Round 6 e a armadilha da Aversão à Perda: por que é tão difícil sair de um mau investimento
Publicado por: Colunistas
6 minutos

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Atualizado em
09/06/2026 às 17:42
Lembra da série coreana Round 6, que fez sucesso no mundo inteiro? Na trama, centenas de pessoas endividadas são atraídas para um jogo mortal com a promessa de um prêmio bilionário. As regras permitem que todos saiam, caso a maioria seja a favor.
Talvez você já saiba a resposta: a maioria insiste em continuar. Por quê? Porque a sensação de “perder a chance” do prêmio final é insuportável. Mesmo diante de riscos extremos, a decisão de seguir no jogo parece mais aceitável do que encarar a perda de forma definitiva.
Claro que nessa metáfora existem outros elementos que influenciam a decisão de permanecer no jogo. No entanto, hoje gostaríamos de retratar o que os psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky, identificaram na Teoria da Perspectiva (Prospect Theory): psicologicamente, sentir uma perda é muito mais doloroso do que o prazer equivalente de ganhar.
Estudos sugerem que a dor psicológica de perder R$ 100 seja de 1,5 a 2,5 vezes mais intensa do que a alegria de ganhar a mesma quantia. Esse fenômeno é conhecido como o viés de Aversão à Perda (Loss Aversion), presente tanto nas decisões de consumo quanto nas de investimento.
Do ponto de vista evolutivo, evitar perdas foi crucial para a sobrevivência. Nossos ancestrais não podiam arriscar um recurso essencial, como comida ou abrigo, apenas para buscar um ganho incerto. Esse instinto ficou gravado em nossa arquitetura mental.
Hoje, mesmo sem a ameaça de predadores ou da escassez extrema, nosso cérebro processa perdas como uma ameaça real. Isso ativa regiões como a amígdala, ligada ao medo e à resposta de luta ou fuga, levando a decisões mais emocionais e menos racionais.
Trazendo para os investimentos, isso significa que, quando vemos um ativo cair de valor, não enxergamos apenas números menores no extrato — sentimos isso como uma ameaça ao nosso senso de segurança e competência. Por isso, tendemos a segurar posições perdedoras por mais tempo do que deveríamos, na esperança de “recuperar o que foi perdido” antes de vender.
A aversão à perda pode levar a três armadilhas principais:
Especialistas recomendam práticas que ajudam a reduzir o peso emocional das perdas:
Lembre-se: no mundo dos investimentos, como no jogo da série, persistir apenas para “não perder” pode levar a riscos maiores e resultados piores. Reconhecer que perdas fazem parte do jogo é o primeiro passo para tomar decisões mais estratégicas e preservar o patrimônio.
Curtiu? No mercado, sobreviver é mais importante do que vencer todas as partidas — e saber sair na hora certa é tão valioso quanto saber entrar.
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