Depois do halving do bitcoin, o que acontecerá com o ethereum?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
17/04/2024 às 10:13
Por Luana Pavani, do Broadcast
São Paulo, 16/04/2024 - A poucos dias do halving do bitcoin, um evento técnico que se destina a enxugar a quantidade dessa criptomoeda no mercado para reforçar sua liquidez, muitos investidores se perguntam qual será a próxima bola da vez. O ethereum, criptoativo considerado o segundo maior em valor de mercado, seria a aposta natural. Entretanto, especialistas explicam que não há uma correlação direta, já que os ativos tem características distintas.
O BTC é mais uma moeda de transação, enquanto o ETH funciona como uma tecnologia para investimentos alternativos, como Tokens e outras aplicações na sua rede (blockchain). De toda forma, é consenso entre analistas cripto que o halving do bitcoin vá resultar a médio prazo em uma valorização do ativo, que por sua vez terá um efeito positivo sobre os demais do setor.
Especificamente sobre o ethereum, a alavanca esperada para sua valorização é a aprovação pela Securities and Exchange Comission (SEC), o órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, de alguns ETFs (fundos negociados em bolsa) ligados a essa cripto. Quando e se serão aprovados, não se sabe. Até o início deste ano, especulava-se que a SEC aprovaria esses ETFs de ethereum logo na sequência dos ETFs de bitcoin à vista (spot), mas até agora não houve sinal. Os 11 ETFs de BTC à vista foram regulados nos EUA em 11 de janeiro.
"O que deve mesmo mexer com o preço do ethereum é a aprovação de ETFs, talvez em maio", diz André Franco, head de Research do Mercado Bitcoin, a maior exchange (corretora cripto) brasileira.
Ele observa que essa expectativa vem diminuindo desde o começo do ano, porque outra criptomoeda acabou se destacando no meio do caminho, a Solana.
"Imaginava-se que o ethereum iria até superar a valorização do BTC, por ser o principal ativo alternativo, mas essa rede tem sido vista como cara, e a Solana acabou chamando atenção por ser mais barata dentro do mesmo aspecto de utilidade", explica o analista. No ano até agora, o BTC teve alta em média de 64%, o ETH de 53% e a Solana, de 190%, cita Franco.
O analista da Foxbit, Beto Fernandes, concorda que o halving é um evento técnico que afeta somente o bitcoin, mas lembra que nas exchanges descentralizas e bolsas de derivativos são negociados pares de moedas, como BTC e ETH, e nesse caso faria algum sentido. "Não tem correlação de eventos; a suposta valorização do ETH é mais especulação de mercado neste momento", afirma.
Quanto aos ETFs de ETH, Fernandes menciona alguns relatórios estrangeiros que já duvidam que a aprovação pela SEC possa ocorrer este ano, embora haja interesse do mercado institucional, com grandes gestoras de investimentos apresentando à SEC suas ofertas de fundos ethereum. "O ETH segue com as fontes tradicionais de mercado de capital, mas ainda não tem o ETF, e sua aprovação é uma incógnita."
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Fernandes destaca que o halving é um processo de deflacionário, com potencial para multiplicar o valor do bitcoin nos próximos meses, já que haverá menor quantidade desses títulos disponíveis em circulação. A projeção do analista da Foxbit, com base no modelo de estoque (stock to flow) é de uma subida de 500% no primeiro semestre de 2025 em relação à última máxima histórica do bitcoin, quando estava com o preço de US$ 74 mil. Há pouco, o BTC valia US$ 63 mil.
Para o assessor de investimentos da Transfero Prime, Lucas Panisset, o halving também pode influenciar a percepção do bitcoin como uma reserva de valor, atraindo mais investidores institucionais e varejistas. "Desde a crescente adoção institucional até o interesse renovado do varejo, há muitas razões para ser otimista em relação ao futuro do bitcoin após o próximo halving", afirma.
- O halving do bitcoin é um evento programado que ocorre a cada 210.000 blocos minerados, aproximadamente a cada quatro anos. Durante o halving, a recompensa que os mineradores recebem por validar transações na rede é reduzida pela metade. Como a moeda vai se tornando escassa, influencia o preço do ativo.
O evento tem também o efeito de incentivar que os mineradores se mantenham interessados em atuar e "proteger" a rede do bitcoin. No início, existiam 50 bitcoins por bloco minerado, como recompensa, que a cada quatro anos é reduzida pela metade. Assim, em 2009, eram 50; em 2013, eram 25; em 2017, 12,5; em 2021, 6,25; em 2024, será 3,125, e assim sucessivamente. Desse modo, é possível limitar a quantidade máxima de moedas que irão existir, como explica o Mercado Bitcoin.
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Não há data exata marcada, mas a previsão é que o corte na emissão de bitcoins ocorra no dia 19 ou 20 de abril.

