Bets: veja como as apostas online funcionam e por que elas não são investimentos
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
15/09/2026 às 12:12
Por Soraia Budaibes e Patrícia Queiroz, da Broadcast
São Paulo, 15/09/2026 - O Brasil está entre os países que possuem os maiores mercados de apostas esportivas do mundo. Dados recentes do Ministério da Fazenda, coletados apenas junto às plataformas oficiais, mostraram que quase 27 milhões de pessoas - ou cerca de 13% da população - colocam dinheiro nas bets com regularidade.
Entidades que representam o sistema financeiro, categorias setoriais, órgãos de defesa do consumidor e ainda vinculadas à saúde pública têm sido enfáticas e recorrentes em alertar sobre a correlação entre o alto endividamento da população e a evolução dos jogos online.
Se você está entre os que fazem uso regular desse tipo de aposta, entrou e não sabe como sair ou conhece alguém nessa situação, saiba mais agora como funciona esse mercado que, apenas no ano passado, movimentou uma receita bruta de aproximadamente R$ 37 bilhões, novamente, apenas entre as regulamentadas.
Antes de tudo, o que são bets?
As bets são plataformas virtuais de jogos por meio das quais apostadores arriscam palpites e dinheiro em resultados de competições.
O termo popular vem do verbo em inglês 'to bet', que significa apostar. As transações ocorrem a qualquer hora do dia nos sete dias da semana. Para isso, basta ter acesso à internet.
Como funcionam as apostas?
Os apostadores conseguem ter acesso a essas plataformas colocando seu dinheiro em eventos esportivos e de modalidades diferentes, utilizando o sistema de 'odds' ou cotações.
Essas 'odds' indicam o retorno potencial de uma aposta e a probabilidade estimada de um resultado. Quem define as cotações são as casas de apostas. O prêmio é calculado multiplicando-se o valor apostado pelas 'odds', no formato decimal.
Quem pode operar as bets no Brasil?
No Brasil, as empresas de apostas operam pelo modelo de quota fixa, com regulamentação do Ministério da Fazenda pela lei 14.790/2023.
Atualmente, 188 empresas têm autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas, da Fazenda, para operar nesse mercado. No entanto, há uma vasta quantidade das que atuam de forma irregular.
Para se ter uma ideia do tamanho dessa prática, até este mês, a Fazenda já encaminhou para bloqueio mais de 68 mil sites clandestinos.
Perfil do apostador
A última pesquisa Raio-X do Investidor, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), mostrou que a maioria dos brasileiros aderiu ao mercado de bets por acreditar que poderia alcançar uma renda extra ou mesmo mudar o padrão de vida.
O estudo ainda revelou que cerca de 17% da população economicamente ativa do Brasil chegou a fazer alguma aposta virtual em 2025, sendo que 37% desses usuários desembolsaram R$ 100 ou mais por mês nas bets. Para boa parte dessa parcela, a aposta não é um hábito ocasional.
A idade média de quem aposta é de 35 anos e 66% são homens, com renda familiar mais alta que a média da população, de acordo com a Anbima. Veja mais sobre os dados neste link: https://www.anbima.com.br/pt_br/especial/pesquisa-bets-anbima.htm
Não, bet não é investimento
Embora muitas pessoas acreditem que arriscar seu dinheiro em bets seja o mesmo que fazer um investimento - segundo a Anbima, 20% dos apostadores consideram as apostas uma forma de aporte financeiro -, as atividades são bem distintas.
No levantamento da entidade, expressões como 'estratégia', 'retorno', 'método' e 'rendimento', que são associadas ao universo dos investimentos e de finanças, foram citadas com frequência pelos apostadores.
Nas bets, vale lembrar, os apostadores lidam com probabilidades e eventos imprevisíveis. Os jogadores colocam seu dinheiro arriscando um palpite no resultado de um evento.
