Raízen: Atualização de crédito - Fevereiro/2026
Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB

Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
03/03/2026 às 16:09
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Momento operacional: a Raízen atravessa um momento operacional bastante desafiador, com forte contraste entre segmentos: enquanto a distribuição no Brasil mostra certa resiliência, com crescimento de volumes, melhora de margens e avanço do apoiado por melhor mix, precificação e ambiente competitivo mais racional, o segmento sucroenergético segue pressionado por queda de moagem, menor produção de açúcar e etanol e pior diluição de custos, resultando em forte retração do EBITDA. Esse quadro operacional desfavorável, somado ao alto custo financeiro, elevada e alto consumo de caixa, culminou em prejuízo significativo no 3T26 (ano safra), agravado pelo de R$ 11,1 bilhões, levando a companhia a reduzir investimentos, priorizar de manutenção e acelerar a venda de ativos em conjunto com alternativas para reestruturação de capital. Na teleconferência sobre os resultados do 3T26, realizada em 13/02, a administração da companhia não mencionou detalhes a respeito das medidas que estão em curso para a readequação da sua estrutura de capital, e apontaram o avanço das negociações de venda das refinarias na Argentina, mas, sem outras medidas, não vemos como suficiente para equacionar o patamar de endividamento.
Alavancagem e dívida: a situação do endividamento é crítica e segue se deteriorando, com a em R$ 55,3 bilhões, alta de 43,4% em 12 meses, levando a uma alavancagem de 5,3x EBITDA ajustado, bem acima dos 3,0x registrados no ano anterior. Apesar de a companhia ainda contar com prazo médio da dívida relativamente longo (7,6 anos) e caixa de R$ 17,3 bilhões, a (i) forte queima de caixa operacional, (ii) o aumento do custo financeiro com CDI elevado, (iii) os rebaixamentos sucessivos de rating por Moody´s, S&P e Fitch e (iv) a percepção de risco de renegociação, devem limitar severamente o acesso a novas fontes de financiamento. Neste contexto, a venda de ativos relevantes e/ou uma se tornam indispensáveis para reequilibrar a estrutura de capital e mitigar o risco de soluções mais gravosas para os credores.
Nossa visão: o agravamento da percepção de risco nos últimos dias evidenciou a deterioração financeira da companhia, especialmente após a confirmação da contratação de assessores financeiros e legais para avaliar alternativas de reestruturação, incluindo menções a um possível _haircut_ da dívida. Além disso, persistem as dúvidas em relação à capacidade e disposição dos acionistas controladores em liderar uma capitalização adequada às necessidades da companhia. Em resumo, a melhora da percepção de risco da empresa depende da execução do plano de reorganização financeira, mantendo riscos significativos até que ocorra uma solução estrutural para equalizar o capital da companhia.

Outras análises
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