Investimentos sustentáveis devem seguir atrativos em 2025, mas 'risco Trump' fica no radar
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
15/01/2025 às 12:17
Por Gustavo Boldrini e Bruna Camargo, do Broadcast
Após um desempenho positivo em 2024, os ativos de investimentos sustentáveis devem continuar sendo atrativos em 2025 na visão de analistas. No entanto, o risco de que a agenda de meio ambiente, responsabilidade social e governança corporativa (ESG, na sigla em inglês) se enfraqueça durante o novo governo de Donald Trump nos Estados Unidos também segue no radar.
Em 2025, o mundo tende a aumentar o foco em assuntos como transição energética e temas sociais, desenvolvimentos regulatórios e impactos na economia real em torno de geopolítica e descarbonização, segundo estudo produzido pelo UBS Wealth Management (UBS WM).
A rentabilidade também deve ser um ponto a chamar atenção de investidores e gestores de portfólio. Ao fim do ano passado, estratégias ESG atingiram ou superaram ligeiramente seus respectivos índices de referência, de acordo com o UBS, citando dados da Bloomberg.
O cenário-base do UBS WM para 2025 é de crescimento econômico sustentado globalmente e de cortes de taxas de juros por bancos centrais, embora em ritmo menor que em 2024. Nesse ambiente, investidores devem encontrar "rendimentos atraentes" em títulos verdes, sociais e sustentáveis, além de mais espaço para entrar em ações de companhias com objetivos ESG.
A transição para uma economia de baixo carbono deve ser o centro das atenções. "Com a meta de aumento de 1,5 grau Celsius [na temperatura média global] cada vez menos provável e o impacto das alterações climáticas cada vez mais visível, esperamos foco adicional no investimento em adaptação e resiliência".
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Risco Trump versus riscos climáticos
Apesar da visão otimista, o governo Trump 2.0 indica cautela para o universo ESG. Tudo indica que o presidente eleito vai se manter fiel às promessas de campanha. Segundo apuração da Dow Jones Newswires desta terça-feira, Trump está planejando uma série de ordens executivas para impulsionar os combustíveis fósseis e reverter as políticas ambientais do atual governo de Joe Biden, que incentivavam a adoção de veículos elétricos, incluindo a suspensão de limites à perfuração de petróleo offshore e em terras federais.
O presidente eleito também pode retirar os EUA do Acordo Climático de Paris, além de retomar a aprovação de projetos de exportação de gás natural liquefeito (GNL).
Para Fabio Alperowitch, fundador e CIO da Fama Capital, o abandono de compromissos de diversidade e de sustentabilidade pode trazer impactos sistêmicos e fiduciários ao mercado. Afinal, segundo ele, "incorporar os riscos climáticos à análise financeira não é uma questão de preferência ideológica, mas uma obrigação de boa governança".
Isso porque os impactos das mudanças climáticas são visíveis e podem ser sentidos por todos, incluindo empresas e investidores.
"Os riscos físicos incluem o comprometimento de cadeias de suprimento e desvalorização de ativos imobiliários, enquanto os riscos de transição incluem a reprecificação de ativos diante de regulações mais rigorosas, avanços tecnológicos disruptivos e mudanças no comportamento do consumidor, que podem tornar modelos de negócios obsoletos e causar perdas irreversíveis de valor para empresas despreparadas", afirma Alperowitch, em artigo publicado no LinkedIn.
Para o gestor, apesar do novo governo Trump poder atuar para atrasar a transição energética e outras questões climáticas, "a realidade bate à porta", por exemplo, nos incêndios florestais que têm devastado a cidade de Los Angeles, na Califórnia.
"Por mais que ele [Trump] seja um porta-voz do negacionismo, ele é pragmático e entende que a conta está chegando", avalia.
Um outro revés recente na agenda ESG na área financeira foi o abandono do compromisso com metas ambientais por parte de alguns dos maiores bancos de investimento e gestoras do mundo. Nomes como BlackRock, Goldman Sachs, JPMorgan, Morgan Stanley, Bank of America, Citibank e Wells Fargo recentemente saíram a da aliança global do setor bancário em torno do atingimento do carbono zero em suas operações, conhecida como NZBA, uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em novembro do ano passado, um grupo de estados americanos liderados por membros do Partido Republicano processaram empresas como BlackRock, Vanguard e State Street, três das principais gestoras do país, pelo incentivo a políticas pró-clima que teriam sido responsáveis pelo aumento dos preços de energia.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o analista Toby Kwan, da consultoria Carbon Trust, afirmou que a decisão desses bancos pode dar a eles mais flexibilidade sobre quais setores vão incluir em suas metas ambientais, além de reduzir o rigor dos prazos a se cumprir.
Como investir em ativos sustentáveis?
Quem se importa com meio ambiente, diversidade e inclusão e ética empresarial tem muitas opções a escolher no universo ESG. Para montar uma carteira de ações ESG, o BB Investimentos oferece sugestões de empresas sustentáveis, atualizada mensalmente, na editoria Onde Investir.
Tanto a B3, que administra a bolsa de valores brasileira, quanto a Anbima, associação que reúne gestores de fundos de investimento entre outros agentes que atuam no mercado de capitais, podem te ajudar.
- No caso da Bolsa, ela agrupou empresas em índices focados em sustentabilidade e governança corporativa, como o IGC-NM (Índice de Governança Corporativa do Novo Mercado), o ICO2, de empresas com baixo impacto de carbono, e o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial).
No site da Anbima você também pode conferir alguns fundos ESG e os fundos sustentáveis, que levam o sufixo IS, marcando o que têm objetivo/mandato de investimento 100% sustentável.
Além disso, corretoras e bancos de investimento facilitam a seleção de ativos para seus clientes, oferecendo carteiras de ações ou fundos ESG. O Banco do Brasil, por exemplo, oferece uma Carteira ESG chamada Seleção BB ESG, que você pode conferir aqui.

