Após halving, bitcoin fica mais escasso que ouro, mas preço ainda está longe da máxima
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos
Atualizado em
25/04/2024 às 11:05
Por Luana Pavani e Aramis Merki II, do Broadcast
São Paulo, 23/04/2024 - Eis que o tal halving do bitcoin aconteceu. Como era de se esperar, esse movimento técnico, que reduziu a quantidade de bitcoins disponíveis no mercado, fez seu preço subir, de acordo com a lógica do mercado quanto ao critério de escassez de ativos. O curioso é que o "ouro digital", como também é chamada essa criptomoeda, está agora mais escasso do que o próprio ouro físico. É o que aponta um relatório da Ecoinometrics, comparando os dois ativos na linha do tempo dos halvings.
O modelo matemático "stock-to-flow" (estoque sob fluxo), que calcula a razão entre a quantidade de bitcoins em circulação e a quantidade produzida via mineração em um dado ano, mostra que quanto maior o resultado, mais escasso é o ativo. Conforme o estudo, nos últimos cem anos, a média de estoque sob fluxo do ouro ficou em torno de 66. No terceiro halving, ocorrido em 11 de maio de 2020, o dado atribuído ao bitcoin era 56, portanto menor que o do ouro. Mas como resultado do halving atual, ocorrido em 19 de abril de 2024, o stock-to-flow do bitcoin deve atingir o dobro do ouro.
Impacto do halving pode ter sido antecipado
Quanto ao preço, a cotação do BTC era de aproximadamente US$ 64.262 no dia do halving, sexta-feira passada, segundo a Binance, e nas últimas 24 horas chegou a registrar a máxima de US$ 67.232.
Vale lembrar que o halving mais recente contou com um ingrediente novo: a aprovação dos fundos de índice (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista nos Estados Unidos, em janeiro. Pela primeira vez na história do bitcoin, o ativo atingiu sua nova máxima histórica antes, em vez de depois do halving, aponta a Binance em relatório. O pico foi alcançado em 11 de abril, na casa dos US$ 72 mil.
Ainda de acordo com a Binance, é difícil prever a data exata do próximo halving. Os algoritmos do bitcoin preveem uma redução pela metade na emissão de novas unidades a cada quatro anos. Este corte afeta diretamente a oferta do criptoativo no mercado. "Como o halving ocorre a cada 210.000 blocos, espera-se que o próximo halving do Bitcoin ocorra em 2028", explica a maior corretora cripto ("exchange", no jargão do setor) do mundo.
No halving, quem emprega computadores na rede do bitcoin, os mineradores, passa a receber menores recompensas por seu trabalho. A remuneração, que até semana passada era de 6,25 bitcoins emitidos por bloco, agora é de 3,125 bitcoins.
"Geralmente, quando se diminui a oferta e mantém (ou aumenta) a demanda, a tendência é identificar um preço de equilíbrio maior para o ativo. Por isso, a expectativa, a longo prazo, é que o bitcoin se valorize cada vez mais, a partir do choque na oferta a cada quatro anos", diz a exchange Mercado Bitcoin (MB) em relatório.
Um ano após o primeiro halving, em 2012, o bitcoin subiu de US$ 12 para mais de US$ 1,1 mil, ou seja, mais de 90 vezes. Em 2016, a valorização foi de 30,1 vezes e, em 2020, o preço do criptoativo foi multiplicado em 7,8 vezes no ano seguinte ao corte de emissões. A gestora especializada no setor Pantera Capital projeta que o bitcoin pode crescer 4,2 vezes nos 12 meses seguintes ao quarto corte realizado.
A Mynt, plataforma cripto do BTG Pactual, destaca ainda que o esperado ciclo de afrouxamento monetário nos EUA é também fator relevante. Com a queda das taxas de juros por lá, os ativos de risco, como bitcoin, ganharão atratividade.
Há especialistas que enxergam que o advento dos ETFs antecipou boa parte do impacto do halving.
A casa de análise Mercurius Crypto aponta que o volume de moedas criadas é ínfimo diante da negociação nas corretoras, que está em cerca de 370 mil bitcoin por dia. No novo ciclo, desde o dia 19, serão 450 bitcoin criados diariamente, o que representa menos de 0,1% do que é negociado.
"Podemos concluir que o halving não é mais o fator mais importante na definição dos ciclos. Ainda é possível que a demanda aumente por conta da narrativa que ainda existe em cima deste evento, porém, ela se tornou totalmente especulativa, dado que os fundamentos por trás dela - de redução de oferta - são, hoje, inócuos", avalia a casa em relatório.
Pode haver maior impacto na mineração de bitcoin. Para o analista Ilan Solot, da Marex Asset, haverá a extinção em massa dos mineradores menos lucrativos, ou seja, os com menos capacidade operacional. "O bolo diminuirá, mas os mineradores cotados (de capital aberto) e bem capitalizados receberão uma fatia muito maior das recompensas. Eu não ficaria surpreso em ver uma recuperação massiva neste setor nos próximos meses", diz, em relatório.
Efeito em outras criptomoedas
O efeito cascata com a alta do bitcoin costuma acontecer, já que o principal dos ativos digitais é visto como o indicador de saúde do mercado, avalia a Mynt. "Um aumento no seu preço tende a elevar o sentimento geral do mercado, encorajando os investidores a explorar outras criptomoedas em busca de oportunidades de ganho."
Os projetos cripto de primeira camada, como ethereum e solana, são base para a criação de tokens na economia descentralizada. Com otimismo em relação ao setor, portanto, eles podem ser os primeiros a colher benefícios.
Leia também: Criptomoeda, token, NFT: conheça os termos para investir em criptoativos

