O avanço das stablecoins no Brasil em meio à escalada do IOF
Publicado por: TradingView
6 minutos
Atualizado em
18/08/2025 às 17:13
Sempre que as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobem, quem precisa fazer movimentações internacionais sente o bolso. Enviar dinheiro para fora, investir no exterior ou pagar serviços em outras moedas fica mais caro em cada etapa, levando muita gente a repensar suas escolhas.
Nesse cenário, um tipo de criptoativo ganhou espaço como alternativa mais prática, barata e segura: as stablecoins. Elas funcionam como uma ponte entre o universo cripto e o sistema financeiro tradicional, oferecendo estabilidade cambial e custos menores em transferências internacionais.
Como funcionam as stablecoins?
Em linhas gerais, stablecoins são criptomoedas desenhadas para manter o valor estável, algo pouco comum entre criptoativos “tradicionais”. A maioria das moedas digitais oscila conforme oferta e demanda: se a procura aumenta, o preço sobe; se cai, o preço recua. Além disso, muitas não possuem lastro.
Enquanto as cotações do Bitcoin ou Ethereum variam ao longo do dia, as stablecoins são atreladas a ativos mais estáveis, como dólar, euro, ouro ou títulos públicos. Na prática, uma stablecoin indexada ao dólar, como USDT ou USDC, busca valer aproximadamente 1 dólar. Essa previsibilidade ajuda em operações de câmbio, pagamentos internacionais e proteção contra a volatilidade do real.
A emissão é feita por empresas ou protocolos que mantêm reservas equivalentes ao número de tokens em circulação. Há modelos centralizados, com auditorias e garantias em instituições financeiras, e modelos descentralizados, que usam contratos inteligentes e algoritmos para manter a paridade.
Por que as stablecoins estão crescendo?
Nos últimos anos, elas deixaram o nicho cripto e passaram a ocupar um lugar relevante nas discussões sobre meios de pagamento, proteção de valor e inovação no câmbio. O principal motor é a estabilidade: em tempos de incerteza econômica, oscilações cambiais e aumento de impostos como o IOF, ter acesso a um ativo digital referenciado em moedas fortes se torna atraente. Stablecoins ajudam a preservar poder de compra e a reduzir surpresas ao enviar ou receber recursos.
A tecnologia blockchain também pesa a favor. As transações ficam registradas em redes públicas e descentralizadas, garantindo transparência, rastreabilidade e segurança. De quebra, as transferências internacionais acontecem em minutos, com menos burocracia, sem as taxas bancárias tradicionais e sem os prazos longos de SWIFT.
A praticidade impulsiona a adoção: hoje é simples comprar, vender e transferir stablecoins por apps e plataformas acessíveis. Algumas soluções já permitem pagar produtos, serviços e até boletos diretamente com essas moedas digitais, com a agilidade de um Pix e alcance global.
Mais do que “moedas da internet”, as stablecoins vêm se consolidando como ferramenta estratégica para transações internacionais, especialmente em países com moedas instáveis ou tributação elevada sobre operações externas.
Por que ganham destaque com o IOF em alta?
Com a recente unificação das alíquotas de IOF em operações de câmbio para 3,5%, muitos brasileiros buscaram alternativas para reduzir custos e encontraram nas stablecoins uma solução eficiente, prática e econômica.
Diferentemente do câmbio tradicional, transações com stablecoins não estão diretamente sujeitas ao IOF, pois esses ativos são classificados como criptoativos, não como moeda estrangeira. Ou seja, comprar uma stablecoin não equivale a comprar dólares em espécie: trata-se de adquirir um token lastreado em dólar, o que viabiliza exposição à moeda americana sem as mesmas tarifas que encarecem o câmbio.
Essa vantagem fiscal chamou a atenção de pessoas físicas e pequenos negócios que fazem remessas frequentes ou pagam fornecedores no exterior. Enquanto o câmbio convencional costuma ter custos e fricções, stablecoins permitem transferências em minutos, com total transparência e rastreabilidade via blockchain.
Importante: embora sejam uma alternativa real para transferências internacionais, stablecoins não substituem formalmente as operações de câmbio reguladas pelo Banco Central. Por isso, é essencial usar empresas autorizadas e soluções confiáveis. Ainda assim, o aumento do IOF apenas acelerou uma tendência já em andamento.
Invista com app Investimentos BB


