Vibra (VBBR3) 4T25: bons dados no trimestre, com avanço em margens e volumes; múltiplos mais altos e menor upside justificam mudança de recomendação para neutra
Daniel Cobucci, analista de investimentos do BB-BI, analisa os resultados da Vibra Energia no 4o trimestre de 2025.
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
12/03/2026 às 14:20
A Vibra reportou números positivos no 4T25, com aumento nos volumes vendidos, recuperação de market share na rede de postos (21,1%, +0,6 p.p. a/a) e margem EBITDA em patamar elevado. Como contrapontos, vemos: (i) elevação nas despesas operacionais, (ii) resultado financeiro ainda pressionado (–R$ 504 milhões vs. +R$ 185 milhões no 4T24) e (iii) alavancagem ainda alta, em 2,4x, apesar da queda de 0,4x na comparação trimestral, mas +1,6x a/a, refletindo a aquisição da Comerc. No trimestre, o EBITDA ajustado recorrente da Distribuição foi de R$ 1,59 bilhão (+42% a/a), com margem recorrente de R$ 167/m³ (+34,7% a/a), combinação que, somada ao ambiente regulatório mais equilibrado (após ações contra crime organizado no setor a partir do 2S25), reforça a continuidade de resultados operacionais sólidos.
Em conferência realizada hoje, executivos reforçaram a gestão do endividamento, prosseguindo com alongamento de prazos e redução de custos: a captação anunciada nesta semana é do tipo incentivada, com custo abaixo do CDI e prazo de 12 anos, com objetivo de antecipar pagamento de dívidas vencendo entre três e quatro anos, com custos acima do CDI. A companhia pagou R$ 562 milhões em dividendos no trimestre (exercício 2024) e anunciou JCP de R$ 1,2 bilhão (exercício 2025) a ser pago em 2026, além de bonificação de ações de R$ 800 milhões.
Destaques financeiros.
No trimestre, a receita líquida ajustada atingiu R$ 50,5 bilhões (+13,5% a/a), com forte avanço no lucro bruto ajustado (+35% a/a). O EBITDA ajustado atingiu R$ 2,6 bilhões (+100,5% a/a), devido à menor base de comparação do 4T24, além da consolidação do segmento renováveis (EBITDA @stake de R$ 312 milhões, +4% a/a), e também da maior rentabilidade da distribuição. O fluxo de caixa operacional foi de R$ 1,41 bilhão (+2,9% a/a), totalizando R$ 6,7 bilhões no ano, forte avanço de 61% ante 2024. No entanto, face ao maior Capex (R$ 1,4 bilhão, +28% a/a), aquisição da Comerc, distribuição de dividendos e maior volume de captações, o resultado do consolidado no ano foi um consumo de caixa na ordem de R$ 6,7 bilhões.


Resultados por segmento.
Na Rede de Postos, o volume de vendas aumentou 7,2% a/a, com destaque para a forte elevação na margem bruta (R$ 262/m³, +18% a/a), levando o EBITDA recorrente a R$ 1,2 bilhão (+44% a/a), com margem recorrente de R$ 194/m³ (+34% a/a), dado o melhor mix (maiores vendas de combustíveis premium), e eficiências logísticas. No B2B, volumes de vendas aumentaram 2,3% a/a, receita de R$ 18,5 bilhões (+12,4% a/a) e EBITDA recorrente de R$ 550 milhões (+41,8% a/a), com margem recorrente de R$ 159/m³ (+38,6% a/a), com destaque para QAV (+11,6% a/a) e diesel (+3,2% a/a). Em Renováveis, a Comerc manteve o guidance anual, com EBITDA @stake de R$ 312 milhões (+4% a/a) no trimestre, apesar do curtailment na geração centralizada. , patamar que entendemos favorável e que, combinado a um ambiente regulatório mais favorável, deve seguir como gatilho para continuidade da boa performance do papel em bolsa, que acumula alta de 43% no ano.
A Vibra vem consolidando bons resultados, aproveitando o contexto de avanços regulatórios no setor, com destaque para a operação Carbono Oculto, como já comentamos em nosso relatório setorial. Também destacamos a aprovação do projeto de lei do Devedor Contumaz, pauta histórica do setor e que deve fortalecer o ambiente competitivo, na medida em que deve reduzir as práticas ilícitas e trazer volumes para legalidade. Apesar desse cenário positivo, vemos desafios relevantes, já que os volumes B2B seguem pressionados, as despesas operacionais por m³ aumentaram, e o custo financeiro tem sido um fardo sobre a rentabilidade. Também fica no radar um eventual agravamento dos impactos do curtailment sobre a rentabilidade da Comerc. A alavancagem, embora tenha iniciado um bem-vindo movimento de declínio neste trimestre, continua alta e deve manter a rentabilidade pressionada no curto prazo. Diante de tal contexto e considerando que a forte alta observada nos últimos meses retirou nosso upside para a companhia, e que os múltiplos ficaram mais esticados (EV/EBITDA em 11,4x está mais de um desvio padrão acima da média de 2 anos), alteramos nossa recomendação para Neutra (antes Compra), mantendo o preço-alvo de R$ 27,00 para 2026.
Desempenho da Ação.
O papel VBBR3 sobe 121% nos últimos 12 meses, bastante acima dos 49% do Ibovespa e de seu principal par listado – Ultrapar (+88%) – no mesmo período. Em nossa opinião, tal performance deriva da Vibra seguir demonstrando resiliência em um setor desafiado por altas taxas de juros e perda de competitividade devido a fraudes, mas com bons retornos e um portfólio diversificado, ainda que a aquisição da Comerc e os impactos em despesas financeiras pela aquisição, e do curtailment no setor, sejam os principais responsáveis pelos efeitos adversos na geração de caixa no curto prazo.

VBBR3 vs IBOV

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