqui?
O índice que mais subiu em 2025 dentre os consultados pela Elos Ayta foi Stoxx 50, da zona do euro, com ganho de 31,36% no ajuste em dólares. Seguindo o mesmo critério, na segunda colocação está o MSCI Colcap, da Colômbia (+27,19%), e o chinês FTSE China 50 (+18,26%).
"A Europa se beneficia de um ciclo econômico mais favorável, enquanto a China dá sinais de estabilização", avalia Rivero, que vê oportunidades para que a fuga de dólares das bolsas americanas possa encontrar refúgio em mercados emergentes, como o brasileiro.
O Ibovespa ocupa a décima colocação no ranking das bolsas ajustado em dólar, acumulando alta de 11,26% até 13 de março, diante da recuperação do apetite por risco no País após as fortes baixas acumuladas no fim de 2024.
Confira o ranking de desempenho das principais bolsas do mundo este ano (dados até 13/03/25):


