Lições e evoluções da Estratégia Swing Trade - Ano 2
Completando dois anos de operações e colhendo bons frutos em meio à volatilidade do mercado brasileiro
Publicado por: Análise BB

Completando dois anos de operações e colhendo bons frutos em meio à volatilidade do mercado brasileiro
Publicado por: Análise BB
Publicado em
03/04/2025 às 09:14
Atualizado em
03/04/2025 às 09:14
Nesta semana a Estratégia Swing Trade completa dois anos de operacionalização. Foram 177 operações até o momento, sendo 162 iniciadas e já encerradas, e outras 15 ainda em andamento – vide monitoramento.
Ao longo deste segundo ano, ampliamos o conhecimento sobre o tema Trading Systems com algoritmos, backtesting, medidas de retorno e de risco, e também pudemos observar o comportamento dos algoritmos utilizados até o momento à medida que novas situações de mercado iam surgindo. Utilizando esses elementos, efetuamos a primeira grande revisão metodológica, que inclui não apenas atualizações dos algoritmos, que passam a estar otimizados para os perfis mais recentes volatilidade dos ativos acompanhados, mas também a ampliação do universo de cobertura, que passa a contar com 22 ativos. Com isso, esperamos continuar ofertando um cardápio diverso de oportunidades em renda variável e, esperamos, com rentabilidade e segurança ainda maiores do que vínhamos oferecendo.
Apurar a rentabilidade de uma miríade de operações com entradas e saídas irregulares e prazos distintos não é uma tarefa trivial. Então, oferecemos duas óticas.
O somatório simples dos retornos totaliza 317% nos dois anos de operação, o que se traduz em uma média de 1,79% bruto em cada um dos 177 trades disparados. Esta soma simples não leva em consideração capital alocado ou duração das operações, mas permite, ao saber que o prazo médio das operações foi de 36 dias corridos, o exercício de anualizar essa taxa, que equivaleria a 19,5% ao ano, ou 42,8% no período de 2 anos, para quem participou de absolutamente todas as operações.
Considerando as datas de entradas e saídas de caixa nas datas exatas em que ocorreram, ou seja, pela técnica da matemática financeira chamada Taxa Interna de Retorno (TIR), considerando um capital igualitário utilizado para cada operação, a rentabilidade fica não apenas metodologicamente correta, mas um pouco maior: equivalente a 44,5% no período. A título de comparação, o Ibovespa variou 29,9% no período, e o CDI nada menos que 24,9%.
O monitor apresenta o andamento de cada operação ativa dentre as sugestões recentes. A coluna “ainda vale entrar?” indica se ainda é vantajoso ingressar na operação, mesmo que tardiamente, caso tenha perdido o alerta inicial, enviado no momento da sugestão. Por padrão, consideramos válido o ingresso em uma operação de compra se a diferença entre o preço atual e o preço de compra (abertura do dia inicial da operação) não for maior que 1%.



Em junho do ano passado, com o mercado em franca queda, lançamos um monitoramento especial para endereçar a questão dos stops. Como investidores, muitas vezes emocionais, temos a tendência de mobilizar rapidamente nosso capital diante de uma oportunidade, mas somos menos ágeis para desmobilizar quando uma operação não se desenvolve como esperávamos. Dessa forma, transformamos algo estatístico em pessoal, agindo como se pudéssemos, por sorte ou acaso, mudar o resultado, para não admitirmos um erro. Essa espécie de “vaidade” leva a uma inversão completa do que deveria ser a lógica de um trader: ao invés de nunca limitar os ganhos e sempre limitar as perdas, passamos de forma equivocada a frequentemente limitar os ganhos e raramente limitar as perdas, e esta questão é central para entender melhor o valor de uma metodologia objetiva.
Por mais contraintuitivo que possa parecer, as evidências apontam para um risco um tanto menor ao se operar uma estratégia que compra e vende do que se carregar uma posição de longo prazo (buy and hold). Em nossos estudos, ao longo do período de análises do teste retroativo, não foram raras as observações de drawdown máximo (definição abaixo) equivalentes a 60%, 70% e chegando a 80% (a média foi 65%) para a compra e manutenção (buy and hold) das ações que nossa estratégia acompanha, ao passo que o drawdown da operação do algoritmo apresentou média de 35%. Partindo da premissa de que risco é equivalente ao retorno, a conclusão é que operando um algoritmo, muitas vezes o investidor vai observar - dependendo da janela de prazo, especialmente se curta - um retorno inferior ao buy and hold. Isso pode sugerir que o sistema é pouco rentável, mas apenas se ignorado que o risco é significativamente menor, já que se bem calibrado, um setup de algoritmo deve, em uma inevitável tendência de baixa, recomendar em algum momento a venda, evitando ao investidor uma perda potencial enorme, enquanto defende os ganhos acumulados. A analogia aqui é que a jornada é cheia de curvas, e pode ser feita com cautela, acelerando e reduzindo a marcha conforme o desenho da pista, ou com o pé no fundo sem se importar com as curvas. Na pista reta o incauto tem vantagem, mas se a estrada é sinuosa o cauteloso vai muito mais longe, no controle do que está fazendo.
Drawdown é uma medida de risco que mensura o quanto em percentual um capital encolheu depois de ter chegado a um pico. Exemplo: Comecei a operar com R$ 1000, fiz vários trades bem sucedidos e meu capital foi para uma máxima de R$ 1500. A partir daí a coisa começou a dar errado, eu fiz vários trades ruins, e meu capital recuou para R$ 1200. Posteriormente voltei a acertar a mão, e após uma sequência de ganhos eventualmente retornei aos R$ 1500. Essa diferença de R$ 300 (pico de R$ 1500 e vale de R$ 1200) equivale a um drawdown de 20% (300/1500). Existem outras formas de mensuração de drawdown, como tempo decorrido, frequência, etc mas vamos nos ater ao conceito mais simples de percentual entre pico e vale – chamado de drawdown máximo.
Via de regra, o drawdown é inevitável na renda variável como um todo, porque depois de toda máxima histórica vem uma correção. Em um sistema de trades por algoritmo ele equivale a um período em que a estratégia opera de forma subótima e falha em identificar os melhores momentos de compra e de venda, ou simplesmente não mostra adaptabilidade a um momento de mercado para a qual não foi treinada, gerando prejuízos sequenciais.
Hoje, o cenário é o oposto ao daquele junho do ano passado, reforçando que o mercado é cíclico: enquanto escrevemos este caderno o Ibovespa oscila acima dos 130 mil pontos, em uma pernada de alta que se iniciou em janeiro, arrefeceu em fevereiro, mas se intensificou em março. Com o algoritmo tendo sucesso em rastrear boa parte desse movimento, temos a felicidade de ter recomendado e estarmos participando de nada menos que 15 operações das 18 possíveis (pré revisão metodológica e ampliação do número de ativos acompanhados), praticamente todas no positivo, incluindo uma com rentabilidade superior a 20% (ABEV3). À medida que mais e mais operações se acumulam no histórico, vemos a normalização tanto da rentabilidade média, que oscila entre 1,5% e 1,9% a depender do mercado mais de alta ou mais de queda, e do prazo médio, que gira em torno de 37 dias corridos.
A assimetria ainda é a chave: os ganhos percentuais são em média mais do que o dobro das perdas, enquanto a taxa de acerto tem ficado próxima a 50%.
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