Efeito Jackson Hole: otimismo domina mercados após Powell acenar para corte de juros
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos
Atualizado em
25/08/2025 às 09:17
Por Gustavo Boldrini
As bolsas de todo o mundo passaram a exibir fortes altas no fim da manhã desta sexta-feira, após o início do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, durante o Simpósio de Jackson Hole.
Segundo agentes de mercado, apesar de Powell não ter expressado de forma veemente que o banco central americano vai começar a cortar os juros da maior economia do mundo na próxima reunião de política monetária que ocorre em setembro, o tom mais brando da fala do líder do Fed traz o sentimento de que a flexibilização monetária nos EUA está perto de começar.
E isso gera otimismo nos ativos de risco globais.
O que Powell disse?
Em seu discurso, Powell enfatizou os riscos negativos que o atual nível dos juros trazem para o mercado de trabalho dos EUA. Uma vez que o Fed tem um duplo mandato, de controlar a inflação e também de garantir pleno emprego, pode-se concluir que a preocupação do órgão com o nível do mercado de trabalho abre espaço para os juros caírem.
"Em termos dos objetivos do duplo mandato do Fed, o mercado de trabalho permanece próximo do máximo emprego, e a inflação, embora ainda um pouco elevada, diminuiu consideravelmente em relação aos picos pós-pandemia", afirmou Powell.
Ou seja, além do risco negativo dos juros atuais para o mercado de trabalho, o líder do Fed reconheceu também que a inflação diminuiu nos últimos anos, em outro sinal que traz otimismo nas apostas por um corte das taxas dos Fed Funds, que atualmente estão entre 4,25% e 4,50% ao ano.
Powell acrescentou que, quando os objetivos do BC estão sob tensão como agora, o cenário exige uma política monetária que equilibre ambos os lados do duplo mandato, estabilidade de preços e máximo emprego.
Sendo assim, com a política monetária em território restritivo, o cenário-base e a mudança no equilíbrio dos riscos podem justificar um ajuste da postura de política monetária.
"A política monetária não está em um curso predefinido. Os membros do FOMC (Comitê Federal do Mercado Aberto) tomarão essas decisões baseando-se exclusivamente em sua avaliação dos dados e suas implicações para as perspectivas econômicas e o equilíbrio dos riscos", afirmou. "Nunca nos desviaremos dessa abordagem", disse.
Efeito das tarifas sobre a economia
Sobre as tarifas comerciais do governo Donald Trump, Jerome Powell afirmou que há pressão ascendente sobre os preços e isso pode estimular uma dinâmica inflacionária mais duradoura no país. "Os efeitos das tarifas nos preços ao consumidor agora são claramente visíveis", avaliou.
"A questão que importa para a política monetária é se esses aumentos de preços provavelmente aumentarão materialmente o risco de um problema inflacionário contínuo", finalizou.
Quais são as chances do Fed cortar os juros em setembro?
A plataforma FedWatch do CME Group, que monitora contratos derivativos, aponta para uma chance majoritária de o Fed cortar os juros dos EUA em 25 pontos-base (ou 0,25 ponto porcentual) na reunião que ocorre em 17 de setembro.
Perto das 12h (de Brasília), os dados mostravam chance de 89,2% de um corte nesta magnitude. Há um mês, a probabilidade era de 58%.
Por que as bolsas estão subindo?
Após as falas de Powell, os principais índices acionários de Nova York - Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq - passaram a avançar em torno de 2%, bem como o Ibovespa aqui no Brasil.
No sentido oposto, os juros dos Treasuries, títulos do Tesouro dos EUA, começaram a cair, mesmo movimento dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) por aqui, e o dólar também acelerou perdas mundo afora.
Tudo isso acontece porque a perspectiva de que o Fed cortará os juros apoia a busca dos investidores do mundo inteiro por ativos de risco, já que esse corte reduz os rendimentos dos Treasuries, considerados o investimento mais seguro do mercado financeiro global.
Assim, caso o Fed sinalize cortes de juros, a tendência é que ativos de risco não só nos EUA mas também em países emergentes, como o Brasil, sejam alvo de maior procura pelos investidores, já que o prêmio de risco dos Treasuries fica mais baixo.
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