A Vibra reportou números favoráveis no resultado no 3T25, com destaques para a forte geração de caixa, recuperação de participação de mercado na rede de postos e elevado patamar de margem EBITDA, ainda que inferior a/a, dada a forte base do 3T24. Como contrapontos, vemos i) a performance do segmento B2B, com queda de 6,5% a/a nos volumes vendidos; ii) dados da geração centralizada da Comerc, que levaram o EBITDA @stake para R$ 238 milhões, redução de 25% a/a, impactado pelo curtailment, mesmo com expansão da geração distribuída; iii) aumento das despesas operacionais e das despesas financeiras, fatores que devem seguir pressionando o resultado líquido nos próximos trimestres, dado o elevado patamar de endividamento, em 2,7x (ainda que menor em 0,2x t/t). Com isso, o EBITDA recorrente ficou em R$ 1.806 milhões no trimestre, com margem de R$ 159/m³, patamar que entendemos favorável e que, combinado a um ambiente regulatório mais favorável, deve seguir como gatilho para continuidade da boa performance do papel em bolsa, que acumula alta de 43% no ano.
Destaques financeiros.
A receita líquida atingiu R$ 48,6 bilhões, +4,6% a/a, e um lucro líquido ajustado de R$ 546 milhões (-87% a/a), devido aos efeitos não recorrentes do 3T24, mas também às maiores despesas financeiras (+109% a/a) e operacionais (+31% a/a, pressionadas por fretes, provisões e custos comerciais). Destacamos positivamente a liberação de R$ 1,6 bilhão em capital de giro, o que colaborou para um avanço de 77% no fluxo de caixa operacional, bem como a redução da dívida líquida em 11% t/t, para R$ 18,8 bilhões, com alavancagem em 2,7x, ainda elevada devido à aquisição da Comerc. Interessante notar que a companhia conseguiu alongar prazo e reduzir o custo médio da dívida, passando de 3,9 anos no 3T24 para 4,5 anos, com custo de CDI + 0,73 (redução de 0,6 p.p.).
Destaques operacionais.
No 3T25, a rede de postos teve um crescimento de volumes na ordem de 5% t/t e 2% a/a, com avanço de 0,3 p.p. no market share, para 20,9%, o que entendemos que pode estar ligado ao movimento de melhoria no ambiente competitivo após as ações contra o crime organizado no setor. No segmento B2B, houve queda de 6,5% a/a nos volumes vendidos, apesar do avanço em QAV (+6%) e lubrificantes (+13%), devido à menor demanda por óleo combustível e diesel. Em Renováveis, a Comerc apresentou receita de R$ 1,7 bilhão (+48% a/a), com expansão da geração distribuída, mas o EBITDA @Stake caiu para R$ 238 milhões (-25% a/a) devido ao impacto do curtailment.
O trimestre foi marcado por avanços regulatórios relevantes, com destaque para a operação Carbono Oculto, como já comentamos em nosso relatório setorial. Também chama atenção a recente tramitação do projeto de lei do Devedor Contumaz, pauta histórica do setor e que, se aprovado, deve fortalecer o ambiente competitivo, na medida em que deve reduzir as práticas ilícitas e trazer volumes para legalidade. Apesar desse cenário positivo, vemos desafios relevantes, já que os volumes B2B seguem pressionados, as despesas operacionais por m³ aumentaram, e o custo financeiro tem sido um fardo sobre a rentabilidade. Também fica no radar um eventual agravamento dos impactos do curtailment sobre a rentabilidade da Comerc. A alavancagem, embora tenha iniciado um movimento de declínio, continua alta e deve manter a rentabilidade pressionada no curto prazo, mas vemos uma companhia reunindo condições relevantes para se manter competitiva e rentável, com gatilho para novas altas vindo de uma melhoria de sua estrutura de capital e também do cenário macro, já que a condição de juros elevados, ontem mantidos pelo Copom, impacta consideravelmente companhias intensivas em capital como neste setor. Mantemos nossa recomendação compra e o preço-alvo de R$ 26,00 para 2026.
Desempenho da Ação.
O papel VBBR3 sobe 13% nos últimos 12 meses, se recuperando após forte queda entre o final do ano passado e o começo de 2025. No ano, a alta é de 43%, em linha com seu principal par listado, a Ultrapar (+46%) e acima do Ibovespa (+27%) no mesmo período. Em nossa opinião, tal performance deriva da Vibra seguir demonstrando resiliência em um setor desafiado por altas taxas de juros e perda de competitividade devido a fraudes, mas com bons retornos e um portfólio diversificado, ainda que a aquisição da Comerc e os impactos em despesas financeiras pela aquisição e do curtailment no setor sejam os principais responsáveis pelos efeitos adversos na geração de caixa no curto prazo.
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