Acordo de paz EUA-Irã trará alívio aos juros? Veja o que esperar desta Super Quarta
Publicado por: Broadcast Exclusivo

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Atualizado em
16/06/2026 às 11:22
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
A próxima edição da Super Quarta, que ocorre amanhã, traz consigo o "tempero" da expectativa de que Estados Unidos e Irã assinem um acordo de paz ainda nesta semana, o que pode mudar o cenário de risco que tem marcado as últimas decisões do Comitê de Política Monetária () e do Federal Reserve (Fed).
No entanto, a assinatura do acordo ainda é incerta, e alguns pontos relevantes estão em aberto, principalmente os que envolvem o programa nuclear iraniano e os ataques de Israel no Líbano. Também há dúvidas sobre como ficará o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo.
O preço da tem derretido nesta semana, com o Brent atingindo os US$ 80 e se distanciando cada vez mais da máxima de US$ 117 atingida durante o conflito no Oriente Médio. Mas será que esse cenário será suficiente para reduzir a perspectiva de risco inflacionário nos cenários de referência do Fed e do Copom?
A seguir, veja o que esperar das decisões de juros desta Super Quarta:
Apesar das incertezas que ainda persistem no cenário do conflito geopolítico, analistas consultados pela Broadcast> estimam que o acordo preliminar entre EUA e Irã traz mais segurança ao Copom para promover um novo corte de 0,25 ponto porcentual - ou 25 pontos-base - na taxa Selic, levando-a para 14,25% ao ano.
O possível acordo reduz as chances de o colegiado interromper já neste encontro o processo de corte dos juros - hipótese que ganhou força na última semana. No entanto, o alívio associado ao acordo não altera a percepção de que uma pausa nos cortes se aproxima: analistas esperam que essa seja a última ou penúltima redução da Selic no atual ciclo, diante da aproximação das eleições e da piora do quadro inflacionário.
"Houve uma piora adicional do quadro inflacionário, que vem de fora em grande medida, mas é uma junção de fatores bastante preocupantes e que mostram que, pelo menos até o final de 2027, nós teremos uma inflação muito distante da meta", afirmou Silvio Campos Neto, sócio e economista da Tendências Consultoria.
Ele cita os efeitos do fenômeno meteorológico El Niño e possíveis medidas de estímulo à demanda entre os pontos de atenção, além do contexto de baixa ociosidade econômica e sinais de resiliência da atividade.
Além disso, resquícios do conflito no Oriente Médio devem persistir nos próximos meses, mesmo com o possível fim, já que a normalização dos fluxos de petróleo e energia ainda deve demorar para acontecer.
Por outro lado, o economista Leonardo Costa, do ASA Investments, afirma que o acordo EUA-Irã não altera a expectativa para o Copom, uma vez que a deterioração do cenário externo não tende a se reverter rapidamente.
Costa observa que, embora uma eventual liberação do Estreito de Ormuz deva ser celebrada, com impacto relevante para o mercado de petróleo, há pouco espaço para a inflação brasileira se beneficiar de um recuo dos preços internacionais da commodity. Isso porque boa parte do repasse da alta aos combustíveis foi contida no Brasil pela Petrobras e por medidas do governo.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed deve manter a taxa dos Fed Funds inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% pela quarta vez seguida, segundo expectativa majoritária de analistas e investidores.
Será a primeira decisão do Fed sob o comando de Kevin Warsh, que substituiu Jerome Powell em maio. E, a princípio, não deve haver nenhuma surpresa na decisão. No entanto, o mercado aguarda com expectativa o tom do comunicado do BC americano, que pode dar pistas sobre os próximos passos e mexer com os ativos.
"Como a decisão sobre os juros dificilmente trará surpresas, a atenção do mercado se voltará para o dot plot [gráfico de projeções dos dirigentes do Fed], para eventuais mudanças na linguagem do comunicado e para a comunicação do novo presidente do Fed", avalia David Doyle, economista-chefe do Macquarie Group.
No mercado de derivativos, investidores têm precificado que o Fed elevará os juros ainda neste ano. Segundo a ferramenta de monitoramento do CME Group, atualmente, há mais chances de uma elevação dos Fed Funds em 0,25 ponto porcentual na reunião de 9 de dezembro, a última do ano.
A decisão de juros do Fed será anunciada nesta quarta-feira às 15h (de Brasília), seguida de uma coletiva com o presidente Kevin Warsh.
Já o Copom deve soltar o comunicado da sua decisão por volta das 18h30, após o fechamento dos mercados.
(Colaboraram Marianna Gualter e Thais Porsch)
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