Dia T: o que esperar deste começo do tarifaço dos EUA sobre o Brasil?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos

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Atualizado em
06/08/2025 às 11:36
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 06/08/2025 - Entra em vigor hoje o tarifaço de 50% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros, e ainda há muita incerteza no ar: afinal, qual será o impacto na economia local, como será a resposta do governo e quais serão os termos das negociações com os americanos?
Há muitas perguntas sem respostas, então, o momento é de cautela e de extrema atenção dos investidores ao noticiário. A seguir, entenda o que esperar dos próximos dias:
As tarifas americanas devem impactar, no máximo, 0,6 ponto porcentual no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, segundo cálculo do UBS BB. A análise considera que 74% das exportações brasileiras para os Estados Unidos podem ser redirecionadas mais facilmente a outros países.
"Se não formos capazes de internalizar ou redirecionar qualquer parte desses 26% restantes, o que é improvável, estimamos que o efeito potencial no crescimento do PIB seria de, no máximo, de 0,6 ponto porcentual. Isso porque as exportações representam 18% do PIB total e a participação dos EUA, nessas vendas externas, é de 12%", afirmou o banco em relatório.
Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) estima que, mesmo com as exceções a 694 produtos, que seguirão com alíquota de 10%, as taxas adicionais sobre produtos brasileiros exportados aos EUA afetam 55% das exportações do Brasil e podem comprometer mais de 147 mil empregos.
"Apesar da isenção concedida a 694 produtos, o que representa cerca de 45% do total exportado pelo Brasil ao mercado americano, os efeitos sobre a economia nacional ainda serão expressivos", diz a Fiemg.
Há expectativa no mercado e nos setores produtivos a respeito do plano que o governo federal está montando para mitigar os efeitos do tarifaço sobre a economia, em especial junto aos segmentos exportadores mais afetados.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou mais cedo que o texto com as medidas deve ser enviado ainda hoje ao Palácio do Planalto. O anúncio oficial, porém, caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Haddad afirmou que possivelmente as propostas serão enviadas ao Congresso Nacional por meio de uma Medida Provisória (MP), para entrarem imediatamente em vigor. Ele disse ainda que o objetivo principal do plano é atender sobretudo os pequenos produtores que não têm alternativas à exportação para os EUA.
O governo brasileiro tem sido cauteloso a respeito de anunciar retaliações às tarifas, devido a possíveis impactos negativos que essas medidas teriam, especialmente sobre setores industriais brasileiros que importam itens dos EUA. Por isso, a escolha tem sido a via da negociação.
O Brasil tem encontrado dificuldade para dialogar com os EUA a respeito das tarifas, mas há sinais de que as negociações podem avançar na semana que vem, quando Haddad informou que conversará com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.
Esse primeiro diálogo será na quarta-feira (13), de forma remota. Caso a conversa seja produtiva, pode acontecer um encontro presencial mais à frente, disse o ministro.
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem rejeitado a ideia de conversar diretamente com norte-americano Donald Trump, diante da falta de abertura de diálogo por parte do líder americano.
Apesar do começo do tarifaço, o Ibovespa opera em forte alta nesta quarta-feira, avançando acima de 1%, perto das 11h. Na avaliação de Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, os ativos que poderiam ser mais afetados pela sobretaxa já tiveram seus preços ajustados. Esse é o caso de produtoras de carnes, como Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3), e siderúrgicas, como CSN (CSNA3) e Gerdau (GGBR4).
"A reação no mercado ao início desse tarifaço não está sendo grande, uma vez que o ajuste que poderia ser feito, já aconteceu lá atrás, especialmente nas empresas de proteínas, mas nada de muito grande", comenta o especialista.
No caso do dólar, a expectativa maior é pelo andamento das conversas entre o Brasil e os EUA. Enquanto isso, o investidor pode esperar volatilidade, aponta Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.
"O dólar deve continuar oscilando nesse patamar entre R$ 5,50 e R$ 5,60, dependendo do progresso nas conversas que o Brasil vai ter com os Estados Unidos. O real deve continuar pressionado, ainda com um pouco de volatilidade, enquanto não houver uma sinalização clara de negociação entre os países ou até de uma suspensão das tarifas", afirma.
(Colaboraram Carolina Aragaki e Flávia Said)
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