Fed vai cortar juros em dezembro? Payroll de setembro reacende dúvidas
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos

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Atualizado em
21/11/2025 às 13:35
Por Gustavo Boldrini e Aline Bronzati, da Broadcast
A economia dos Estados Unidos criou 119 mil empregos em setembro, segundo relatório publicado ontem pelo Departamento do Trabalho do país. Os dados estavam represados desde o início de outubro, quando o governo dos EUA iniciou o período de 43 dias de paralisação, ou shutdown.
O número veio bem acima da estimativa mediana de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, que apontava para criação de 51 mil vagas. Ou seja, o mercado de trabalho americano demonstra estar mais aquecido do que se esperava.
Por outro lado, dados anteriores divulgados pelo Departamento de Trabalho foram revisados para baixo. Em agosto, a geração de 22 mil vagas passou para um corte de 4 mil postos, e, em julho, a criação de 79 mil caiu para 72 mil vagas. Com isso, a taxa de desemprego dos EUA subiu para 4,4% em setembro, acima dos 4,3% previstos por analistas, enquanto o crescimento salarial aumentou apenas 0,2%.
E como é que isso mexe com as expectativas para a próxima decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em dezembro? Entenda a seguir:
O Fed tem um duplo mandato nos EUA: controlar a inflação e garantir o pleno emprego. Por isso, o payroll é uma métrica de extrema importância para ajudar o banco central americano nas suas decisões de juros.
O relatório de ontem foi considerado díspar: enquanto o mercado esteve mais aquecido do que se esperava em setembro, as fortes revisões dos números nos meses anteriores e o aumento da taxa de desemprego mostraram que ainda há riscos de fraqueza no nível de ocupação do país.
Analistas parecem ter dado maior peso ao risco negativo para o mercado de trabalho, ampliando as apostas de que o Fed promoverá mais um corte na taxa básica de juros do país na reunião de 10 de dezembro.
Segundo a ferramenta de monitoramento de derivativos FedWatch, do CME Group, a curva apontava para 70,9% nas chances de um corte de 25 pontos-base nos juros em dezembro, contra apenas 29,1% pela manutenção no atual nível. Ontem, antes do payroll, a situação era inversa: a continuidade nos juros marcava 60,9%, e o corte apontava para 39,1% das possibilidades.
"Esses dados, por si, provavelmente não são suficientes para convencer os membros mais cautelosos do Fed de que os riscos de queda no mercado de trabalho aumentaram, mas a escolha ainda pode ser a favor de um corte", afirmou o economista-chefe para os EUA do Jefferies, Thomas Simons.
Para analistas do Wells Fargo, o payroll de setembro não traz clareza sobre qual será a decisão dos membros do Fed na reunião de dezembro. Ainda assim, o banco americano manteve a expectativa de que o BC dos EUA acionará novamente a sua tesoura no último encontro de 2025, reduzindo os Fed Funds em mais 25 pontos-base.
Diante da falta de visibilidade sobre o estado da economia americana e do mercado de trabalho, casas como o ING e a consultoria Capital Economics acreditam que o Fed deve manter os juros estáveis até o início de janeiro de 2026.
"O payroll de setembro, melhor do que o esperado, deveria ter reduzido ainda mais as chances de que o Fed corte as taxas de juros novamente no próximo mês", diz o economista-chefe da Capital Economics para a América do Norte, Paul Ashworth.
A Oxford Economics afirma que não vê nada no payroll de setembro que justifique uma mudança em sua previsão de que o Fed manterá as taxas inalteradas na reunião de dezembro. Segundo a consultoria, o relatório é uma visão pelo retrovisor, e os dados podem ter sido influenciados por fatores sazonais.
"Serão necessários sinais de uma deterioração mais significativa no mercado de trabalho dos EUA para que o FOMC reduza as taxas em dezembro. E não vemos evidências disso nos dados", afirma a economista-chefe da Oxford Economics para os EUA, Nancy Vanden Houten.
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