Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
São Paulo, 29/11/2024 - O Brasil tem a oportunidade de ser destaque na agenda de tokenização da economia global e pode até liderar o processo perante pares globais. É o que mostra o "Brazil Tokenization Report 2024", um relatório lançado nesta sexta-feira pela gestora de ativos alternativos Nexa Finance em parceria com a Fintrender.
O estudo cita algumas características peculiares do Brasil para justificar a tese, como o fato de o País ser o sexto do mundo em termos de investidores em criptoativos e ter a quinta maior população com acesso a meios digitais no planeta.
"O Brasil tem uma população altamente digitalizada, adepta a novas tecnologias e com alguns problemas a serem resolvidos, o que abre espaço para a inovação e traz um diferencial para o País na corrida pela tokenização", afirma Maria Cecília Melo, sócia da Nexa Finance.
O efeito Pix
Vira e mexe, o Pix é citado como um caso de sucesso global de aceitação de uma nova tecnologia pela população. O volume financeiro movimentado pelos brasileiros através do Pix deve crescer 58,8% em 2024 na comparação com 2023, chegando a R$ 27,3 trilhões, estima a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O número de transações com uso da ferramenta deve saltar 52,4%, para 63,7 bilhões.
Meio de pagamento mais utilizado pelos brasileiros, o Pix já movimentou R$ 19,1 trilhões neste ano, em 45,7 bilhões de operações. Os dois números, referentes ao acumulado entre janeiro e 30 de setembro, são maiores que os registrados em todo o ano de 2023.
O sucesso do Pix traz otimismo para os analistas em torno da adesão da população ao Drex, também chamado de real digital, que será o real no formato de token. O meio de pagamento será dedicado a transferências mais complexas, como a venda de um imóvel ou carro, dentro da rede blockchain que o BC vem construindo com apoio dos membros do sistema financeiro, por meio dos chamados "smart contracts", ou contratos inteligentes.
"O Drex vai trazer transparência, programabilidade e segurança para todo o ecossistema financeiro, tornando ativos reais mais acessíveis e eficientes", diz a Nexa Finance no relatório.
O Drex será um criptoativo do tipo CBDC, que significa "moeda digital de banco central", na sigla em inglês. O real digital terá o mesmo valor que a moeda física, mas existirá apenas em formato virtual.
Termina nesta sexta-feira (29/11) o prazo para que as instituições interessadas se inscrevam para participar da segunda fase do piloto do Drex, na qual entidades do setor financeiro poderão testar casos de uso do real digital e dos "smart contracts" na rede blockchain.
Em evento na última quarta-feira (27), o coordenador do projeto do Drex no BC, Fabio Araújo, afirmou que o mercado "está fervilhando" de ideias para a aplicação do real digital e que ao menos 20 casos de uso podem aparecer na segunda fase do piloto do programa. Segundo Araújo, o relatório da primeira fase do piloto, que teve testes de segurança, privacidade e agilidade da plataforma, deve sair ainda em dezembro deste ano.
BC 'amigo' da inovação
Outro fator destacado no relatório é a abertura do Banco Central, principal regulador do sistema financeiro brasileiro, à inovação. Os analistas citam, inclusive, uma "cultura de inovação" no BC que pode transformar a complexidade de uma nova tecnologia em oportunidade para o País.
"O BC do Brasil tem uma atuação transformacional ao promover a inovação por meio de um sandbox regulatório que permite testar soluções avançadas, do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (LIFT) e do programa Next, que promove a aceleração do crescimento de fintechs", afirma o relatório da Nexa Finance/Fintrender.