Renda fixa e crédito privado: relatório quinzenal (02/09/24)
O BB-BI analisa os principais indicadores que impactam as decisões de investimento em renda fixa e crédito privado.
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
02/09/2024 às 11:58
Panorama econômico
_No cenário externo, o foco permaneceu sobre as expectativas em relação aos próximos passos da política monetária americana, especialmente após declarações recentes do presidente do Fed, Jerome Powell, que reforçaram a sinalização de corte de juro em setembro. O provável início da flexibilização monetária nos EUA impulsionou moedas emergentes e melhorou o sentimento nos mercados globais, levando a um fortalecimento do real em alguns momentos. No entanto, eventos como o Jackson Hole e dados econômicos relevantes, entre eles o mercado de trabalho e a inflação de consumo (PCE), trouxeram volatilidade e influenciaram a dinâmica dos ativos.
_No Brasil, o cenário continua marcado por incertezas em relação à política fiscal, tendo em vista a proximidade de divulgação do orçamento de 2025. Ainda, declarações de dirigentes do Banco Central geraram oscilações no mercado, que refletiram o debate sobre a necessidade (ou não) de aumento da taxa Selic para ancoragem das expectativas de inflação. Dentro dessa conjuntura, a curva de juros futuros manteve forte abertura dos prêmios para os vencimentos mais curtos, no que pese as estimativas do Boletim Focus seguirem apontando para manutenção da taxa de juros no patamar de 10,5% a.a. para dez/24.
Curva de juros
_No encerramento de agosto, a curva de juros nominal brasileira apresentou perda de inclinação em relação ao mês anterior, considerando a forte abertura dos prêmios de curto prazo, impulsionada por incertezas fiscais e declarações de autoridades monetárias. Esse movimento reflete o aumento das expectativas por um ajuste mais intenso na Selic para a próxima reunião do Copom (18/set), com apostas de elevação da taxa de juros em até 50 bps, apesar do consenso de mercado manter estimativas de manutenção até o encerramento do ano. Os vértices médios e longos, por outro lado, apresentaram fechamento no comparativo mensal. A curva de DI futuro encerrou o dia 30/08 com uma taxa Selic de 10,99% para dez/2024, 11,85% para dez/25 e 11,92% para dez/26, reforçando a precificação de um cenário de alta de juros no curto prazo.
_No crédito privado, os spreads permanecem próximos da estabilidade, tendência que segue predominante embora seja possível observarmos uma oscilação negativa mais relevante sobre os prêmios das debêntures indexadas ao CDI. Contudo, mesmo considerando a possibilidade de uma elevação de juros, nossa visão positiva sobre alocação em uma carteira de títulos incentivados de crédito privado se mantém, conforme abordamos com mais detalhes em nossa Seleção de Crédito Privado de setembro/2024.
Consulte a Seleção BB-BI de Crédito Privado de setembro de 2024.

Evolução dos spreads de crédito
O viés de estabilidade dos spreads segue predominante, com uma oscilação negativa mais relevante para as debêntures indexadas ao CDI desde junho, período em que o aumento da duration média desses papéis parece ter iniciado uma trajetória ascendente.


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