Se ele acertar, recebe um prêmio em dinheiro, calculado com base nas 'odds'/probabilidades oferecidas pela casa de apostas. Caso erre, perde o valor apostado.
Já nos investimentos, as pessoas aplicam o capital em ativos com potencial de valorização, lidam com planejamento, formação de patrimônio.
Há uma gama de tipos de investimentos, que passam desde a renda fixa até a variável, com ações, títulos públicos, fundos imobiliários (FIIs) e outros ativos, que envolvem riscos e oportunidades.
O investimento tem como objetivo fazer seu dinheiro render ao longo do tempo de forma segura e consistente, respaldada em análises de mercado, histórico das empresas e projeções da economia.
Quem pode e quem não pode apostar?
Para ter acesso às plataformas virtuais de apostas online, é preciso ter mais de 18 anos e possuir CPF regularizado.
Beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família ou do Benefício de Prestação Continuada (BPC), estão proibidos de aplicar seu dinheiro nas bets.
Como saber se a bet é legal ou clandestina?
Importante: para a segurança dos usuários, é fundamental escolher as casas de apostas legalizadas pelo governo federal.
Para saber se determinada bet é ou não legalizada, o apostador pode buscar mais informações no site do Ministério da Fazenda/Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) por meio do link:
https://www.gov.br/fazenda/pt-br/composicao/orgaos/secretaria-de-premios-e-apostas.
Como as bets atraem apostadores?
Os apostadores se sentem atraídos pelas bets por meio de propagandas e patrocínios no futebol, anúncios em programas esportivos, redes sociais e indicações feitas pelas mídias tradicional e digital.
Outra prática bastante comum e que tem gerado polêmica, diz respeito às parcerias das casas de aposta com influenciadores digitais e celebridades do esporte.
Ferramentas de autoexclusão
Vale lembrar que, para aqueles que percebem que as bets estão afetando sua vida de forma negativa ou mesmo se tornando um vício, a SPA recomenda utilizar o sistema centralizado de autoexclusão dos sites.
Trata-se de uma ferramenta desenvolvida pela Secretaria, que bloqueia o acesso a todas as casas de apostas por um mês. Isso possibilita ao apostador retomar o controle da situação, prevenindo danos financeiros e à saúde mental, inclusive.
Para usar o sistema de autoexclusão, é preciso acessar o seu perfil na plataforma Gov.br e escolher o prazo (determinado ou indeterminado) para ficar fora do acesso às bets e, depois, aceitar os termos do sistema.
Precisa de ajuda para sair da ludopatia? Veja como a seguir:
A ludopatia é um transtorno mental com perda de controle sobre o comportamento de apostar. Ela leva a uma série de consequências negativas para o apostador e seu entorno porque, mesmo que esteja endividado e haja conflitos familiares, sofrimento emocional e prejuízos no trabalho, aquela pessoa segue jogando.
Segundo alerta do Ministério da Saúde, as apostas online podem causar dependência e, como resultado, o endividamento.
Entre as entidades de amparo para quem busca ajuda, estão:
- Jogadores Anônimos, grupo composto por pessoas que compartilham suas experiências, energia e esperança, com o objetivo de parar de jogar, manter-se abstinente e ajudar outros jogadores compulsivos a fazerem o mesmo.
https://www.jogadoresanonimos.com.br/
- Pro Amiti, grupo de profissionais que se dedicam a estudar e tratar pacientes com síndromes impulsivas
- Programa Ambulatorial do Jogo (PRO-AMJO), do Instituto de Psiquiatria da USP, que atua com pessoas que apresentem compulsão por jogos.
https://ipqhc.org.br/2026/06/26/transtorno-do-jogo/
Além disso, é possível buscar amparo junto às unidades do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), serviço público de saúde mental gratuito, integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS), e que é voltado para o atendimento de pessoas com sofrimento psíquico intenso ou transtornos mentais graves e persistentes
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/desmad/raps/caps

