Crédito privado sugere estratégia mais cautelosa e seletiva para 2025 após recorde em 2024
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos
Atualizado em
23/12/2024 às 14:16
Por Fabiana Holtz, do Broadcast
São Paulo, 23/12/24 - Comemorando um ano recorde em emissões, o mercado de crédito privado prenuncia para 2025 estratégias mais cautelosas - tendo em vista o ambiente macroeconômico incerto. As projeções do mercado também apontam para uma manutenção dos spreads, que são a diferença entre a taxa de retorno oferecida pelo título de crédito privado e a taxa de retorno de um título considerado de menor risco, como títulos públicos do governo ou o próprio Certificado de Depósito Bancário (CDI).
O crédito privado captou R$ 633,6 bilhões em 2024, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). As debêntures lideraram com R$ 381,4 bilhões, com destaque para o setor de infraestrutura, mas os fundos de investimento foram os principais impulsionadores.
Chamou a atenção o crescimento do crédito privado no segmento pessoa física, observam Viviane Silva, Melina Constantino e Fernando Cunha, analistas do BB Investimentos (BB-BI). A participação do investidor PF nesse tipo de investimento cresceu consideravelmente, alcançando R$ 49,4 bilhões em subscrições no mercado de títulos isentos em 2024.
Confira a análise completa:
Tal movimento reflete a consolidação do crédito privado como alternativa relevante para diferentes perfis de investidores.
Mas, e em 2025, como é que ficam as coisas no crédito privado? Vejamos a seguir:
O que esperar do crédito privado em 2025?
Em relatório sobre perspectivas para 2025, o time do BB-BI observa que a demanda pelo crédito privado foi impulsionada por diversos fatores em 2024. Fato é que ser seletivo na escolha de ativos e emissores se tornou um ponto cada vez mais essencial e continuará a ser indispensável, ponderam os analistas, considerando os prêmios de risco em níveis bastante baixos e, até o momento, sem sinais claros de reversão para uma tendência de alta.
Além disso, a atual conjuntura de um período mais prolongado de juros elevados no Brasil, com o Banco Central indicando mais duas altas de 1 ponto porcentual na Selic nas primeiras reuniões do ano, exige mais cautela na alocação em títulos privados, principalmente ao considerar emissores mais alavancados e cíclicos, afirmam os analistas do BB-BI.
Gestores sugerem que em 2025 a busca por prêmios - isto é, ganhos maiores - pode exigir mais apetite por risco em papéis de rating inferior, de maior risco. O gestor Marcos Iório, da Integral Investimentos, concorda que "cautela" será crucial para evitar impactos negativos de uma eventual reprecificação do mercado.
Juros e inflação
Para os analistas do BB-BI, o protagonismo do crédito privado alcançado em 2024 se deve a uma conjunção de fatores. Entre os principais, a casa aponta os juros e inflação em níveis mais elevados do que inicialmente previsto, boa rentabilidade acumulada e, com isso, maior demanda.
Para 2025, esse mercado encontra um ambiente mais complexo e desafiador, alertam os especialistas, que demanda ajustes nas taxas, maior seletividade na gestão de fundos e a busca por retornos condizentes com os prêmios de risco.
Segundo Iório, da Integral, em outubro, os spreads de debêntures indexadas ao IPCA estavam em torno de 37 pontos-base, já indicando uma compressão significativa em relação ao início do ano.
Com a perspectiva de retornos mais conservadores, destaca Iório, combinado ao cenário macro econômico e provável elevação da Selic, o gestor deverá ser mais seletivo na escolha de emissores e ficar atento ao risco de crédito, especialmente em títulos de duração longa e spreads apertados.
Opções e previsibilidade
O mercado de crédito privado no Brasil, especialmente de debêntures, é muito concentrado em emissores com alta qualidade de crédito. Uma parte considerável do estoque tem classificação de rating AAA, recorda Iório.
Além disso, a maior parte do estoque de debêntures está concentrada nos setores ligados a infraestrutura, que possuem maior previsibilidade de faturamento e geração de caixa, podendo ser uma boa opção para momentos de cenário mais instável.
Ponto de atenção
A Selic elevada segue como ponto de atenção, ao tornar mais difícil a situação de empresas mais alavancadas. Na avaliação de Iório, a inadimplência deve crescer em 2025, reforçando a importância de ativos estruturados na carteira, como FIDCs, que oferecem maior garantia e mitigação de risco.

