Vibra: Atualização de crédito - Abril 2026
Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
09/04/2026 às 15:00
Momento operacional: a companhia vem aproveitando um ambiente competitivo mais favorável, consolidando uma sequência de bons resultados após avanços regulatórios no setor, com as operações Carbono Oculto e Poço de Lobato, que vêm interditando agentes irregulares, bem como a Monofasia do Etanol e o início de sanções por descumprimento na compra de CBIOs. Esses eventos estão reequilibrando o mercado, permitindo que a Vibra recupere market share, dinâmica que comentamos em nosso relatório setorial. Também destacamos a aprovação do projeto de lei do Devedor Contumaz, pauta histórica do setor que deve fortalecer o ambiente competitivo, na medida em que tende a reduzir as práticas ilícitas e trazer volumes para a legalidade, bem como o avanço do PLP 109/2025, que veio como resposta à operação Carbono Oculto e prevê compartilhamento de dados fiscais com a ANP. Como contraponto, destacamos que o último trimestre trouxe aumento de despesas operacionais, resultado financeiro pressionado e consumo de caixa no ano em função de maior capex, aquisições e remuneração aos acionistas.
Alavancagem e dívida: a aquisição da Comerc foi o principal motivo para a elevação do endividamento, além de impactos de capital de giro e maior nível de investimentos, resultando em uma alavancagem de 3,2x dívida líquida/EBITDA (2,4x se considerado o EBITDA ajustado), nível que consideramos elevado e que deve manter pressão sobre a rentabilidade no curto prazo. O prazo mais longo da dívida, associado a um custo relativamente baixo e à forte geração de caixa são contrapontos que atenuam riscos de crédito no curto e médio prazo.
Nossa visão: apesar de uma piora recente em sua alavancagem e capacidade de cobertura das despesas financeiras, entendemos tais dados dentro do contexto de aquisição integral da Comerc, empresa que já vem gerando contribuições significativas para o EBITDA do grupo. Colabora para a tese o baixo índice de dívida de curto prazo, em 5%, bem como a robusta capacidade de geração de caixa, sinalizando boas perspectivas em termos de risco de crédito, dada a elevada capacidade de honrar seus compromissos no atual modelo de negócios.

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