Destrinchando o tarifaço: quem ganha e quem perde com a decisão de Trump?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos

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Atualizado em
31/07/2025 às 11:47
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 31/07/2025 - O governo dos Estados Unidos oficializou ontem o tarifaço de 50% contra produtos importados do Brasil com 694 exceções, o que foi visto por alguns analistas como um certo alívio. As tarifas entrarão em vigor em 6 de agosto.
Cálculos da Leme Consultores apontam que a lista dos produtos que ficaram de fora atenua em 41% o impacto sobre o Brasil. De janeiro a junho deste ano, o Brasil exportou US$ 20 bilhões para os Estados Unidos. Desse total, US$ 8,2 bilhões (41%) são de produtos que figuram na lista de exceções, enquanto US$ 11,81 bilhões são produtos que foram atingidos (59%).
Já o ASA Investimentos prevê que a isenção deve atingir em torno de 30% e ficar concentrada em oito produtos, que respondem por 90% do valor, dentre eles o petróleo bruto, querosene e ferro fundido.
Vale ressaltar que ainda segue válida uma tarifa de 10% sobre a ampla maioria dos produtos brasileiros exportados aos EUA, conforme anunciado em abril. O que valerá a partir de 6 de agosto é uma sobretaxa de 40%, que será somada aos 10%, sobre alguns produtos.
Logo após a divulgação das medidas, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o cenário de impacto com o tarifaço não era "o pior possível". "Parece que, do ponto de vista de efeito econômico, é menor que o panorama anterior", disse. Mas ressaltou que "o cenário do tarifaço não sendo o pior não quer dizer que não há impactos".
Já a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) avaliou que, embora as exceções "atenuem parcialmente" os efeitos da tarifa, "ainda há um impacto expressivo sobre setores estratégicos da economia brasileira".
A seguir, entenda quem ganha e quem perde com o tarifaço oficializado ontem:
A Embraer tem sido citada como a principal "vitoriosa" do processo, uma vez que aeronaves civis e seus componentes foram excluídos da lista de tarifas - permanecendo apenas com a sobretaxa de 10% anunciada em abril. Após a oficialização do tarifaço, a ação da companhia (EMBR3) saltou na reta final do pregão ontem, fechando com ganho de 11%.
"A leitura foi clara: a isenção tirou da mesa o risco de um impacto direto nas margens e nos prazos de entrega da empresa, o que foi suficiente para destravar valor e trazer respiro para o papel, que vinha sofrendo com o noticiário das últimas semanas", comentou Rodrigo Vignoli, especialista de renda variável da InvestSmart XP.
A lista também excluiu da sobretaxa a celulose, o que pode ser positivo para a Suzano (SUZB3), e o suco de laranja, além do petróleo.
Por outro lado, a tarifa de 50% foi mantida para o setor de carnes, o que pode mexer com Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3), e para o café.
As associações que representam ambos os setores (Abiec e Abic, respectivamente) afirmaram que a extensão do prazo de entrada em vigor das tarifas para 6 de agosto é visto como sinal positivo. Para a Abic, o adiamento indica que há espaço para negociação com o governo americano.
Já a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), outro setor que continuou atingido pelas tarifas, avalia que a imposição da sobretaxa adicional de 40% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos deve "inviabilizar" as vendas para o mercado americano.
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