Selic subiu para 15%. E seus investimentos com isso?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos
Atualizado em
20/06/2025 às 11:27
Por Adriana Chiarini, do Broadcast
São Paulo, 20/06/2025 - Como você deve ter visto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) subiu a taxa básica de juros, a Selic, de 14,75% para 15% na última quarta-feira, véspera do feriado. Ela deve ficar neste patamar por um período de tempo "bastante prolongado", disse em comunicado o Copom.
"O Comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste, caso julgue apropriado", informou o Comitê junto à decisão de aumentar a Selic.
Para quem investe em renda fixa, é uma boa notícia. "No momento atual, considerando que a inflação deve fechar o ano em 5%, 5,5%, a Selic está perto de inflação mais 10%. É uma bruta de uma taxa!", diz Roberto Dumas, professor da FIA Business School, braço de cursos de pós-graduação da Fundação Instituto de Administração (FIA).
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 5,32% em 12 meses até maio e a pesquisa Focus divulgada na última segunda-feira (dia 16) mostra o ponto médio das expectativas de analistas para a inflação em 2025 em 5,25%. O centro da meta de inflação pelo governo é 3% e o BC tenta atingi-la usando, para isso, a taxa de juros Selic.
De acordo com o professor da FIA, na renda fixa, deve-se buscar preferencialmente títulos públicos pós-fixados, como as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), remuneradas pela própria Selic, ou Notas do Tesouro Nacional (NTN) - B, que pagam ao investidor uma taxa de juros fixa somada à variação da inflação pelo índice oficial, o IPCA. Ambos são negociados pelo Tesouro Direto, do governo federal, para pessoas físicas com os nomes de Tesouro Selic e Tesouro IPCA+, respectivamente. Dumas sugere investir em ambos.
Observa, porém, que o apetite de risco varia muito de pessoa para pessoa. "O cenário não vislumbra que você vá na ponta superior do seu apetite de risco. Por exemplo, para quem está disposto a arriscar de 10% a 30% da carteira de investimentos, agora está mais para os 10% do que para 30%", enfatiza.
Já Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, a questão pessoal dos objetivos e condições financeiras de cada investidor precisa vir antes de tudo ao se montar uma carteira, inclusive para se considerar o prazo de investimentos.
Para reservas de curto prazo, as LFTs podem cumprir muito bem esse papel de dar rentabilidade e segurança. Para o longo prazo, a renda fixa também pode ser um bom negócio, diz Cláudio Pires, sócio-diretor da MAG Investimentos, lembrando que há NTN-B de 10 e 15 anos, corrigidas pelo IPCA, e com uma taxa fixa no patamar de pouco mais de 7%.
Entenda:
Quando o Copom vai começar a baixar a Selic?
Não há como saber quando o Comitê pode iniciar um ciclo de redução das taxas de juros, mas o Copom deixou claro que não espera que isso aconteça nas suas próximas reuniões marcadas para setembro, novembro e dezembro.
"Em se confirmando o cenário esperado, o Comitê antecipa uma interrupção no ciclo de alta de juros para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado, ainda por serem observados, e então avaliar se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta", disse em comunicado na quarta-feira o Comitê.
Pires, da MAG Investimentos, vê uma "janela de oportunidade" para o início da redução da Selic no primeiro trimestre do ano que vem. Para Marcela Kawauti, ter noção de quando isso vai acontecer é importante porque quando os juros começarem a baixar, "a bolsa reage", diz a economista-chefe da Lifetime.
Devo ou não investir em ações com a Selic alta?
Roberto Dumas, da FIA, considera que o momento agora é de espera para entrar nesse segmento, mas se o investidor já estiver com ele em carteira e puder esperar, melhor ficar. Marcela Kawauti, da Lifetime, sugere: agora, vale aportar recursos em renda fixa, mas, adicionalmente, pode ser vantajoso para quem tiver condições de investir com tempo, "como estratégia de diversificação, escolher agora algumas ações para comprar".
Ela diz que, neste caso, vale compor uma carteira tanto com ações "mais seguras" quanto com aquelas que possuem bom potencial de rentabilidade. "Porque não adianta entrar na bolsa quando já tiver andado tudo", diz, numa referência à máxima segundo a qual o ideal é comprar na baixa e vender na alta. Também considera que, "se a pessoa não tem tempo para manter os recursos investidos por mais prazo em ações, é melhor não entrar nesse mercado porque pode precisar tirá-los em um momento de baixa".
Ela observa que mesmo com os juros altos, "a bolsa também está rendendo bem agora". O Ibovespa, principal índice de ações da B3, acumula alta de 15% em 2025.
Por que a Selic é importante para o investidor?
Ela é uma taxa básica para economia, influenciando outras taxas de juros, como as dos Certificados de Depósitos Interbancários (CDIs), que se referem às operações entre bancos e cuja taxa de juros média é conhecida como DI, próxima da Selic e usada como referência para investimentos. É também o principal instrumento do BC para tentar colocar a inflação na meta.
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