Conheça o Open Investment, nova fase do Open Finance
Entenda como a novidade vai facilitar o dia a dia dos investidores
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos
Atualizado em
15/10/2024 às 17:19
Por Gustavo Boldrini, do Broadcast
O Open Finance, agenda promovida pelo Banco Central (BC) com o objetivo de desburocratizar o sistema financeiro, tem ganhado cada vez mais adeptos no Brasil. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o número de consentimentos para o compartilhamento dos seus dados entre instituições bancárias, atingiu 38 milhões em agosto deste ano, uma alta de 72% em relação a março.
Avançando na agenda do Open Finance, o BC deve lançar até o final deste mês de setembro, no dia 29, a nova fase do programa, conhecida como Open Investment. Agora, a ideia é simplificar e dar autonomia aos clientes para a troca de informações entre instituições financeiras referentes ao seu portfólio de investimentos.
Para o investidor, ficará mais fácil a administração dos recursos, já que ele poderá ter acesso aos investimentos que possui em diversas instituições dentro de um único aplicativo agregador ou no próprio aplicativo do banco de sua escolha. Para os bancos e instituições participantes do Open Finance, a grande virada de chave será a facilidade em compreender o perfil de cada cliente, oferecendo os produtos e serviços mais adequados.
"Para entender o Open Investment, é preciso entender toda essa onda de Open, que inclui finance e Insurance (seguros). É um movimento em que a informação do cliente é dele, e essa informação tem valor e pode ser transportada para qualquer outra instituição financeira regulada pelo Banco Central", comenta Chen Wei Chi, sócio-líder de Transformação de Negócios e Inovação para Serviços Financeiros e Open Finance da consultoria EY.
O que é o Open Investment?
O Open Investment faz parte da fase conhecida como 4B do projeto Open Finance, do Banco Central, que visa facilitar a troca de informação entre as instituições. Se o Open Finance permite que clientes compartilhem seus dados entre as instituições participantes do ecossistema, agilizando alguns processos como a liberação de um financiamento, por exemplo, o Open Investment permitirá que os clientes compartilhem seus dados de investimentos entre as instituições participantes do mercado financeiro, seja em renda fixa bancária, renda fixa crédito, renda variável, títulos do Tesouro ou fundos de investimento.
"Para compartilhar dados de investimentos, os usuários seguirão os mesmos passos para compartilhamento dos dados de movimentação financeira, que já existem hoje, pelo Open Finance. A diferença estará na seleção dos dados, pois será permitida a inclusão desses dados de investimento", afirma Karen Machado, executiva responsável pelo Open Finance no BB.
Mais facilidade na oferta de produtos
As informações compartilhadas pelos investidores estarão disponíveis para as instituições participantes por meio de integrações padronizadas feitas por APIs, sigla para a expressão em inglês "Application Programming Interface" ou "interface de programação de aplicações". Trata-se de uma aplicação que permite o compartilhamento de informações entre diferentes entes de um sistema.
Ao citarmos a API em Open Finance ou Open Investment, estamos falando de uma interface na qual os diversos membros do sistema financeiro compartilham entre si os dados de seus clientes de forma segura e transparente, mediante o consentimento expresso do cliente e sob supervisão do Banco Central.
"A grande oportunidade do Open Investment é poder oferecer uma assessoria cada vez mais qualificada, personalizada, a partir de uma visão global dos objetivos dos investidores e do seu apetite a risco, permitindo a construção de portfólios ainda mais aderentes às suas necessidades", avalia Eduardo Villela, executivo de alocação e produtos de investimentos do BB.
Uma observação: vale esclarecer que esta API é diferente do processo que leva a mesma sigla, para se referir à Análise de Perfil do Investidor.
Quais produtos de investimento farão parte do Open Investment?
O Open Investment vai incluir a partilha de informações de aplicações dos clientes, sob consentimento. Isso vale para renda fixa bancária, renda fixa de crédito, Tesouro Direto, renda variável e fundos de investimento.
A seguir, confira os produtos que farão parte da primeira fase do Open Investment, segundo o Banco Central:
- Renda Fixa Bancária: CDB/RDB, LCI e LCA
- Renda Fixa Crédito: Debêntures, CRI e CRA
- Renda Variável: Ações, FIIs, FIAGROs e Fundos de índices
- Tesouro Direto: Títulos do Tesouro Direto
- Fundos de Investimento: Renda Fixa, Ações, Multimercado e Cambial
Aplicativo do BB está pronto para o Open Investment
As mudanças promovidas recentemente pelo Banco do Brasil no aplicativo Investimentos BB permitem a aderência ao Open Investment, além de melhorias de interatividade, layout e funcionalidade. O app também conta com um agregador de investimentos que permite que o cliente acesse aplicações que possui no BB e em outras instituições, incluindo ações, podendo acessar e gerenciar esses investimentos direto no aplicativo do banco.
A partir do dia 29, para compartilhar as informações de outras instituições com o Banco do Brasil no app do BB, basta acessar a opção "Open Finance", depois clicar em "trazer meus dados" e selecionar a instituição da qual deseja trazer as informações. Depois disso, o cliente será redirecionado para o aplicativo da outra instituição para autenticação e confirmação e, em seguida, retornará ao app BB, numa jornada única e fluida. A partir daí, o investidor já poderá visualizar todos seus produtos de investimentos em um único lugar.


