Mapa da guerra: o que está acontecendo no Oriente Médio e como reagir às notícias?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
06/04/2026 às 15:19
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcou para esta segunda-feira, às 14h (de Brasília), uma coletiva de imprensa com as Forças Armadas na Casa Branca para trazer atualizações sobre a guerra contra o Irã, que completou um mês na semana passada.
Investidores ao redor do mundo seguem na expectativa por avanços nas negociações de paz entre os países envolvidos no conflito, apesar da falta de sinais de arrefecimento nos ataques. Pelo contrário: as ameaças e trocas de bombardeios na guerra, que também envolve Israel, têm se intensificado.
Em meio ao noticiário agitado, o investidor precisa se preparar para a volatilidade dos ativos, a fim de não tomar decisões precipitadas.
Quando a guerra vai acabar?
Até o momento, as condições colocadas por EUA e Irã para finalizar ou dar uma pausa na guerra não foram aceitas pelo outro lado, apesar do esforço de outros países, especialmente o Paquistão, em mediar as negociações.
No último dia 26, Trump deu um prazo de 10 dias para que Teerã aceite um acordo para encerrar o conflito e reabrir por completo o Estreito de Ormuz, passagem marítima no sul do país persa que recebia, antes do conflito, cerca de 30% de todo o fluxo global de transporte de petróleo e gás natural. Caso contrário, bombardearia toda a infraestrutura vital iraniana.
O Irã, por sua vez, tem ameaçado retaliações contra aliados dos EUA na região e não se mostraram dispostos a aceitarem as condições impostas pelos americanos. No último sábado, em postagem nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, deu a entender que o país persa não está interessado em um cessar-fogo, mas "no fim definitivo e duradouro da guerra ilegal" imposta por EUA e Israel desde 28 de fevereiro.
Em resumo: até o momento, as chances de uma saída diplomática para a guerra entre EUA, Israel e Irã no curto prazo parecem pouco prováveis, e a volatilidade dos mercados deve continuar intensa.
Quais são os efeitos da guerra nos mercados?
Volatilidade tem sido a palavra da vez nos mercados financeiros globais. Falas de Trump ou de líderes iranianos e notícias sobre a escalada das trocas de ataques no Oriente Médio têm impulsionado o vaivém das bolsas e do petróleo. O cenário pode levar muitos investidores a se sentirem perdidos diante do bombardeio de informações.
Até o momento, o que se tem de concreto é que o mercado de energia global não é mais o mesmo. O bloqueio do Estreito de Ormuz para países aliados de EUA e Israel e os danos na infraestrutura de energia do Oriente Médio causados por bombardeios gerou uma disparada nos preços do petróleo e em toda essa cadeia.
Em relatório publicado no último dia 30, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que a guerra abriu mais um choque para a economia global e está piorando as perspectivas de países que começavam a se recuperar de crises anteriores.
O Fundo afirmou que o impacto é "global, mas assimétrico", atingindo mais os importadores de energia, os países mais pobres e os que têm menos reservas.
No dia seguinte, os chefes do FMI, da Agência Internacional de Energia (AIE) e do Banco Mundial concordaram em formar um grupo de coordenação para maximizar a resposta de suas instituições aos impactos energéticos e econômicos da guerra.
Segundo as instituições, o conflito causou grandes interrupções nas vidas e meios de subsistência na região e desencadeou uma das maiores escassez de fornecimento na história do mercado global de energia, o que afeta desproporcionalmente os importadores de petróleo, em particular os países de baixa renda.
O que fazer durante a volatilidade causada pela guerra?
Do ponto de vista dos investimentos, eventos como o conflito no Oriente Médio costumam testar o emocional do investidor, que muitas vezes acaba tendo a sensação de que precisa agir com urgência para evitar perdas na carteira.
Mas é exatamente essa urgência que acaba causando as piores decisões financeiras, como alerta a educadora financeira Carol Stange.
"Uma das lições mais valiosas que os dados históricos ensinam é que se perde muito mais dinheiro tentando antecipar crises do que nas próprias crises. Vimos isso em outros episódios de tensão geopolítica: o mercado reage com exagero num primeiro momento, depois se normaliza. Assim, quem saiu com medo geralmente perdeu o melhor momento de recuperação", afirma.
A especialista recomenda que, neste momento, o investidor verifique se sua reserva de emergência está intacta e, caso contrário, a reforce. Afinal, ela será o colchão de segurança que permitirá uma postura de tranquilidade no meio das turbulências.
"Para quem já tem carteira montada com horizonte de médio e longo prazo, o movimento mais racional é segurar boas posições e não tomar decisões baseadas no noticiário de curto prazo. Quem tem renda fixa atrelada à inflação ou ao CDI, por exemplo, já está razoavelmente protegido num cenário de pressão inflacionária vinda do petróleo", avalia Stange.

