Tchau, Tigrinho? Cerco se fecha para as apostas online; saiba mais
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
25/09/2026 às 14:13
Por Patrícia Queiroz, da Broadcast
São Paulo, 25/09/2026 - Se você está entre aqueles que costumam ver o dinheiro encurtar quase todo mês, ao mesmo tempo em que tenta equilibrar as contas pelo uso regular dos cassinos e apostas online, fique de olho: esse mercado parece estar de fato com os dias contados por aqui.
Nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar uma Medida Provisória (MP) proibindo o funcionamento das bets no Brasil. Ainda há dúvidas se o governo vai restringir totalmente esse mercado ou apenas os cassinos online, como o "Jogo do Tigrinho". A Broadcast apurou que a possibilidade maior é pela proibição total.
Na noite da última quarta-feira, em evento no Rio de Janeiro e após reunir-se mais cedo com ministros e auxiliares no Palácio da Alvorada para discutir o tema, Lula já havia dito que "isso não é uma guerra, é uma decisão e que teria imenso prazer de acabar com as bets".
Proteção às famílias
Além das apostas online, o governo deve anunciar hoje "novas medidas de proteção às famílias e à economia popular", segundo informou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom).
Isso incluiria um programa de 'compra' das dívidas das famílias a partir de recursos do Tesouro.
Vale lembrar que a MP terá validade de até 120 dias e, para que se transforme em lei, precisa ser aprovada nesse período pelo Congresso.
Brasileiros aprovam proibição
Levantamento da Atlas/Bloomberg, divulgado no último dia 23, mostrou que 75% dos brasileiros apoiam a proibição das bets. Apenas 17% se disseram contrários à medida e outros 8% não concordam nem discordam.
Na outra ponta, em manifesto intitulado "Nós apostamos no Brasil", entidades que representam empresas de apostas e jogos online protestaram contra a intenção do governo e disseram que a Lei 14.790, de 2023, regulamentou as bets, que pagaram outorgas e contrataram profissionais para se estabelecer no mercado.
Cada uma dessas empresas - hoje há cerca de 188 autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda - pagou R$ 30 milhões em outorgas para operar no País por um período de cinco anos.
"O 'não jogo' não existe. Proibir não vai proteger a sociedade. A demanda legalizada migra para sites ilegais", diz um trecho do documento, que também aponta para risco de demissões em massa e insegurança jurídica.
Segundo informaram fontes ao Broadcast Político , as casas de apostas online aguardam a decisão de hoje para desencadear uma onda de ações judiciais, sob o argumento de que a medida do governo é inconstitucional.
E os clubes de futebol, como ficam?
Clubes de futebol, por sua vez, buscam o governo para negociar um programa de refinanciamento de suas dívidas em troca da proibição da propaganda de bets nas camisas dos times, o que pode ser abarcado na MP de hoje.
No mesmo movimento, casas de apostas que patrocinam clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro já começaram a notificar as equipes sobre a possibilidade de rescisão imediata de seus contratos comerciais.
Hoje, 14 dos 20 times da Série A possuem marcas de bets expostas nas camisas de jogadores. Considerando apenas os patrocínios feitos por essas empresas nos times em 2025, os aportes somaram mais de R$ 1 bilhão.
(Colaboraram Gabriel de Sousa e Gabriel Hirabahasi)
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