VGBL e PGBL: o que você precisa saber para investir na previdência privada sem surpresas
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos
Atualizado em
24/11/2025 às 15:49
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
Quem investe em planos de previdência privada teve de conviver com um noticiário agitado ao longo de 2025. A principal mudança anunciada neste ano é a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os valores aportados no VGBL, dependendo do valor. Para quem aloca recursos no PGBL, tudo permanece igual, com isenção de IOF.
Para quem aportou mais de R$ 300 mil no VGBL ao longo de 2025, haverá cobrança de 5% de IOF, considerando a soma de todos os aportes do CPF, independentemente da seguradora. A partir de janeiro de 2026, haverá uma atualização importante: o IOF de 5% será aplicado sobre aportes em VGBL que ultrapassarem R$ 600 mil por ano.
"Para aquelas pessoas que pretendem aumentar os seus saldos em VGBL e para aquelas que irão iniciar seus investimentos nesse produto, aproveitando os limites de aportes isentos da cobrança do IOF, é muito importante que essas pessoas planejem seus aportes anualmente", recomenda Mauro Guadagnoli, superintendente comercial da Brasilprev, em entrevista à Broadcast .
O especialista lembra ainda que os limites não são cumulativos. "Ou seja, quem deixou de realizar o aporte de R$ 300 mil no ano de 2025 não poderá aportar R$ 900 mil no VGBL para ficar isento em 2026, e assim sucessivamente".
A seguir, veja destaques da entrevista e saiba como investir bem na previdência privada, evitando surpresas desagradáveis e impulsionando seu planejamento para o futuro:
Broadcast: Com o ano chegando ao fim, o investidor precisa se atentar às novas regras de tributação dos planos de previdência privada, principalmente em relação ao IOF. Ainda vale a pena investir no VGBL, mesmo com o IOF?
Guadagnoli/Brasilprev: A previdência continua sendo uma opção bastante atrativa para quem pensa no longo prazo, oferecendo benefícios como a possibilidade de alterar o perfil do investimento sem a necessidade de resgatar o valor investido, o pagamento do tributo apenas no momento do resgate e não semestralmente ("come-cotas"), o planejamento sucessório isento do ITCMD e a possibilidade da conversão do seu saldo em renda.
Broadcast: Em termos de tributação, tanto IOF quanto IR, no que o investidor de previdência privada precisa se atentar agora neste fim de ano?
Guadagnoli/Brasilprev: Para quem declara o Imposto de Renda no modelo completo, é importante estar atento se as contribuições realizadas no produto PGBL já atingiram o limite de 12% da sua renda bruta anual. Caso ainda não tenha atingido esse limite, o ideal é realizar um aporte no valor faltante para assim usufruir ao máximo do incentivo fiscal desse produto. Atente-se também ao prazo para realizar esse aporte: o ideal é que o mesmo aconteça antes do dia 29/12 para garantir a sua dedução na base de cálculo do IRPF ainda no exercício de 2025.
Já para aquelas pessoas que investem no VGBL e ainda não atingiram o limite de R$ 300 mil, isento do IOF, a dica é realizar o aporte do valor faltante também antes do dia 29/12.
Broadcast: Quais impactos as mudanças do IOF trouxeram para o mercado de previdência privada em termos de demanda e volume?
Guadagnoli/Brasilprev: A partir do advento do IOF, percebemos uma redução significativa na captação de recursos no produto VGBL, mostrando como mudanças tributárias influenciam decisões de investimento, especialmente entre aqueles que costumam realizar contribuições mais elevadas.
Por outro lado, a previdência privada continua sendo um dos pilares da formação e da manutenção de poupança de longo prazo no Brasil, com quase R$ 1,6 trilhão em reservas e mais de 11 milhões de clientes, contribuindo de forma efetiva para o desenvolvimento sustentável do nosso País.
Broadcast: A diferença entre PGBL e VGBL é um tema que gera muitas dúvidas. De forma didática, o que difere essas modalidades e para que tipo de pessoa cada uma é mais vantajosa?
Guadagnoli/Brasilprev: Pense no PGBL como o produto ideal para quem faz a declaração completa do IR: as contribuições realizadas nesse produto podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPF até o limite de 12% da renda bruta anual do investidor. Isso significa pagar menos imposto durante a fase de contribuição para esse produto.
Quando o investidor for usufruir das suas reservas constituídas no PGBL, seja resgatando esse valor ou convertendo-o em renda, o Imposto de Renda incidirá sobre o valor total do resgate ou da renda, formado pelos aportes mais a rentabilidade. Lembrando que, na fase de contribuição, ele pode se beneficiar de uma economia de até 27,5% sobre as contribuições realizadas no IR e, no momento do resgate, a tributação poderá ser de 10%, se ele tiver investido o recurso por 10 anos ou mais e tiver optado pela tabela de tributação regressiva definitiva.
Já o VGBL é perfeito para quem faz declaração simplificada ou é isento, pois os aportes nesse produto não podem ser deduzidos da base de cálculo do IRPF. No entanto, no resgate ou na conversão em uma renda, o imposto incidirá apenas sobre os rendimentos, e não sobre o total investido. O importante é que a previdência privada tem o produto adequado para cada investidor, de acordo com o seu perfil tributário.
Broadcast: Quais são as perspectivas para a previdência privada em 2026?
Guadagnoli/Brasilprev: A expectativa é de um cenário favorável. A taxa Selic deve iniciar um processo gradual de queda, mantendo o interesse por fundos conservadores, mas também abrindo espaço para maior exposição em fundos multimercados. Além disso, o mercado tem investido fortemente em educação financeira, mostrando às pessoas a importância de se planejar para o futuro e constituir reservas para projetos de médio e longo prazo.
Nesse contexto, a previdência privada segue como ferramenta essencial, especialmente diante da crescente preocupação com a longevidade.
As pessoas vão viver mais, e para viverem melhor, é fundamental que se preparem não apenas fisicamente e emocionalmente, mas também financeiramente.
Broadcast: Para finalizar: quais dicas você daria para quem quer começar a aportar em previdência privada no ano que vem?
Guadagnoli/Brasilprev: Antes de tudo, pense nos seus objetivos de vida: quer garantir uma aposentadoria tranquila, realizar um grande projeto ou proteger o futuro de quem você ama? A previdência privada é muito mais do que um investimento para o longo prazo, ela é uma ferramenta para planejar sonhos.
Defina a modalidade que faz sentido para você e organize seus aportes com antecedência. Aproveite os benefícios fiscais disponíveis e revise sua estratégia periodicamente. Além disso, considere começar o quanto antes: quanto mais cedo você inicia, mais tempo seu dinheiro tem para trabalhar a seu favor, ajudando a transformar seus projetos em realidade.
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