O que se espera da gestão de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos

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Atualizado em
08/01/2025 às 18:26
Por Célia Froufe e Cícero Cotrim, do Broadcast
Brasília, 08/01/2025 - Um Banco Central mais presente em causas sociais, mais integrado com o Ministério da Fazenda e de comunicação mais leve. É isso o que se pode esperar da gestão de Gabriel Galípolo à frente da instituição iniciada no dia 1º, de acordo com agentes do governo e do mercado financeiro.
Há um ano, o Broadcast já havia identificado que a nova diretoria, então recém-empossada, tinha como foco mudar o núcleo da instituição, para que fosse mais estratégica e menos 'mão na massa', mesmo que isso se refletisse em um presidente com menos poderes.
A parte operacional deve ficar mais com os chefes de Departamento, enquanto os membros do comitê trabalham de forma mais estratégica e colegiada. A economia tende a ser tratada como "um todo".
Padrinho de Galípolo no governo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, troca figurinhas constantes com seu afilhado a respeito das linhas mestras da autoridade monetária. Na outra via, todos sabem que o futuro presidente do BC segue como um articulador da política econômica. Foi peça fundamental, por exemplo, nas discussões sobre o pacote de contenção de despesas no fim do ano passado, ainda que tivessem perdido para a ala política o debate sobre o timing de apresentação do projeto da reforma de renda.
Pouco antes do Natal, no dia em que Roberto Campos Neto se despediu do cargo, recebeu afagos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o indicou ao cargo. Lula já se referiu ao novo banqueiro central algumas vezes como "menino de ouro" e no fim de 2024 disse que Galípolo seria um presente para o Brasil.
O economista Carlos Kawall, sócio-fundador da Oriz Partners e ex-secretário do Tesouro, avalia que a proximidade com o governo ainda cria dúvidas no mercado sobre a atuação de Galípolo, mas pode se revelar o principal trunfo do novo BC.
Depois da virada "hawkish" (com viés de alta ) do Comitê de Política Monetária (Copom) em dezembro, com elevação de 1 ponto porcentual nos juros e a promessa de mais duas altas da mesma magnitude, o analista afirma que o novo chefe da autarquia pode passar a ser visto como um contraponto importante às alas mais gastadoras do Executivo.
"A esperança é que Galípolo não se submeta ao ciclo político-eleitoral, mas que seja um polo de racionalidade - até porque ele goza da confiança do presidente Lula e do ministro Haddad", diz o economista. "Todo mundo torce para que ele supere o distanciamento entre governo e BC que existiu por causa da figura do Roberto Campos Neto, que estabeleça uma colaboração e ajude a corrigir os rumos da política econômica."
Não é que o novo presidente vá se afastar da Faria Lima, de encontros recorrentes do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) ou de seu papel em fóruns internacionais, como G20 e Brics. Certamente, porém, também frequentará eventos mais populares, na linha do atual governo, como o G20 Social, realizado em novembro de 2024.
A comunicação do Banco Central mais acessível foi uma das principais pautas de Galípolo desde que entrou na instituição, como diretor. O comunicado que se segue às decisões de Política Monetária passou a trazer tabelas que explicitam as projeções da instituição para o IPCA no fim do ano corrente, do ano seguinte e no horizonte relevante da política monetária, que também passou a ser mencionado textualmente.
No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o BC incluiu também as suas estimativas para a inflação ao longo de dez trimestres, aumentando a transparência sobre o seu cenário.
Nos seus pronunciamentos, é fácil perceber que Galípolo tem buscado usar uma linguagem menos técnica, sempre que possível. "É possível perceber que isso depende um pouco do público e acho razoável que ele faça isso. Existe muito desconhecimento sobre a política monetária", argumentou o professor e economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.
Para ele, alterar discursos técnicos quando necessários com outros mais simplificados não traz qualquer tipo de prejuízo para a instituição. "Isso não quer dizer que está errado, mas que há flexibilidade para conversar com leigos de um jeito e com especialistas, de outro", comparou.
Gonçalves está no comando da equipe econômica do Fator desde 1997 e acompanhou diferentes presidentes da autoridade monetária desde então. "O que um presidente do BC tem que fazer é muito claro, mas sempre tem uma parte da atuação que tem a ver com a personalidade; e isso é diferente porque são pessoas diferentes", avaliou o economista. "Não tenho dúvida de que o foco de Galípolo é o que está escrito na cartilha do BC. As outras coisas são secundárias, não tão relevantes ou imediatas", afirmou.
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