Entenda como Opep+ influencia preço de petróleo e reverbera pelo mundo
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos

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Publicado em
29/11/2023 às 11:16
Atualizado em
29/11/2023 às 13:11
Por Adriana Chiarini
Depois de uma trajetória de queda que colocou os preços do petróleo nas mínimas em meses, volatilidade tem sido o nome do jogo da commodity nos últimos pregões. Não bastassem as incertezas geopolíticas acirradas com o conflito entre Israel e o grupo palestino Hamas, estão influenciando as cotações do petróleo expectativas em torno da reunião da Opep+ prevista, no momento, para o próximo dia 30/11.
O encontro já foi desmarcado uma vez - ocorreria inicialmente nos dias 25 e 26 de novembro - e rumores levantados nesta terça-feira davam conta de que novo adiamento pode ocorrer. Em jogo para o encontro está a decisão de novos cortes na produção. Haveria disposição de Arábia Saudita e Rússia em estender os limites à produção que foram determinados neste ano para além do início de 2024. Enquanto isso, países africanos prefeririam encerrar os cortes no final de 2023, como é previsto atualmente.
Mas as especulações sobre a possibilidade de adiamento da reunião além de influenciarem fortemente os preços do barril de petróleo têm impacto importante nas bolsas de valores, onde empresas do setor pesam significativamente nos índices de ações, com é o caso do Ibovespa. E ainda mais: o preço da energia, onde petróleo e derivados têm enorme prevalência, ajudam a determinar expectativas de inflação e, automaticamente, estimativas para definição de juros, em diferentes países. Por isso, uma reunião como essa esperada para o dia 30 influencia cotações de diversos ativos, em vários países.
No que diz respeito à complicada geopolítica no Oriente Médio, região grande produtora de petróleo, é importante lembrar que Israel e a Palestina ficam ali. Com o apoio dos Estados Unidos e do Catar, houve um entendimento para trégua entre Israel e o grupo Hamas, com libertação de reféns que tinham sido sequestrados em outubro, e há esperanças de esmorecimento do conflito. Porém, a questão é bastante complexa e ainda não está descartado o risco das atuais tensões se estenderem outros países da região, o que afetaria direta e fortemente o preço do petróleo.
Desde sua fundação, em 1960 no Iraque, o grupo de países que compõe a Opep trabalha com metas de produção de petróleo com o objetivo de calibrar a oferta mundial e estabelecer uma política comum em relação à produção e à venda de petróleo. Por isso, o grupo é considerado um cartel.
Ao contrário do que é habitual, não está correto dizer que a Opep é formada pelos maiores produtores de petróleo. Afinal, Estados Unidos, Canadá, China e Brasil, por exemplo, não participam do grupo e estão entre os maiores produtores globais.
Atualmente, a Opep tem 13 membros que responderam por cerca de 40% da produção mundial da commodity em 2022. Somados aos outros 10 países convidados, formando o que se chama de Opep+, este porcentual chegou a 59% do total produzido no ano passado, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE). Ou seja, trata-se da maior parte da oferta de petróleo no mundo e é daí que vem a força da Opep e da Opep+.
Integram a Opep: Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Venezuela, Líbia, Emirados Árabes, Argélia, Nigéria, Angola, Guiné Equatorial, Gabão e Congo, que juntos mantiveram um ritmo de produção de 28,7 bilhões de barris por dia em 2022. Já a Opep+ engloba outros 10 países convidados e o que mais produz é a Rússia, com 10 bilhões de barris/dia. Os demais são México, Cazaquistão, Azerbaijão, Oman, Malásia, Bahrein, Sudão, Sudão do Sul, Brunei.
As diferenças de força entre os participantes são muito grandes. A Arábia Saudita, por exemplo, produziu no ano passado 10,4 bilhões de barris por dia, enquanto a produção de Angola e Nigéria somadas foi de 2,3 bilhões de barris por dia.
No Brasil, é comum ver o efeito de uma alta ou baixa do petróleo refletida no Ibovespa. Isso porque uma das maiores companhias brasileiras e de maior peso na bolsa é a Petrobras.
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