IR 2026: confira 5 dicas para evitar os erros que levam à malha fina
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
11/03/2026 às 16:01
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
A é um dos grandes temores de todos aqueles que fazem a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF). Só no ano passado, cerca de 4 milhões de declarações tiveram esse destino, segundo dados da Receita Federal.
O que é malha fina?
Malha fina é a expressão utilizada para situações nas quais a Receita identifica algum tipo de problema ou inconsistência na declaração de IR da pessoa física. Ela fica retida para uma análise mais detalhada, e neste período o Fisco pode solicitar documentos e outras ações por parte do contribuinte.
Identificando algum tipo de erro nas informações declaradas, o cidadão pode ter de pagar uma multa ou o imposto com juros. Caso não haja nada de errado, a declaração é processada normalmente após o período de análise.
"A sofisticação tecnológica da Receita Federal aumentou a precisão no cruzamento de dados, retendo na malha fina declarações que apresentam desde simples falhas de digitação até omissões patrimoniais complexas", alerta o advogado tributarista André Marques, sócio do Teixeira & Marques Advogados Associados.
Como evitar cair na malha fina?
Se você quer reduzir as chances de enfrentar essa situação, confira a seguir cinco dicas práticas para adotar na hora de completar a sua declaração de IR. Vale lembrar que o programa deve ser lançado pela Receita Federal na próxima semana.
1. Reúna todos os informes de rendimentos e confira os dados com atenção:
Antes de enviar a declaração, é importante que o contribuinte junte todos os informes de rendimentos que recebeu da sua fonte pagadora de salário, além de bancos e corretoras, sem se esquecer de nada. Depois, será o momento de conferir detalhadamente os valores.
"A maior parte das retenções na malha fina ocorre por falhas no preenchimento ou por falta de conferência antes do envio da declaração", lembra Rodrigo Pinheiro, advogado tributarista e sócio do RV Pinheiro Advogados.
Os especialistas apontam que pequenos erros de digitação ou divergências com os dados enviados pelas fontes pagadoras podem fazer a declaração ser retida automaticamente. Ou seja: todo cuidado é pouco, e é essencial conferir os números na hora de fazer a declaração.
2. Não omita nenhuma fonte de renda:
A omissão de rendimentos é o principal motivo que leva uma declaração à , afirma o advogado André Marques. Esse erro acontece quando o contribuinte deixa de declarar fontes secundárias de renda, como trabalhos freelancer e aluguéis, ou omite rendas próprias de seus dependentes, como bolsas de estágio e pensões.
"Para evitar, deve-se reunir todos os informes de rendimentos e utilizar a declaração pré-preenchida, realizando uma rigorosa conferência técnica antes do envio", diz o especialista.
Trabalhos extras, aluguéis (inclusive via Airbnb), rendimentos de dependentes, lucros na Bolsa e investimentos ou contas no exterior: tudo isso deve estar presente na declaração.
3. Declare corretamente despesas dedutíveis, especialmente médicas:
Despesas que podem gerar alguma dedução de imposto também precisam ser devidamente preenchidas, em especial os gastos médicos.
Antes de tudo, é preciso verificar se a dedução da despesa é realmente permitida por lei, e informar apenas valores comprovados com um recibo que contenham CPF ou CPNJ do prestador e identificação do paciente. Eventuais reembolsos do plano de saúde também devem ser descontados.
Despesas com nutricionistas, óculos, medicamentos e vacinas, exceto se integrados a uma fatura hospitalar, por exemplo, não entram nesse cálculo.
"Para evitar a malha fina, o contribuinte deve exigir recibos detalhados com CPF/CNPJ do prestador e identificação clara do beneficiário, utilizando, preferencialmente, documentos emitidos pelo aplicativo Receita Saúde e mantendo a guarda dos documentos por, pelo menos, cinco anos", recomenda André Marques, do escritório Teixeira & Marques Advogados Associados.
4. Informe corretamente dependentes e a renda deles:
Os erros com dependentes ocorrem quando o contribuinte inclui familiares na declaração, mas não segue as regras de exclusividade ou omite a renda deles. Um dependente não pode aparecer em duas declarações ao mesmo tempo, e toda renda que ele recebeu durante o ano deve ser incluída na sua declaração.
O contribuinte também precisa avaliar se vale a pena incluir esse dependente na sua declaração, pois a renda dele pode aumentar o imposto devido.
"Isso acontece muito quando pais e mães declaram o mesmo filho simultaneamente ou quando o contribuinte esquece de informar que o dependente recebeu algum valor, como uma bolsa de estágio, pensão ou trabalho temporário. O sistema da Receita Federal cruza os CPFs e trava a declaração na hora ao notar que aquela renda não foi somada ao montante total", explica o advogado André Marques.
5. Mantenha coerência entre renda declarada e evolução do patrimônio:
A questão patrimonial é outro ponto crucial na declaração do IR da pessoa física. A Receita cruza dados com bancos, empresas e outras instituições, lembra o tributarista Rodrigo Pinheiro, do escritório RV Pinheiro Advogados, e verifica se o crescimento do patrimônio é compatível com a renda informada.
"Isso acontece, por exemplo, quando o contribuinte registra a compra de imóveis, veículos ou outros ativos sem demonstrar origem compatível dos recursos, e ainda se deixa de atualizar operações como compra e venda de participações. A regra é declarar bens ou participações pelo custo de aquisição e manter coerência entre renda declarada e evolução patrimonial", alerta Pinheiro.
O que acontece se eu cometer algum erro na declaração de IR?
O contribuinte tem a possibilidade de corrigir a declaração de IR, caso identifique que cometeu algum erro antes de cair na . Esse processo é chamado de , ou retificação.
"Esse procedimento permite corrigir informações em até cinco anos, desde que o Fisco ainda não tenha iniciado uma fiscalização formal ou enviado uma intimação", explica o advogado André Marques.
Segundo o tributarista, a correção feita de forma espontânea evita multas punitivas, além de regularizar o CPF e liberar eventuais restituições retidas.
"A retificação substitui integralmente a declaração anterior e deve ser realizada pelo portal ou pelo próprio programa do IRPF", acrescenta.

